Nome do Projeto
NARRATIVAS DO PASSO DOS NEGROS: EXERCÍCIO DE ETNOGRAFIA COLETIVA PARA ANTROPÓLOGOS/AS EM FORMAÇÃO
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
03/05/2017 - 31/12/2019
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Direitos Humanos e Justiça
Linha de Extensão
Patrimônio cultural, histórico e natural
Resumo
Este projeto é resultado de ações desenvolvidas desde 2014 no âmbito do projeto de pós-doutorado Um olhar sobre o passado e o presente do negro em Pelotas: possibilidades de inclusão da comunidade no discurso e na prática arqueológica. O projeto, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e Cultural e Arqueologia da UFPel, esteve também vinculado a módulos práticos da disciplina de Patrimônio Cultural ao longo de 2014 e 2015, e por meio dele foram organizadas idas a campo no intuito de proporcionar o primeiro contato dos graduandos com a prática antropológica. A elaboração deste como projeto de extensão surgiu em 2016 como demanda dos próprios estudantes envolvidos, os quais reconheceram a importância da atividade de extensão como meio de aliar a teoria ministrada em sala de aula ao trabalho de campo antropológico. Em 2016 este projeto esteve também vinculado a diferentes disciplinas da Graduação e Pós graduação em Antropologia e atendeu demandas específicas da comunidade moradora do Passo dos Negros, como a realização de atividades com as crianças e o início da elaboração do Dossiê de solicitação de Patrimonialização de elementos do Passo. Este será finalizado e entregue ao IPHAN em 2017.

Objetivo Geral

O objetivo geral do projeto é promover ações participativas junto à comunidade do Passo dos Negros como forma de garantir a continuidade dos moradores na localidade, na luta contra a especulação imobiliária e na preservação das memórias e histórias locais, bem como a preservação dos bens culturais locais.

Justificativa

A construção dos condomínios de luxo na localidade tem causado danos aos elementos considerados referências patrimoniais para aqueles moradores que solicitaram para a equipe do projeto a elaboração colaborativa de um dossiê para solicitar a patrimonialização oficial junto ao IPHAN. Também o projeto procura a partir de encontros, oficinas, trabalhar com a comunidade formas de empoderamento para que se atendam as demandas locais quanto a moradia, melhorias na qualidade de vida e preservação dos elementos patrimoniais.
Ressaltamos que a região alvo de nossas ações tem sofrido severas transformações ao longo do tempo, em função das mudanças econômicas e especulação imobiliária, com a construção de condomínios de luxo na região que tem causado instabilidade dos moradores em processo de vulnerabilidade. São diferentes grupos pelos quais podemos compreender o espaço e suas segmentações: o primeiro é formado por moradores mais antigos, constituindo pelo menos a terceira geração naquele lugar; o segundo grupo é composto pelos moradores mais recentes, com pessoas oriundas de outros bairros da cidade, mas que permanecem ali há pelo menos uma década; o terceiro grupo é mais recente, chamados de “posseiros”, habitam a região há pouco tempo em casas de madeira; o quarto grupo é formadopor moradores de grandes propriedades, localizadas na beira do arroio, demarcando diferenças e distanciamento a partir dos portões de ferro, muros altos e alarmes de segurança; o quinto grupo é composto pelos moradores do condomínio de alto luxo, construído recentemente, após a desapropriação de muitos moradores antigos, demarcado por um muro verde que tem “suas costas” para a comunidade, o que faz com que a relação entre os habitantes se dê apenas pelo muro; o sexto grupo é formado pelos pescadores, com moradias na beira do canal, habitam as mesmas propriedades por décadas; e por fim, o sétimo grupo são os pescadores “de mentira”, definidos dessa forma pelos outros pescadores,sendo aqueles que estariam apenas interessados nos benefícios voltados à pesca, delimitados a partir de uma charrete laranja.
Destarte, ao mesmo tempo em que o local tem abrigado “posseiros” que constroem suas casas de forma improvisada nos terrenos que permaneciam vazios, a poucos metros são construídos condomínios de alto padrão que se instalaram na localidade devido a sua proximidade a importantes pontos comerciais da cidade e ao Canal São Gonçalo. A especulação imobiliária que avança em direção ao Canal, valorizado agora como um espaço de lazer, também causa preocupação aos moradores da região, pois muitos deles não têm certeza sobre a regularização de suas propriedades. Os moradores do Passo dos Negros enfrentam problemas semelhantes, como também deve ser compartilhado por inúmeros grupos denominados de "camadas populares”, já que a maioria dos entrevistados não possuem termos de posse dos terrenos, estando constantemente receosos de serem retirados das suas casas. Também se destaca a falta de aspectos que são classificados como “básicos” para o desenvolvimento da vida. Nas conversas com os moradores, eles destacam a falta de água, de saneamento básico, as estratégias para instalar luz, as ruas sem cuidados e a região sem segurança.

Entre outras dificuldades, estão aquelas apresentadas pelas famílias de pescadores que moram às margens do Canal São Gonçalo e enfrentam problemas em função da poluição da água e a consequente falta de peixes para pesca. As comparações entre o “antigamente” e o “hoje” também foram feitas por eles, que depois de décadas de pesca, tem que encontrar outro modo de sustento:
Para aqueles posseiros que moram na mesma residência há pouco tempo (menos de um ano), o movimento é uma característica importante; eles já moraram em várias regiões da cidade, não mencionaram a falta de água ou luz, e não classificam como desvantagem pedirem para que eles se retirem do terreno. Destacaram o valor pago pela empresa construtora do condomínio para que eles afastassem suas casas do muro verde, demonstrando a relação deles com a terra, que se dá de um modo diferente daqueles moradores mais antigos.
O Estado, dessa forma, se apresenta na região de duas maneiras: inicialmente, por meio da especulação imobiliária, permitindo um crescimento desigual na região por meio da exclusão de muitos moradores. Segundamente, através do Posto de Saúde, que embora esteja localizado no bairro Navegantes, os moradores do Passo dos Negros o mencionam como o espaço de contato com o Estado, lugar onde recebem atendimento médico. O papel do Posto de Saúde ficou mais evidente para nós no momento em que um aluno do grupo de pesquisa, que trabalha diariamente no Posto, acompanhou as idas a campo, fazendo com que a pesquisa fosse confundida com ações do Estado, como solicitações de agendamentos de consulta e atendimento domiciliar.
Para nós, os exemplos acima mencionados demonstram as tensões entre os modos de vida e de habitar de diferentes grupos em temporalidades diversas.As memórias levantadas a partir de narrativas desenham o espaço e suas relações, fortemente demarcadas pelo pertencimento a terra e pelos conflitos sócio-espaciais.
Essas diferenças de públicos exigem ações específicas para cada perfil de grupo, que serão realizadas no âmbito do projeto.

Metodologia

As oficinas e demais ações serão realizadas de forma colaborativas a partir de metodologias participativas diversas . Como as oficinas participativas preveem momentos de interação e troca de saberes a partir da uma horizontalidade, onde a própria comunidade elenca suas demandas e junto aos universitários identificam ações de interesse e possibilidades de empoderamento para sanar problemas da localidade.
A metodologia base a ser seguida trata-se da etnografia das idas a campo e eventos. Também serão realizados encontros para revisão bibliográfica multidisciplinar sobre a temática e apresentações das ações já realizadas no local durante os anos de 2014 e 2015. Esses encontros serão de planejamento das ações.
Nessa perspectiva, diversas idas a campo , com o intuito de acessar diferentes agentes da comunidade. As entrevistas serão realizadas pelos alunos encontrarão com a supervisão da professora; após essa etapa,o processo de transcrição dos áudios será feito pelos bolsistas do projeto, enquanto a análise dos discursos será feita em grupo, produzindo um ensaio etnográfico. Esse ensaio embasará as oficinas, audiências públicas, abaixos assinados que acompanharão o dossiê, documentação fotográfica, etc.

Indicadores, Metas e Resultados

1) Finalização e encaminhamento do dossiê de patrimonialização para o IPHAN;
2) Realização de Audiências públicas em defesa do Passo dos Negros e para articular lideranças para ações mais efetivas contra as remoções
3) Realização de etnografias e outras ações com a comunidade no âmbito da disciplina de Antropologia do conflito junto à equipe do projeto que possam embasar as ações práticas;
4) Dar visibilidade as causas da comunidade moradora do Passo em eventos diversos, científicos ou não. Como um trabalho unto à mídia, junto ao poder público, etc.

Como resultados, espera-se
um retorno do pedido de registro de bem patrimonial pelo IPHAN; Realizar ações efetivas junto à comunidade em atendimento às demandas locais, envolver os alunos em atividades práticas da disciplina.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADARA GUIMARÃES DE SOUZA
ADRIANA TEIXEIRA CAMISA
ALESSANDRA BERNARDI DA SILVA
AMANDA CHRISTIANINE COSTA BATISTA
AMANDA DIAS WINTER
AMANDA SEVERO MEDEIROS
ANA LAURA DA SILVEIRA GIRAO
ANA PAULA SIGA LANGONE
ANDRE DAL BOSCO CARLETTO
ANDRÉIA TEIXEIRA CAMISA
ANTONIO ERNANI PINTO DA SILVA FILHO
ARANTXA SANCHES SILVA DA SILVA
Airton Rodrigues Cardoso
BINÔ MAUIRÁ ZWETSCH
CAMILA MACHADO RAMOS DE CASTRO
CLOVIS RENATO HEINRICH DOS SANTOS
DANIEL COSTA DA SILVEIRA
DANIEL VAZ LIMA
DANIEL VAZ LIMA
ELIESER MARTINS ARAUJO
ELIS ESTHER MEZA PEÑA
ERALDO ELISIO BRITTO DE SOUZA
FELIPE AURÉLIO EUZÉBIO
FERNANDO LUIZ SAFADI DODE
FLAVIA MARIA SILVA RIETH1
FRANCISCO LUIZ PEREIRA DA SILVA NETO
Fabíola Peres de Souza
GABRIEL PEREIRA DE OLIVEIRA
GLENIO CALMON DE AQUINO RISSIO
GUILHERME GALDO RUCHAUD
GUILHERME RODRIGUES DE RODRIGUES
GUSTAVO FIORINI MARQUES
HAMILTON OLIVEIRA BITTENCOURT JÚNIOR1
HELENA DA SILVA PORFÍRIO
HELENA DE JESUS ALMEIDA
HELENIRA GOULARTE BRASIL DIAS
ISABEL SOARES CAMPOS
ISADORA MACHADO ALMEIDA
ISIS KARINAE SUAREZ PEREIRA
JACIANA MARLOVA GONCALVES ARAUJO
JOANNA MUNHOZ SEVAIO
JOCYANE RICELLY BARETTA
JULIA ROCHA CLASEN
JULIANE DE OLIVEIRA KRUGER
JULIANO GOMIDES DOMENEGUETI
LARISSA OSTERBERG DA CRUZ
LARISSA RICON VASCONCELOS
LETICIA GONCALVES BENEDUZE
LISLEY LEÃO DE JESUS
LOUISE PRADO ALFONSO3
LUCIANE RODRIGUES PEREIRA DALLMANN
LUIZ AUGUSTO FONSECA DUARTE JUNIOR
LUIZ PHELLIPE SILVA DE LIMA
MARCELA DOS SANTOS DODE
MARIA DA GLORIA OLIVEIRA DO NASCIMENTO
MARIA MADALENA BORGES EVANGELISTA
MARINA MECABÔ
MARTA BONOW RODRIGUES
MARTHA RODRIGUES FERREIRA
MATEUS FERNANDES DA SILVA
MAYSA LUANA SILVA
MAÍRA DE MELLO SILVA
MELINA MONKS DA SILVEIRA
MELINA MONKS DA SILVEIRA
Maria Helena Ribeiro Maeda
NATHALIA KETLEN DIAS OLIVEIRA
NEWAN ACACIO OLIVEIRA DE SOUZA
NICOLE WEBER BENEMANN
OTÁVIO AMARAL DA SILVA CORRÊA
PAOLA DOMINGUES FERNANDES
PATRÍCIA SANTOS DA ROSA
PAULO ROBERTO BRUM DE FREITAS
RENATA DUARTE
RICHARD LEAL FREIESLEBEN
SHIRLEY TERRA LARA DOS SANTOS
SIMONE FERNANDES MATHIAS
SIMONE FERNANDES MATHIAS
SUSANA DOS SANTOS DODE
SÉRGIO BOTTON BARCELLOS
TÂNIZE MACHADO GARCIA
VAGNER BARRETO RODRIGUES
VANESSA AVILA COSTA
VERIDIANA MACHADO ROSA OLIVEIRA
WAGNER FERREIRA PREVITALI
YASMIN ACOSTA DA SILVA
YURI ZIVAGO YUNG GRILLO
ÉRIC SILVEIRA BATISTA BARRETO
ÍCARO VASQUES INCHAUSPE

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