Nome do Projeto
UTILIZAÇÃO DE AROMATERAPIA NA RECUPERAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES MANTIDOS NO NURFS-CETAS/UFPEL: UMA ESTRATÉGIA PARA REDUÇÃO DE ESTRESSE, TEMPO DE TRATAMENTO, PERMANÊNCIA E CUSTOS.
Ênfase
Ensino
Data inicial - Data final
10/01/2023 - 14/12/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Resumo
O presente projeto tem por finalidade introduzir a adoção de aromaterapia no atendimento de animais silvestres mantidos no NURFS-CETAS/UFPEL que permaneçam em tratamento veterinário ou apenas reabilitativo. Serão investidas ações de enriquecimento ambiental sensorial - olfativo (ervas aromáticas, perfumes, odores de outros animais e óleos essenciais) nos recintos de maior tempo de permanência dos animais; objetivando melhorar o bem-estar animal, reduzir o tempo de tratamento, permanência e custos das reabilitações. Os resultados serão divulgados em congressos e similares, e periódicos com corpo editorial.

Objetivo Geral

Introduzir a adoção de enriquecimento ambiental sensorial - olfativo (ervas aromáticas, odores de outros animais e óleos essenciais) nos recintos de maior tempo de permanência dos animais, no atendimento de animais silvestres mantidos no NURFS-CETAS que permaneçam em tratamento veterinário ou apenas reabilitativo, objetivando melhorar o bem-estar animal, reduzir o tempo de tratamento, permanência e custos das reabilitações.

Justificativa

Os animais silvestres e exóticos atendidos pelo Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (NURFS) - Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) da UFPEL, após passarem por exames de triagem, normalmente são encaminhados para os setores de tratamento e/ou reabilitação. Para tanto, são mantidos em instalações apropriadas ou viveiros coletivos; buscando homeostasia de seus organismos e, consequentemente, seu bem-estar.
Quando os animais não necessitam de tratamento de saúde, permanecem em cativeiro por períodos relativamente curtos, seguidos de soltura em ambiente apropriado. Já quando são verificadas condições de saúde alteradas e/ou lesões, são adotados protocolos de tratamento veterinário de acordo com o diagnóstico/caso clínico, por onde permanecem nas instalações até reestabelecerem-se e serem encaminhados para soltura. Este último grupo permanece em média um mês em tratamento (BEANES et al, 2021), mas existe uma parcela de animais que necessita ser alojada por longos períodos; chegando alguns a serem considerados permanentes, uma vez que nunca alcançam condições de sobrevivência e soltura em vida natural. Enquanto perduram nas instalações no NURFS-CETAS, são ofertadas as melhores condições possíveis para proporcionar o bem-estar animal, inclusive com algumas categorias de enriquecimento ambiental; ainda assim ocorrem demonstrações de bem-estar comprometido, verificados pela presença de comportamentos anormais ou estereotipias, como ações repetitivas realizadas sem motivo aparente e automutilação, mas que em última instância revelam uma resposta estressora.
Na rota fisiológica da condição estressante de um animal, seu centro hipotálamo-hipofisário aciona a produção de volumes maiores que os normais de corticotrofinas, culminando na liberação de níveis elevados de cortisol pela região cortical das adrenais. O hormônio do estresse cortisol, em altas taxas, dentre outros caminhos, reflete-se em hiperglicemia, o que reprime ou dificulta processos cicatriciais nos tecidos por ocasionar vasoconstrição periférica e redução da disponibilidade de oxigênio e nutrientes nestes. Embora a resposta fisiológica do organismo ao estresse ambiental seja vista como útil e adaptativa, por priorizar a sobrevivência do animal em perigo, a ativação crônica de mecanismos estressores pode causar vários danos à saúde animal, como a atrofia e fadiga tecidual, uma vez que a glicose é constantemente mobilizada ao invés de armazenada. SAPOLSKY (1990) já registrava que as consequências do adiamento indefinidamente dos processos construtivos causados por uma situação estressora são: o comprometimento do crescimento e da reparação dos tecidos, redução da fertilidade, diminuição da função imunológica, e aumento da suscetibilidade a úlceras pépticas.
Adicionalmente, é importante ressaltar que quadros de hiperglicemia crônica acarretam lesão de células nervosas, levando os indivíduos muitas vezes perderem a sensibilidade periférica. Paralelamente, uma alta glicemia circulante causa também o bloqueio ou a diminuição da circulação sanguínea periférica, podendo prejudicar o funcionamento do sistema imunológico, pela menor atividade leucocitária nesses quadros. Estudos mostram ainda que a hiperglicemia acarreta a elevação da produção de substâncias químicas altamente reativas, denominadas espécies reativas do oxigênio (ERO), como radicais livres, provocando aumento significativo de apoptose celular e morte celular precoce de células restauradoras dos tecidos, o que leva a uma cicatrização inadequada ou prolongada (WEIDINGER & KOZLOV, 2015). Agravam-se às informações citadas anteriormente o fato de que, ocorrendo microrganismos patogênicos nas lesões cutâneas de indivíduos hiperglicêmicos, estes patógenos terão quantidades extra de glicose disponíveis, facilitando ainda mais sua proliferação, e levando à formação de úlceras graves e até mesmo amputações (LIDIA, 2020).
Na busca da reduzir as consequências do estresse e melhorar ainda mais o bem-estar dos animais enquanto permanecem nas instalações, MIRANDA (2012) registra que enriquecimento ambiental vem sendo adotado para garantir melhor qualidade de vida a animais que vivem em instituições como zoológicos, centros de pesquisa, criadouros, fazendas e para animais domésticos; uma vez que ele estimula o animal à atividade em seu recinto, exibindo maior diversidade comportamental. Desta forma, o enriquecimento ambiental é o princípio do manejo animal que busca elevar a qualidade de vida de animais que vivem em cativeiro através da identificação e provisão de estímulos ambientais necessários para um bom nível de bem-estar físico e psicológico (SHEPHERDSON, 1998).
Para o enriquecimento ambiental, busca-se introduzir nos recintos estímulos que simulem situações que o animal encontraria na natureza, mesmo que estes estímulos sejam artificiais. As categorias de enriquecimento ambiental são cinco: Físico, Social, Sensorial, Cognitivo e Alimentar (GARCIA & BERNAL, 2015; PEREIRA et al., 2015); e na categoria sensorial MIRANDA (2012) sugere trilhas de cheiro, como estímulos olfativos, permanecendo por três a quatro dias nas instalações. Independentemente se adotado uma ou mais categorias, deve seguir-se um programa de enriquecimento ambiental para a espécie envolvida, acompanhado de observações comportamentais antes, durante e após as intervenções introduzidas, objetivando mensurar os comportamentos apresentados em cada etapa.
Na estimativa da condição estressante ou bem-estar comprometido em animais em cativeiro, podem ser usados tanto parâmetros comportamentais - como o etograma -, quanto fisiológicos - como níveis de hormônios corticosteroides. Alternativamente, pode-se usar a taxa de glicemia como indicador dos níveis de corticosteroides, uma vez que todos os hormônios ligados ao estresse causam hiperglicemia (FAULENBACH et al., 2012; KHANI & TAYEK, 2001; SANCINI et al., 2017). De toda a forma, a medição de parâmetros fisiológicos deve ser estabelecida tomando o animal em si como padrão ouro, mas nem sempre é adotada para avaliação do enriquecimento ambiental, uma vez que a coleta sanguínea por si só já é um fator estressante aos animais, como registrado por REINHARDT et al. (1991).
No mesmo sentido, MÖSTL & PALME (2002) sugerem para validar técnicas de enriquecimento ambiental, a adoção da titulação de hormônios corticosteroides associados ao estresse; os quais podem ser medidos no sangue, saliva, fezes, urina ou pelos, sendo que as últimas quatro fontes de material são preferíveis, por não serem invasivas e possibilitarem coletas sucessivas sem que haja interferência do processo de obtenção da amostra (MOREIRA ET AL., 2007; TOUMA et al., 2004, TOUMA & PALME, 2005; SCHWARZENBERGER, 2007). Para a titulação da glicemia sanguínea, a coleta de sangue por venopunção pode ser substituída pela utilização de glicosímetros, especialmente frente à rapidez de coleta e correlação aos níveis sanguíneos desse parâmetro (ALEIXO et al., 2010; CORRÊA NETO, 2015; PICA et al., 2003), além da redução de possibilidade de estresse nos animais.
Nos casos em que os animais necessitam tratamento veterinário, os procedimentos adotados no NURFS-CETAS baseiam-se quase sempre na medicina veterinária convencional, uma vez que na academia formal é quase incipiente a utilização de terapias médicas veterinárias integrativas e complementares, como por exemplo aromaterapia. Apesar de alcançarem sucesso na maioria das vezes apenas com aplicação de terapêutica convencional, ocorrem casos em que o tempo de regeneração tecidual dos animais é muito longo; atribuídos normalmente à condição de bem-estar comprometido ou estressado, o que inicia um ciclo vicioso de longínqua recuperação versus permanência, e aumentando também o custo financeiro para a restauração destes casos. Já o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul não se omite quanto à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde – PNPIC (BRASIL, 2006a; 2006b; 2012); pois registra que as Terapias Integrativas não substituem o tratamento tradicional, mas devem ser aplicadas de forma complementar a este; com atuação multidisciplinar e buscando trabalhar em prol do bem-estar, qualidade de vida e produtividade das diferentes espécies, sejam animais de companhia, de produção ou silvestres (CRMV-RS, 2019).
Diante dos registros acima, o presente projeto propõe a utilização de enriquecimento ambiental sensorial - olfativo (ervas aromáticas, odores de outros animais) dentro dos recintos e viveiros de maior tempo de permanência dos animais silvestres atendidos no NURFS-CETAS que permaneçam em tratamento veterinário eu apenas reabilitativo.

Metodologia

Serão utilizados animais pertencentes à fauna silvestre brasileira atendidos pelo Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (NURFS) - Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) da UFPEL. Os animais que serão submetidos à aromaterapia serão os casos indicados pelo corpo técnico do NURFS (médicos veterinários e biólogos), em especial os que apresentem alterações comportamentais de estereotipias, automutilação, permanência de longo curso.
O "n" da amostra irá variar em função da casuística atendida pelo NURFS-CETAS/UFPEL, sendo em geral, analisados dados não paramétricos e observada a tendência internacional de redução da amostragem e sua racionalização em especial, no presente caso, que trata de animais sob proteção federal.
O comportamento associado ao bem-estar será registrado pelo etograma dos animais, antes, durante a após a aplicação das estratégias de enriquecimento ambiental sensorial, e quando for possível, será realizada a dosagem da glicose por glicosímetro. Serão coletados dados de temperatura e umidade do ar junto aos de comportamento animal, como parâmetros de conforto ambiental para os animais.
Ao longo de presente projeto de ensino, os alunos executarão sete fases das seguintes ações: (1) discussão e seleção de casos; (2) análise das instalações a serem adicionadas nas estratégias de enriquecimento ambiental sensorial; (3) seleção e preparo das estratégias de enriquecimento ambiental sensorial aplicadas; (4) construção do etograma; (5) tabulação dos dados coletados no etograma. Ao final das sete fases, os acadêmicos participantes terão executado ações de ensino e pesquisa, discussões e tomadas de decisões baseadas em evidências científicas, por onde estarão aptos a apresentarem os resultados em eventos científicos para publicizar estes.

Indicadores, Metas e Resultados

Os indicadores serão os registros de comportamento, peso, glicemia, registros dos medicamentos veterinários utilizados, bem como procedimentos tradicionais adotados em cada caso. Também serão coletados os registros de alimentos ofertados aos animais e sua aceitação ou não.
As metas e resultados esperados são:
(a) redução da ocorrência de comportamentos alterados como estereotipias, ações repetitivas realizadas sem motivo aparente e automutilação, após a introdução de estratégias de enriquecimento ambiental sensorial.
(b) redução do tempo de tratamento e permanência dos animais.
(d) redução dos custos em decorrência da permanência reduzida no local.
(e) aprendizado dos acadêmicos participantes quanto a aplicação de enriquecimento ambiental sensorial olfatório em animais silvestres.

Os resultados obtidos serão encaminhados para serem adotados como Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) do NURFS/CETAS-UFPel.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA PAULA NUNES110
GABRIELLY AMARAL CESPEDES FIORAVANTI
GREICI MAIA BEHLING30
HUBERT LUIS URCHNJAK HEPP
LARA SILVA DE PAULA
LUIZ FERNANDO MINELLO23
MARCO ANTONIO AFONSO COIMBRA43
PAULO MOTA BANDARRA46
RAQUELI TERESINHA FRANCA45
VITÓRIA MANKE NACHTIGALL

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