Nome do Projeto
Técnicas Básicas de Aquarela
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
27/03/2018 - 31/01/2021
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Linguística, Letras e Artes
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Cultura
Linha de Extensão
Artes visuais
Resumo
O projeto de extensão Técnicas Básicas de Aquarela existe desde 2009 e é um curso ofertado, geralmente, uma vez no primeiro e segundo semestres do ano letivo para 40s horas com 10 encontros (ou alternativamente, como curso de cinco encontros e 20 horas). O curso ensina, como seu nome implica, as técnicas mais básicas desta técnica tradicional da pintura utilizado para criar obras e como esboços para outras técnicas na história da arte. O ministrante aluno ensina o curso sobre técnicas, tais como: A técnica úmida e a técnica seca, modos de usar o pincel, sobre materiais e as tintas, como fazer as tintas artesanalmente com pigmentos, como misturar as cores por meio da sobreposição, manchas e "fusão" das cores, bem como há apresentações técnicas sobre artistas da história da arte e da arte contemporânea. Portanto, mesmo que as pessoas que frequentam o curso não continuam a pintura, elas podem apreciar a aquarela, por ter conhecimento maior e capacidade de perceber quando a aquarela está sendo aplicado numa pintura ou estudo. Quando comecei a dar este curso no inicio de 2010, havia notado a falta de pessoas em Pelotas trabalhando com aquarela e até a falta de materiais. Hoje é notável que há maior visibilidade da aquarela e interesse em trabalhar com a técnica que, em parte, é em função deste curso e muitas pessoas atingidas que, depois de aprender modos de pintar que são muito simples, podem ganhar certa autonomia para continuar a pintura sozinhos. O curso foi importante também para alunos do curso de Bacharelado e Licenciatura e já formamos alunos do Centro de Artes que realizaram seus Trabalhos de Conclusão de Curso com a Aquarela e continuaram trabalhar com aquarela profissionalmente nas áreas de arte contemporânea e design gráfico. Há muito procura do curso pelos alunos do Centro de Artes, bem como do publico em geral, inclusive atraindo pessoas de uma faixa etária bem larga, entre 12 anos e 80 anos.

Objetivo Geral

Oferecer para o público em geral um curso de técnicas básicas de aquarela com o objetivo de ensinar a
técnica e permitir que os alunos, posteriormente, possam continuar a explorar sua potência poética e
visual. Formar um público capaz de reconhecer e apreciar pinturas e obras que utilizam esta técnica,
tanto no contexto histórico, quanto na arte contemporânea. Conscientizar que o uso da aquarela
não se reduz à técnica em si, mas implica escolhas significantes do artista durante a elaboração poética de
uma proposta de arte.

Justificativa

Durante o primeiro ano de oferta do curso de Técnicas Básicas de Aquarela em 2010 como professora do DAV/IAD/UFPEL (hoje Centro de Artes), percebi o grande interesse de várias pessoas em aprender a técnica de aquarela, tanto alunos de graduação, como de design, bem como pessoas do publico em geral, incluindo muitas pessoas da faixa etária de aposentado. Atualmente, não existe uma disciplina específica no curso regular do Centro de Artes para ensinar esta técnica. A aquarela é uma técnica líquida, por vezes, incontrolável. Sua categoria é incerta, pois, possui qualidades visuais de pintura e desenho. Historicamente, como o desenho, a aquarela foi uma
técnica menosprezada em termos de seu valor como “obra” nas tradições da arte acadêmica europeia, pois, a aquarela
servia para esboços e estudos, mas não como técnica da obra acabada, até o Modernismo. A aquarela é uma técnica que se adéqua às propostas específicas de artistas contemporâneos brasileiros e estrangeiros que escolhem este material e técnica por razões conceituais, devido às suas qualidades expressivas e materialidade única. Seu valor, como “obra” mudou de estatuto no Modernismo (em Wassily Kandinsky, Paul Klee, Georigia O’Keeffe para mencionar alguns dos artistas modernas que são apresentados durante o curso. Aquarela, historicamente, é muito importante no Brasil para a Missão
Francesa de 1822 e os artistas viajantes, que fazem os primeiros registros da flora e fauna, bem como imagens das práticas e costumes dos inhabitantes primeiros desta terra e ilustraram suas paisagens em cadernos de viajante, depois, vendidos na Europa. Por exemplo, o pintor francês Jean Baptiste Debret que utilizou a aquarela para registrar, classificar e mapear os lugares, criando uma narrativa costumbrista deste país em fase colonial, porém do ponto de vista estrangeiro e idealizado. Diante deste pano de fundo podemos entender algumas propostas contemporâneas de
artistas atuais que se apropriam destas referências e modos de utilizar a aquarela, como, por exemplo, o artista brasileiro, Walmor Corrêa, artista de destaque no MARGS durante o Bienal do MERCOSUL de 2009, residente de Porto Alegre que, de certa forma, continua herança dos artistas viajantes, mas com outro olhar, levantando questões sobre as práticas brasileiras, suas crenças, mitologias e ficções. Outros artistas da arte contemporânea criam imagens com aquarela para abordar questões de gênero (Tim Gardner) ou que usa a aquarela e o nanquim aguada para denunciar as consequencias políticas desastrosas e a opressão humana na era pós-colonial da África (Marlene Dumas, Wanghechi Mutu), para revisar a história da ilustração de figuras estereotipadas de mulheres negras (Negress Diaries, Kara Walker). Portanto, ensinar esta técnica pode ser, através do curso, mostrar também sua importância para poéticas visuais de qualidade e sua importância no debate e visibilidade de questões relevantes para nossa contemporaneidade. Ensinar esta técnica poderia ser importante para alunos da UFPel, aos quais serão dadas as ferramentas para continuar a investigar as possibilidades poéticas e visuais da aquarela e aprender bastante para ter sua própria autonomia para atuar, posteriormente, nas áreas profissionais de sua preferência: na ilustração, na arquitetura ou na arte contemporânea, design gráfica e cinema de animação. O curso, no entanto, é oferecido para o público em geral e, para este público, oferecemos a possibilidade de aprender uma técnica gratuitamente que poucas vezes é ensinada em Pelotas e também a oportunidade de apreciar as obras de artistas importantes que trabalham com este meio.

Metodologia

Metodologia:
O curso de técnicas básicas de aquarela será ministrado no primeiro e segundo semestre durante o ano letivo em cursos de 40 com 10 encontros (ou 20 horas com cinco encontros). Os alunos utilizarão materiais simples (bloco de papel canson gramatura 200 mg², tintas de aquarela, pinceis, água, panos, etc.) O curso terá pelo menos um ministrante alunos, ou dois alunos ministrantes (geralmente um voluntário e um bolsista, ou dois bolsistas, um sendo em condição de vulnerabilidade). Em cada dia, serão apresentadas algumas explicações técnicas sobre os materiais. Os alunos devem fornecer seus próprios materiais, especialmente de papel. O curso disponibiliza pranchas e temos muitos pinceis e tinta para uso de quem não tiver condições de comprar todos os materiais necessários (papeis podem ser também reaproveitados de outras aulas) .
Em cada encontro, será desenvolvida a metodologia: 1º parte 30
minutos de apresentação de obras expressivas de aquarela da história de arte até a arte contemporânea usando livros ou apresentações de data show. 2º parte da aula é de 3
a 3,5 horas de experimentação com técnicas e exercícios específicos 3º parte No final de cada aula (15 a 30 minutos) é para falar com alunos sobre suas preferências em termos de temáticas para pintar e também para avaliar o curso e o que pode ser modificado de acordo com o grupo de participantes.
Os trabalhos produzidos durante o curso tem objetivo de ensinar certas técnicas. O ministrante observa e ajuda cada aluno individualmente experimentar ou com dificuldades de misturar, diluir, criar manchas e misturar cores. Também é bem flexível em termos de modificar as aulas de acordo com as intenções, desejos e necessidades dos participantes.
Primeiro dia do curso:
Amostra de materiais básicos, tais como: o godê, pincéis, pinceladas básicas, papel para aquarela, preparação do papel e da área de trabalho, experimentação com a diluição e algumas experiências simples de manchar e prática com pinceis e tintas.
Em aulas posteriores, serão mostrados: a técnica seca, a técnica úmida, marcação de zonas secas no papel, contornos bem delineados e não delineados, misturas de cores no godê, diluição de tintas no godê, a aguada, o dégradé com aquarela, pintura de uma zona de cor chapada ou lisa; uso da força da gravidade e a inclinação da prancha, tipos de mistura no papel usando a fusão de cores; mistura por sobreposição transparente (molhado sobre seco), a cor branca na aquarela, cores saturadas e cores muito diluídas, manchar, processo de pintar e secagem, conceituação de transparência visual e material, prática com pinceladas da aquarela ocidental e oriental, como retirar a cor do papel, a disposição e acumulação de pinceladas, o uso de pinceladas como signos visuais (marcas repetidas, símbolos), modos de representar usando a aquarela, a percepção do espaço positivo e negativo na representação figurativa (i.e. usando modelos de observação de flores, natureza morta, etc.); marcação de zonas claras ou brancas no papel branco, aprender fabricar aquarela artesanalmente, etc.
Leituras e vídeos são disponibilizadas em pdf gratuitamente pela página de Facebook: https://www.facebook.com/groups/658137144198206/files/

Em outros dias: Sempre consistem em praticar uma técnica com exercícios específicos para ganhar experiência com as técnicas na lista acima.
Depois dos exercícios, geralmente trabalhamos com uma composição, escolhida pelos participantes que pode ser, por exemplo:
- aquarela e modos de representar figuras, flores, natureza mortas, (com modelos em sala de aula ou ao ar livre se o clima permite)
- A releitura de obras de aquarela modernas de artistas, tais como Georgia O’Keeffe, Kandinsky, Paul Klee, Mondrian.
- representação com Aquarela com modelo vivo para trabalhar com a figura humana ou a partir de fotografias.
- Propostas de aquarela e a composição abstrata (Kandinsky).
- aquarela na arte contemporânea: paisagem contemporânea e paisagem urbana. (Se o tempo permite, o grupo caminha e escolhe um lugar para pintar ao ar livre (quando clima permite e quando o curso for de manhã e não de tardizinho).
-representação com aquarela e retratos
-representação com aquarela e paisagem
- representação de formas orgânicas como conchas e plantas
- a aquarela e procedimentos que incorporam as leis do acaso
- experimentação com técnicas alternativas, areia, sopro de bolinhos, sal, etc.
- Outras composições serão escolhidas a partir da discussão na final ou durante cada aula com os participantes, que frequentemente preferem trazer suas próprias imagens que querem desenvolver.
A avaliação do curso será feito a partir de discussões ao longo do curso e numa conversa mais específica durante a última aula.

Veja a bibliografia em "outras informações".


Indicadores, Metas e Resultados

O curso de aquarela tem meta de alcançar, cada vez oferecido, 25 participantes do publico em geral e alunos, particularmente do Curso de Bacharelado e Artes Visuais e da Licenciatura em Artes Visuais. Com a ajuda de um ministrante experiente, podemos capacitar mais pessoas para trabalhar com aquarela para fins profissionais e para seu proprio lazer. Espera-se que as pessoas que frequentam o curso tambem ganham maior capacidade para perceber e distinguir o uso desta técnica quando for usada na obra de arte.
Outros resultados incluem a influência deste curso na pesquisa de Trabalhos de Conclusão de Curso para alunos do Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais. A participação de ministrantes deste curso no Programa de Extensão Arte, Inclusao e Cidadania da coorda. Nadia Senna. A possibilidade de fazer uma exposição dos trabalhos que resultam do curso. Tambem outros resultados anteriores e metas atuais são publicações e orientações de alunos que querem trabalhar com a técnica, e suas produções academicas e artisticas que sao mostradas pela historia do curso (no sistema SIEX) e a produção dos bolsistas PROBEC que ministraram o curso anterioremente e as quais participaram varias vezes no CIC-UFPel, no SImposio de Gênero, Arte e Memoria do CA/UFPel, no MPU da FURG e no Seminario Internacional Ensino da Arte vinculado ao Mestrado do Centro de Artes da UFPel (Tenho 21 participações registrados no meu lattes, veja "outras informações".

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALICE JEAN MONSELL2
Felipe Foerstnow Szczepaniak
Maiara Borraz de Ávila

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