Nome do Projeto
A educação matemática e sua interface com a etnomatemática: Diálogos Transdisciplinares sobre Formação docente, Subjetividades e Infâncias
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
05/06/2026 - 15/12/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
Este projeto de pesquisa, de natureza transdisciplinar, propõe uma investigação aprofundada sobre as interfaces entre a Educação Matemática e a Etnomatemática, tomando como eixo central a produção de novos sentidos para o ensino e a profissionalização docente. A proposta emerge da necessidade de tencionar as racionalidades monológicas que historicamente fundamentam a formação dos professores de matemática, buscando substituir modelos unilaterais e monoculturais por um diálogo ético e interdisciplinar entre a interculturalidade, a filosofia da diferença e as realidades socioculturais locais. O objetivo geral consiste em analisar as interfaces entre a Educação Matemática e a Etnomatemática, sob uma perspectiva transdisciplinar, para compreender como as políticas de formação docente, os processos de subjetivação de professores e as práticas culturais nas infâncias se articulam ou incidem na produção de novos sentidos para o ensino e a profissionalização docente. A fundamentação teórica é estruturada a partir de uma tríade epistemológica rigorosa. Primeiramente, ancora-se na fenomenologia da educação matemática de Maria Aparecida Viggiani Bicudo, que interroga o sentido do fazer científico e do formar-se professor. Em segundo lugar, utiliza a Etnomatemática de Ubiratan D’Ambrosio como postura política e antropológica que reconhece a pluralidade de gentes e saberes. Por fim, dialoga com a Filosofia da Diferença e o conceito de escrileituras, buscando compreender a docência como um acontecimento e um processo de subjetivação constante. Metodologicamente, a pesquisa é organizada em três ações complementares que se integram por meio da triangulação transdisciplinar de dados. A primeira ação, foca na dimensão macroestrutural, realizando uma análise documental dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de Licenciaturas em Matemática. O intuito é mapear como as políticas de internacionalização e interculturalidade incidem na reestruturação dos currículos e na identidade dos cursos. A segunda ação, dedica-se à dimensão subjetiva, utilizando a cartografia para acompanhar o tornar-se professor. Por meio de oficinas de escrileituras, busca-se desestabilizar representações tradicionais da matemática e fomentar a invenção docente. A terceira ação, investiga o campo das infâncias e dos espaços de aprendizagem não formais. Sob a ótica da sociologia da infância e da história, esta frente identifica práticas etnomatemáticas emergentes em contextos culturais diversos, valorizando os saberes produzidos pelas crianças à margem do currículo oficial. A coleta de dados prevê o uso de múltiplos instrumentos, como matrizes de categorização documental, diários cartográficos de bordo, registros audiovisuais e protocolos de escuta sensível. A análise dos dados será orientada pela busca da "essência do fenômeno", permitindo que os achados das três frentes retroalimentem a reflexão sobre a educação superior e os modelos formativos dos futuros profissionais docentes. Espera-se que os resultados contribuam significativamente para a reestruturação de modelos formativos nas IES, consolidando práticas pedagógicas decoloniais e fortalecendo a linha de pesquisa em formação de professores no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática (PPGEMAT/UFPel).
Objetivo Geral
Analisar as interfaces entre a Educação Matemática e a Etnomatemática, sob uma perspectiva transdisciplinar, para compreender como as políticas de formação docente, os processos de subjetivação de professores e as práticas culturais nas infâncias se articulam ou incidem na produção de novos sentidos para o ensino e a profissionalização docente.
Justificativa
A presente proposta de investigação emerge da necessidade de tencionar as racionalidades hegemônicas que historicamente sustentam o ensino de matemática e a formação de professores que ensinam matemática, propondo, em seu lugar, um diálogo transdisciplinar entre a Etnomatemática, a Interculturalidade e a Filosofia da Diferença. O projeto se justifica pela urgência em compreender como os formatos de formação docente e as práticas pedagógicas podem responder aos desafios de uma sociedade plural, reconhecendo que o saber matemático não é uma entidade universal e abstrata, mas um fenômeno humano, cultural e historicamente situado.
Do ponto de vista acadêmico, o projeto preenche uma lacuna importante ao articular a Fenomenologia e a História e Filosofia da Ciência (HFC), sob a perspectiva de Maria Aparecida Viggiani Bicudo, com os fundamentos da Etnomatemática propostos por Ubiratan D'Ambrosio. Essa articulação permite interrogar o "sentido" da formação docente, indo além da técnica didática para alcançar a dimensão do "acontecimento" educativo. A originalidade reside na integração de conceitos como as "escrileituras" e a "cartografia da diferença" (deleuziana) ao campo da Educação Matemática, permitindo mapear como os professores subjetivam o conhecimento e criam práticas educativas autorais que rompem com modelos coloniais de ensino.
Socialmente, a pesquisa responde ao compromisso ético de promover uma educação matemática inclusiva e decolonial na formação dos futuros professores que ensinam matemática. Ao investigar as culturas das infâncias e os saberes produzidos em espaços não formais, o projeto valoriza conhecimentos de matrizes muitas vezes silenciadas pelo currículo tradicional. Isso incide diretamente na garantia de direitos e no reconhecimento da diversidade sociocultural das crianças e jovens, fortalecendo uma escola que não apenas ensina a contar, mas que aprende com as múltiplas formas de ler e traduzir o mundo através da matemática. A inclusão da perspectiva intercultural assegura que o ensino superior e a educação básica dialoguem com as realidades locais e globais de forma ética e equânime integrando saberes próprios e oriundos dos distintos mundos.
Para o Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática (PPGEMAT-UFPel), este projeto consolida uma linha de pesquisa robusta e transdisciplinar. Sua importância para o programa manifesta-se em três frentes:
- Produção de Conhecimento: Fomenta a produção de dissertações e teses que cruzam a filosofia, a história e a sociologia com a educação matemática e a formação de professores que ensinam matemática, elevando o nível do debate epistemológico no programa.
- Internacionalização e Redes: Alinhado às ações de internacionalização, o projeto projeta o PPGEMAT como um polo de discussão sobre Etnomatemática e formação docente na América Latina, atraindo parcerias interinstitucionais. Parcerias para 2026 com a Universidad Nacional de Río Cuarto, República Argentina já em andamento, estreitamento das relações com pesquisadores do Mexico e Colômbia que discutem interclturalidade e formação docente.
- Formação de Pesquisadores: Ao envolver docentes com especialidades distintas (Políticas, Filosofia, História e Infâncias), oferece aos mestrandos e doutorandos um ambiente de orientação múltiplo e integrado, essencial para a formação de pesquisadores capazes de lidar com a complexidade dos cenários educativos contemporâneos.
- Estudo epistêmico-metodológico: Ao articular a Etnomatemática de Ubiratan D'Ambrosio com a Fenomenologia e a História e Filosofia da Ciência de Maria Aparecida Viggiani Bicudo, busca-se oferecer aos mestrandos e doutorandos um arcabouço epistemológico que permita interrogar a natureza do conhecimento matemático como fenômeno humano e cultural. Este eixo atua como o suporte acadêmico-pedagógico do projeto e almeja ser abordado a partir de uma futura disciplina de estudos no PPGEMAT.
Em suma, o projeto não apenas investiga a interface entre Educação Matemática e Etnomatemática, mas atua como um dispositivo de transformação da profissionalização docente, produzindo novos sentidos que incidem desde a estrutura dos currículos universitários até o espaço escolar e de vivência das infâncias.
Do ponto de vista acadêmico, o projeto preenche uma lacuna importante ao articular a Fenomenologia e a História e Filosofia da Ciência (HFC), sob a perspectiva de Maria Aparecida Viggiani Bicudo, com os fundamentos da Etnomatemática propostos por Ubiratan D'Ambrosio. Essa articulação permite interrogar o "sentido" da formação docente, indo além da técnica didática para alcançar a dimensão do "acontecimento" educativo. A originalidade reside na integração de conceitos como as "escrileituras" e a "cartografia da diferença" (deleuziana) ao campo da Educação Matemática, permitindo mapear como os professores subjetivam o conhecimento e criam práticas educativas autorais que rompem com modelos coloniais de ensino.
Socialmente, a pesquisa responde ao compromisso ético de promover uma educação matemática inclusiva e decolonial na formação dos futuros professores que ensinam matemática. Ao investigar as culturas das infâncias e os saberes produzidos em espaços não formais, o projeto valoriza conhecimentos de matrizes muitas vezes silenciadas pelo currículo tradicional. Isso incide diretamente na garantia de direitos e no reconhecimento da diversidade sociocultural das crianças e jovens, fortalecendo uma escola que não apenas ensina a contar, mas que aprende com as múltiplas formas de ler e traduzir o mundo através da matemática. A inclusão da perspectiva intercultural assegura que o ensino superior e a educação básica dialoguem com as realidades locais e globais de forma ética e equânime integrando saberes próprios e oriundos dos distintos mundos.
Para o Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática (PPGEMAT-UFPel), este projeto consolida uma linha de pesquisa robusta e transdisciplinar. Sua importância para o programa manifesta-se em três frentes:
- Produção de Conhecimento: Fomenta a produção de dissertações e teses que cruzam a filosofia, a história e a sociologia com a educação matemática e a formação de professores que ensinam matemática, elevando o nível do debate epistemológico no programa.
- Internacionalização e Redes: Alinhado às ações de internacionalização, o projeto projeta o PPGEMAT como um polo de discussão sobre Etnomatemática e formação docente na América Latina, atraindo parcerias interinstitucionais. Parcerias para 2026 com a Universidad Nacional de Río Cuarto, República Argentina já em andamento, estreitamento das relações com pesquisadores do Mexico e Colômbia que discutem interclturalidade e formação docente.
- Formação de Pesquisadores: Ao envolver docentes com especialidades distintas (Políticas, Filosofia, História e Infâncias), oferece aos mestrandos e doutorandos um ambiente de orientação múltiplo e integrado, essencial para a formação de pesquisadores capazes de lidar com a complexidade dos cenários educativos contemporâneos.
- Estudo epistêmico-metodológico: Ao articular a Etnomatemática de Ubiratan D'Ambrosio com a Fenomenologia e a História e Filosofia da Ciência de Maria Aparecida Viggiani Bicudo, busca-se oferecer aos mestrandos e doutorandos um arcabouço epistemológico que permita interrogar a natureza do conhecimento matemático como fenômeno humano e cultural. Este eixo atua como o suporte acadêmico-pedagógico do projeto e almeja ser abordado a partir de uma futura disciplina de estudos no PPGEMAT.
Em suma, o projeto não apenas investiga a interface entre Educação Matemática e Etnomatemática, mas atua como um dispositivo de transformação da profissionalização docente, produzindo novos sentidos que incidem desde a estrutura dos currículos universitários até o espaço escolar e de vivência das infâncias.
Metodologia
A metodologia geral do projeto será exercida na perspectiva de Triangulação de Métodos e Perspectivas adotando uma abordagem qualitativa e transdisciplinar, fundamentada na fenomenologia da educação matemática (Bicudo) e na postura política da Etnomatemática (D'Ambrosio). A metodologia é organizada através de um movimento de "vai e vem" entre a análise documental, a cartografia de processos subjetivos e a imersão em espaços educativos formais e não formais. Utilizaremos a triangulação de dados para articular os achados das três frentes de trabalho, permitindo que os diagnósticos estruturais (políticas) dialoguem com as experiências vividas pelos sujeitos (docentes e crianças). Este exercício final não busca apenas o cruzamento de resultados, mas o diálogo ético entre os diagnósticos estruturais (formatos), os fluxos subjetivos (sujeitos) e as realidades culturais (campos). Tal integração permite que o projeto produza um conhecimento complexo, capaz de incidir sobre a profissionalização docente de forma a integrar as dimensões da história, da filosofia da ciência e da alteridade sociocultural.
Indicadores, Metas e Resultados
1. Indicadores de Acompanhamento
Os indicadores são as "réguas" que medirão o sucesso do projeto ao longo do cronograma.
Indicador de Produção Científica: Número de artigos submetidos/publicados e trabalhos apresentados em eventos (ENEM, CIAEM, SIPEM).
Indicador de Formação: Número de orientações (Mestrado e Doutorado) e de bolsistas de Iniciação Científica vinculados às três ações.
Indicador de Impacto Extensionista: Quantidade de professores e licenciandos participantes das oficinas de "escrileituras" e ações em espaços não formais.
Indicador de Transdisciplinaridade: Frequência de seminários integradores realizados entre as equipes das Profas. Richéle, Denise, Josimara e Hardalla.
2. Metas do Projeto
As metas são os marcos concretos que pretendemos atingir até o final da execução (dezembro de 2027).
Meta 1 (Ação 1): Realizar o mapeamento e a análise documental de pelo menos 10 Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de Licenciatura em Matemática de diferentes IES brasileiras e latino-americanas.
Meta 2 (Ação 2): Executar no mínimo 4 ciclos de oficinas de "escrileituras", envolvendo pelo menos 40 profissionais entre docentes da rede pública e acadêmicos.
Meta 3 (Ação 3): Produzir um catálogo ou guia de práticas etnomatemáticas identificadas em contextos de infâncias e espaços não formais.
Meta 4 (Geral): Publicar, no mínimo, 3 artigos em periódicos de alto impacto (Qualis A1 ou A2) e organizar um livro ou coletânea digital que compile os resultados das três ações.
3. Resultados Esperados
Os resultados são as transformações que o projeto pretende imprimir na realidade acadêmica e social.
No âmbito Acadêmico (PPGEMAT): Consolidação da interface entre Filosofia da Diferença, Fenomenologia e Etnomatemática como uma linha de investigação robusta no programa, fortalecendo a nota de avaliação da CAPES.
No âmbito da Formação Docente: Produção de subsídios teóricos e práticos para que as IES possam reformular seus PPCs de Matemática, tornando-os mais interculturais e atentos às subjetividades dos professores.
No âmbito Social/Escolar: Promoção de uma visão de matemática menos excludente, que reconheça os saberes prévios das crianças e as culturas locais, reduzindo a "patologia social" do fracasso escolar em matemática.
No âmbito Institucional (UFPel): Fortalecimento dos grupos de pesquisa envolvidos e ampliação da rede de colaboração interinstitucional (nacional e internacional) através dos eixos de internacionalização.
Os indicadores são as "réguas" que medirão o sucesso do projeto ao longo do cronograma.
Indicador de Produção Científica: Número de artigos submetidos/publicados e trabalhos apresentados em eventos (ENEM, CIAEM, SIPEM).
Indicador de Formação: Número de orientações (Mestrado e Doutorado) e de bolsistas de Iniciação Científica vinculados às três ações.
Indicador de Impacto Extensionista: Quantidade de professores e licenciandos participantes das oficinas de "escrileituras" e ações em espaços não formais.
Indicador de Transdisciplinaridade: Frequência de seminários integradores realizados entre as equipes das Profas. Richéle, Denise, Josimara e Hardalla.
2. Metas do Projeto
As metas são os marcos concretos que pretendemos atingir até o final da execução (dezembro de 2027).
Meta 1 (Ação 1): Realizar o mapeamento e a análise documental de pelo menos 10 Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de Licenciatura em Matemática de diferentes IES brasileiras e latino-americanas.
Meta 2 (Ação 2): Executar no mínimo 4 ciclos de oficinas de "escrileituras", envolvendo pelo menos 40 profissionais entre docentes da rede pública e acadêmicos.
Meta 3 (Ação 3): Produzir um catálogo ou guia de práticas etnomatemáticas identificadas em contextos de infâncias e espaços não formais.
Meta 4 (Geral): Publicar, no mínimo, 3 artigos em periódicos de alto impacto (Qualis A1 ou A2) e organizar um livro ou coletânea digital que compile os resultados das três ações.
3. Resultados Esperados
Os resultados são as transformações que o projeto pretende imprimir na realidade acadêmica e social.
No âmbito Acadêmico (PPGEMAT): Consolidação da interface entre Filosofia da Diferença, Fenomenologia e Etnomatemática como uma linha de investigação robusta no programa, fortalecendo a nota de avaliação da CAPES.
No âmbito da Formação Docente: Produção de subsídios teóricos e práticos para que as IES possam reformular seus PPCs de Matemática, tornando-os mais interculturais e atentos às subjetividades dos professores.
No âmbito Social/Escolar: Promoção de uma visão de matemática menos excludente, que reconheça os saberes prévios das crianças e as culturas locais, reduzindo a "patologia social" do fracasso escolar em matemática.
No âmbito Institucional (UFPel): Fortalecimento dos grupos de pesquisa envolvidos e ampliação da rede de colaboração interinstitucional (nacional e internacional) através dos eixos de internacionalização.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| ARES OLIVEIRA GOULART | |||
| CRISTIANE DE OLIVEIRA NOBRE | |||
| DENISE NASCIMENTO SILVEIRA | 1 | ||
| HARDALLA SANTOS DO VALLE | 1 | ||
| JAQUELINE DE MATOS CORREA | |||
| JOSIMARA WIKBOLDT SCHWANTZ | 1 | ||
| RICHÉLE TIMM DOS PASSOS DA SILVA | 2 | ||
| RODRIGO OLIVEIRA MOREIRA | |||
| VANIA ESCALANT PEREIRA | |||
| VITOR SAQUETE RODRIGUES |