Nome do Projeto
REDE SOCIO-TÉCNICA DE GUARDIÕES DE SEMENTES CRIOULAS PARA AMPLIAÇÃO DA AGROBIODIVERSIDADE, SEGURANÇA E SOBERANIA ALIMENTAR
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
29/12/2017 - 18/12/2020
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Eixo Temático (Principal - Afim)
Tecnologia e Produção / Saúde
Linha de Extensão
Segurança alimentar e nutricional
Resumo
O projeto pretende contribuir para a ampliação do conhecimento científico e tecnológico do país na área de segurança alimentar abordando transversalmente a temática da conservação, ampliação e valorização da agrobiodiversidade, em especial as variedades crioulas e os processos de conservação realizados pelos agricultores guardiões em suas comunidades e organizações. O fortalecimento da rede sociotécnica dos guardiões de sementes crioulas considerado na dimensão internacional Brasil-Uruguai-Argentina e no território estadual do Rio Grande do Sul, compreende o elemento primordial na promoção de ações de intercâmbio de conhecimento integrando as dimensões do ensino, pesquisa e extensão. Além disto, está proposto um conjunto de ações direcionadas a apoiar e qualificar os processos de conservação em andamento, compreendendo: apoio aos bancos comunitários e feiras de trocas de sementes; aprimoramento dos processos de melhoramento participativo das variedades crioulas; apoio técnico para o desenvolvimento dos sistemas agroecológicos; ações educacionais direcionadas a formação de novos guardiões/guardiões mirins. Simultaneamente, a caracterização agronômica, nutricional e sensorial das variedades crioulas insere-se como diferencial na perspectiva de uso e agregação de valor, contribuindo para geração e difusão de novos produtos a partir da agrobiodiversidade local. Espera-se com este projeto fortalecer e ampliar os processos de conservação da agrobiodiversidade junto aos guardiões, comunidades e organizações, além da constituição de um espaço de reflexão-ação comum contribuindo para formação de recursos humanos e inserção da temática no contexto acadêmico-científico relacionado à segurança alimentar e nutricional.

Objetivo Geral

Contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico do país na área de segurança alimentar e nutricional através da consolidação da Rede de Agrobiodiversidade e Segurança Alimentar no âmbito da cooperação Brasil-Uruguai-Argentina.

Justificativa

A perda da biodiversidade agrícola ou agrobiodiversidade insere-se como resultante dos sistemas agrícolas modernos, sobretudo a partir da substituição das variedades crioulas pelas cultivares de alto rendimento e estreita base genética. Embora não se possa precisar a dimensão da perda, a agrobiodiversidade está ameaçada, e ela constitui a base da alimentação das populações. Este processo, o qual tem alterado substancialmente a base da alimentação e agricultura nos dias de hoje, remete a relevância do debate sobre segurança alimentar e conservação da agrobiodiversidade. Este projeto insere-se neste contexto pretendendo consolidar as Redes Sociotécnicas aos níveis da cooperação internacional e no território estadual/RS, constituindo espaços de reflexão-ação comum. Espera-se com este processo contribuir para ampliação e inserção da temática da conservação da agrobiodiversidade e segurança alimentar e nutricional no universo acadêmico-científico das instituições participantes do projeto. Além disso, propõe-se um conjunto de ações visando apoiar e fortalecer o trabalho desenvolvido pelos guardiões e suas organizações, desde o apoio técnico aos processos de melhoramento participativo à caracterização das variedades crioulas. Estas ações deverão contribuir diretamente para ampliação da segurança alimentar.

Metodologia

Objeto de estudos sobre composição nutricional e valoração sensorial: feijão (Phaseolus vulgaris L.), milho (Zea mays L.), feijão-miúdo (Vigna unguiculata (L.) Walp.), tomate (Lycopersicum esculentum Mill.), abóboras (Cucurbita spp.) e outras leguminosas-de-grão (tremoço, feijão-arroz, feijão azuki).
- Realização de intercâmbios entre integrantes das equipes nos três países participantes do projeto. Primeiro intercâmbio será realizado no Brasil. No sentido da participação igualitária das instituições nacionais. Um segundo, que será realizado na Argentina, constituindo um momento de avaliação. Por fim, um terceiro intercâmbio, para analisar resultados e definir futuras ações, realizado no segundo ano de projeto e se dará no Uruguai.
- Constituição de uma base de dados em ambiente virtual que permita a socialização e troca de informações entre as instituições participantes do projeto
- Submissão das coleções de variedades crioulas das espécies componentes do projeto à avaliação nos sistemas de manejo desenvolvidos pelos agricultores agroecológicos. Duas serão as modalidades adotadas para as atividades envolvendo ações de melhoramento participativo, sendo que o primeiro ciclo de seleção deverá desenrolar-se no primeiro ano de execução do projeto. Na primeira modalidade, serão submetidas aos agricultores coleções de cultivares crioulas caracterizadas como “Partituras de Biodiversidade” (ANTUNES E BEVILAQUA, 2009). Estas serão avaliadas nos sistemas de manejo praticados pelos agricultores, sendo as variedades crioulas que constituirão os tratamentos determinadas em comum acordo entre a equipe de pesquisa e os agricultores envolvidos, obedecendo aos critérios de variabilidade fenotípica, origem geográfica, histórico de uso. O segundo ciclo de seleção deverá desenvolver-se no segundo ano, compreenderá a avaliação das progênies selecionadas no primeiro ciclo com vistas a uma segunda seleção entre as mesmas. Ao final do projeto haverá uma rodada de discussão com os agricultores sobre os resultados alcançados com vistas à sequência dos trabalhos.
- Apoio técnico a implantação e/ou qualificação de bancos comunitários de sementes crioulas. A seleção das comunidades em que serão implantados, ou qualificados os bancos comunitários de sementes crioulas terá como base o estado atual em que se encontram as coleções existentes, que já possuem relações estabelecidas com a Embrapa, com os seguintes critérios: condições atuais em que estas sementes estão armazenadas, o número de espécies e de variedades existentes na coleção, o número de famílias integradas na comunidade e a localização territorial dentre outras, de modo a minimizar os riscos de erosão genética.
- Monitoramento da contaminação por transgênicos em variedades crioulas de milho conservadas guardiões e suas organizações. Junto às comunidades de agricultores guardiões de sementes que possuem identidade com a Embrapa Clima Temperado, serão amostradas variedades crioulas de milho identificando além do nome do agricultor e do local de coleta com suas coordenadas geográficas, o nome da variedade, origem da semente e conhecimento da existência de algum cultivo de cultivar transgênica na proximidade. Na determinação da contaminação ou não da variedade serão utilizados kits disponíveis no mercado, aptos a detectarem a presença dos eventos que são comercializados atualmente. No caso de detecção de contaminação, será realizada uma reunião com a respectiva comunidade, no intuito de definir a melhor estratégia para solucionar o problema.
- Realização de seminários sobre agrobiodiversidade e segurança alimentar envolvendo os guardiões de sementes e mediadores sociais, organizações, instituições. Este Seminário, poderá ser itinerante, sendo realizado a cada dois anos em Pelotas, podendo ser na UFPel, CAVG-IFSul, e, em anos alternativos, em outras cidades do estado em que o movimento ligado aos guardiões apresente forte ação. Crê-se que esta iniciativa possa estimular a assimilação dos princípios ligados á produção agrícola sustentável consequentemente levando a uma maior segurança alimentar.
- Sistematização de experiências relacionadas à segurança alimentar desenvolvidas pelos guardiões da agrobiodiversidade e suas organizações considerando diferentes etnias (indígenas, quilombolas), públicos (agricultores familiares e assentados de reforma agrária) e territórios (Rio Grande do Sul/Brasil, Uruguai, Argentina). Estas atividades deverão ser iniciadas já no primeiro ano de execução do projeto.
- Realização de cursos de curta duração direcionados a formação de multiplicadores (público alvo da Chamada CNPQ 16/2016) e de novos guardiões/guardiões mirins integrando instituições de ensino, pesquisa e extensão nos temas da educação alimentar e nutricional.
Serão realizadas 02 cursos teórico-práticos em escolas técnicas rurais de segundo grau cujos temas terão enfoque no reconhecimento e no manejo da agrobiodiversidade e manipulação, processamento de alimentos e geração de produtos com enfoque agroecológico. Nessas escolas, com as quais já há parceria formalizada, estão sendo constituídos bancos de sementes para intercâmbio de material entre alunos e familiares. As aulas serão teóricas, expositivas e dialogadas, com criação de produtos oriundos de alimentos produzidos na comunidade. As aulas estarão vinculadas a escolas Família agrícola, situadas em Pelotas, Canguçu e Santa Cruz do Sul. Serão abordados temas como características dos alimentos, segurança e soberania alimentar, manipulação de alimentos, boas práticas de fabricação, legislação de sistemas de inspeção, entre outros, que possibilitarão ao aluno atuar em agroindústrias de cunho familiar, a partir de produtos diferenciados nutricionalmente. As ações metodológicas que são próprias desse modelo de ensino em que o aluno passa três meses em ambiente escolar e outros três em suas propriedades familiares permitem colocar o conhecimento compartilhado em novas técnicas sociais.
Estas ações de cursos serão realizados pelos pesquisadores, junto com alunos de graduação e pós-graduação da UFPel.
- Realização de cursos de curta duração teórico-práticas abordando princípios de melhoramento participativo, tendo como base a agrobiodiversidade local, direcionadas aos guardiões e suas organizações. Como forma de promover meios que resultem em maior eficiência nos processo de melhoramento participativo, serão realizadas 02 oficinas abordando temas como seleção de plantas e métodos ecológicos de produção e conservação de sementes junto aos agricultores guardiões e suas comunidades. As oficinas serão realizadas por pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação da UFPel.
- Caracterização agronômica e nutricional de variedades crioulas constituintes da agrobiodiversidade local e/ou resultantes de melhoramento participativo.
A caracterização morfológica e fenológica será realizada de forma cooperativa entre os parceiros do projeto em material cultivado pelos guardiões de sementes, bem como naquele conservado nos bancos de germoplasma da Embrapa Clima Temperado e nas instituições parceiras. As avaliações agronômicas serão realizadas com a participação dos alunos participantes dos cursos de graduação e pós-graduação e de escolas técnicas conveniadas. O trabalho de avaliação nutricional da agrobiodiversidade será estruturado mediante avaliação de parâmetros físicos, químicos, tecnológicos, nutricionais e sensorial
As proteínas serão determinadas pelo Método Kjedahl e Bradford. O teor de lipídeos determinado através do método gravimétrico de extração por solvente (Extrator de Soxhlet), sendo a umidade determinada por método gravimétrico de secagem em estufa à 105 ºC até peso constante. O teor de cinzas será determinado pelo método gravimétrico, assim como a fibra bruta (ADOLFO LUTZ, 2005). Os teores de fibra alimentar total, solúvel e insolúvel serão determinados de acordo com a técnica de PROSKYET et al.(1992); AOAC (1995). A quantidade de carboidratos será determinada por meio do cálculo de diferença centesimal dos constituintes da amostra (RDC nº360 ANVISA, 2003). Os teores de antinutricionais serão determinados pelo método oficial da AOAC (1995). O teste de cozimento realizado de acordo com a metodologia 16-50 da AACC (1995). A determinação dos teores de ferro, fósforo, potássio, selênio, sódio e zinco, manganês, magnésio, alumínio, cádmio, cálcio, cobre, cromo e molibdênio será realizada de acordo com a metodologia da AOAC (2006). A determinação da cor das sementes será realizada em colorímetro Minolta RC 300. Proteínas solúveis em água e índice de absorção de água (IAA) serão realizadas de acordo com a metodologia descrita por ANDERSON et al. (1969). Os compostos bioativos que determinam a ação antioxidante das matérias primas serão determinados via cromatografia líquida de alta eficiência, identificando-se flavonoides, pelo método descrito por DEWANTO et al. (2002); antocianinas, descrito por ABDEL-AAL E HUCL (1999), compostos fenólicos, descrito por FOLIN-CIOCALTEU, SINGLETON E ROSSI (1965) e isoflavonas, pelo método descrito por CARRÃO-PANIZZI et al. (2004), utilizando reagentes de grau analítico daizeína, genisteína e gliciteína. A atividade antioxidante das matérias primas será medida através da atividade da mesma em capturar radicais livres usando DPPH), segundo método espectrofotométrico de CHEN & HO (1995). O trabalho permitirá a identificação de novas variedades diferenciadas sob os pontos de vista agronômico e nutricional que poderão ser, ou não, registradas junto ao órgão competente, dentro da normatização específica para tal.
- Avaliação sensorial de produtos da agrobiodiversidade local e do melhoramento participativo. Serão realizados testes de cocção e de preferência e aceitação geral, através de escala hedônica estruturada de 9 pontos, escala de ordenação e escalas não estruturadas. Para avaliar a intenção de compra será utilizada escala estruturada de 5 pontos (GULARTE, et al. 2017).

Indicadores, Metas e Resultados

Metas:
1.1 Realização de pelo menos três intercâmbios entre integrantes das equipes envolvidas nos três países participantes do projeto.
1.2 Constituição de uma base de dados em ambiente virtual que permita a socialização e troca de informações entre as instituições participantes do projeto
2.1 Submissão pelo menos 20 coleções de variedades crioulas das espécies componentes do projeto à avaliação nos sistemas de manejo desenvolvidos pelos agricultores agroecológicos
3.1 Apoio técnico a implantação e/ou qualificação de pelo menos 10 bancos comunitários de sementes crioulas.
3.2 Monitoramento da contaminação por transgênicos em variedades crioulas de milho conservadas, pelo menos, por 10 guardiões e suas organizações.
4.1 Realização de pelo menos dois seminários sobre agrobiodiversidade e segurança alimentar envolvendo os guardiões de sementes e mediadores sociais, organizações, instituições.
5.1 Sistematização de pelo menos seis experiências relacionadas a segurança alimentar desenvolvidas pelos guardiões da agrobiodiversidade e suas organizações considerando diferentes etnias (indígenas, quilombolas), públicos (agricultores familiares e assentados de reforma agrária) e territórios (Rio Grande do Sul/Brasil, Uruguai, Argentina).
6.1 Realização de pelo menos 02 cursos de curta duração direcionados a formação de multiplicadores (público alvo da Chamada CNPQ 16/2016) e de novos guardiões/guardiões mirins integrando instituições de ensino, pesquisa e extensão nos temas da educação alimentar e nutricional.
7.1 Realização de pelo menos 02 cursos de curta duração teórico-práticas abordando princípios de melhoramento participativo, tendo como base a agrobiodiversidade local, direcionadas aos guardiões e suas organizações
8.1 Caracterização agronômica e nutricional de pelo menos 50 variedades crioulas constituintes da agrobiodiversidade local e/ou resultantes de melhoramento participativo.
8.2 Avaliação sensorial de pelo menos 50 produtos da agrobiodiversidade local ou resultante do melhoramento participativo.

Resultados e produtos esperados como resultado do projeto de pesquisa:
espera-se em primeiro lugar desenvolver a rede sociotécnica que embasa esta proposta como forma de estabelecer um mecanismo capaz de promover a conservação do germoplasma crioulo que se encontra nas mãos dos agricultores guardiões de sementes. Neste contexto, o conhecimento pela caracterização destes germoplasmas compostos pelas espécies objeto deste projeto, deverá levar ao desenvolvimento de novas formas de consumo destes alimentos, prevendo-se, a partir dos resultados obtidos pelas equipes que integram a proposta, o aparecimento de variedades ricas em diferentes constituintes nutricionais. A sua disponibilização às populações rurais e urbanas, dentro dos princípios da agroecologia, atingidos de forma progressiva, deverá resultar, simultaneamente, em uma alimentação mais saudável a todos, uma conservação e mesmo ampliação da diversidade genética e um possível aumento da renda aos agricultores pela valorização destas variedades. Observa-se que, todos os resultados esperados, direcionam-se a uma maior segurança alimentar, incluindo-se aí o desenvolvimento de variedades mais tolerantes ás mudanças climáticas que o planeta está a testemunhar. Por outro lado, o trabalho colaborativo que se antevê, tendo como premissa a qualificação das experiências de parceria já vividas pelas instituições envolvidas, levará à preservação e ao aumento da eficácia da Rede, cobrindo os três países do Cone Sul da América do Sul, consequentemente aprimorando a qualidade de vida dos mesmos.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALINE MACHADO PEREIRA
ANA PAULA DO SACRAMENTO WALLY VALLIM
BIANCA PIO AVILA
FABIANA TORMA BOTELHO3
HELVIO DEBLI CASALINHO
IRAJÁ FERREIRA ANTUNES
JANDER LUIS FERNANDES MONKS
LARISSA RIBERÁS SILVEIRA
LAYLA DAME MACEDO
LÉSTER AMORIM PINHEIRO
MARCIA AROCHA GULARTE12
MARINA CASSURIAGA DE SOUZA
MAURICIO DE OLIVEIRA7
MÁRCIA VIZZOTTO
PATRÍCIA MARTINS DA SILVA
TATIANA SCHIAVON DE ALBUQUERQUE
TATIANA SCHIAVON DE ALBUQUERQUE
THAUANA HEBERLE

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