Nome do Projeto
Grupalidade e grupos terapêuticos em saúde mental como ferramenta da enfermagem
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
11/06/2026 - 11/06/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Eixo Temático (Principal - Afim)
Saúde / Saúde
Linha de Extensão
Saúde humana
Resumo
As pessoas apresentam necessidade de pertencerem a grupos sociais, sendo esta uma necessidade básica do ser humano, pois é na relação interpessoal que a pessoa se reconhece enquanto indivíduo e aprende a conviver em sociedade. Quando a pessoa entra em sofrimento psíquico e/ ou adoece psiquicamente os vínculos sociais estão fragilizados, ocorrendo a necessidade de um cuidado baseado nas interações sociais. Os grupos terapêuticos atuam como espaços seguros que atuam na construção da reabilitação, da ressocialização, da autonomia e da promoção de cidadania. Os grupos terapêuticos possibilitam que as pessoas, ao interagirem umas com as outras, identifiquem-se entre si e reflitam sobre seus conflitos e suas inseguranças, podendo proporcionar transformações e mudanças em todos os membros do grupo, gerando aprendizado mútuo.

Objetivo Geral

Objetivo Geral
Promover o aprimoramento teórico-prático do acadêmico de enfermagem sobre os grupos terapêuticos, direcionados ao cuidado em saúde mental

Justificativa

A pessoa ao longo da vida, desde seu nascimento, interage com outros indivíduos, pertencendo a diversos grupos sociais. Inicialmente no meio familiar, depois na escola, na vizinhança, faculdade, trabalho, instituições políticas e religiosas, enfim há inúmeras possibilidades de organizações grupais do cotidiano. Segundo Zimerman (2000), o ser humano é um ser gregário cuja existência ocorre através de seus relacionamentos grupais, desde o nascimento ele participa de diversos grupos, num constante movimento entre a busca de sua identidade individual e a necessidade de uma identidade grupal e social. Diante disso, a necessidade de pertencimento a algum grupo torna-se básica para sobrevivência psicossocial do indivíduo na sociedade.
Para Pichon-Rivière (2012), a saúde mental está relacionada ao processo de adaptação ativa da realidade, no qual o sujeito durante seu processo de interação, irá modificar o meio e, ao mesmo tempo, transforma a si mesmo, numa relação dialética que promove o aprendizado e uma postura crítica diante do cotidiano.
Nesta perspectiva, pode-se entender as adversidades, conflitos e sofrimento psíquico estão presentes na vida cotidiana, mas a forma como se lida com as dificuldades e modificações da realidade é que determinam a saúde mental.
Reforçando esta ideia, Amarante (2017) traz a contribuição de que a saúde mental não pode estar relacionada apenas com o conceito e tratamento dos transtornos mentais, mas com uma rede de saberes diversos que se entrelaçam e constituem os sujeitos e suas histórias inscritas no território na qual estão inseridos e interagem com outros sujeitos.
No processo de sofrimento psíquico e/ou adoecimento psíquico, muitas vezes, os vínculos sociais são rompidos ou há um afastamento do meio social, em decorrência da dificuldade do sujeito em lidar com os seus problemas e com suas relações com o outro.
Neste sentido, os grupos terapêuticos possibilitam a reorganização dos vínculos e a promoção das interações sociais num ambiente seguro e protegido, o que permite a troca de experiencias e o enfrentamento das dificuldades de forma coletiva, permitindo que os seus participantes possam criar novas formas de interagir com a vida e com as pessoas de sua rede social.
O grupo terapêutico contribui para o aprendizado e reflexão crítica diante das adversidades presentes nas situações cotidianas da vida, possibilitando, assim, a reabilitação e a ressocialização psicossocial; e a autonomia de cada um dos participantes do grupo.
O grupo favorece, também, a percepção de outras formas do indivíduo experienciar suas vivencias e a aceitação dos membros do grupo tende a melhorar sua autoestima, fazendo com que seus participantes se sintam pertencentes ao grupo que representa o ambiente social em que vive.
Um estudo desenvolvido com enfermeiras que atuavam em CAPS (CAPS II, CAPS – álcool e drogas III e CAPS infanto-juvenil) na cidade de Pelotas constatou que estas profissionais realizam os grupos terapêuticos, utilizando suas experiências práticas nestas atividades, com pouco planejamento e embasamento teórico sobre grupos, revelando o pouco conhecimento científico adquirido na academia. E isso faz com que a enfermeira embora reconheça a importância terapêutica dos grupos, apresente dificuldade na coordenação de grupos terapêuticos (Menezes, 2020)
Desta forma, há a necessidade de os enfermeiros apropriarem-se deste recurso terapêutico nos seus processos de trabalho com a finalidade de qualificarem o cuidado realizado às pessoas em sofrimento psíquico no território.

Metodologia

A proposta da criação de um grupo de estudos e de grupos terapêuticos no território (CAPS II, UBS, comunidade) tem como justificativa ofertar ferramentas para que o futuro profissional, reconheça a necessidade do enfermeiro da utilização dos grupos terapêuticos no cuidado às pessoas em sofrimento psíquico, além de auxiliar no aprimoramento teórico para que esse profissional possa apropriar-se deste dispositivo de cuidado com segurança e conhecimento técnico, alinhado com as propostas do SUS.Assim, a proposta envolve a realização de um grupo de estudos nos quais serão abordados temas de grupalidade e grupos terapêuticos, através da leitura e discussão de textos científicos. Os encontros gerais serão semanais e auxiliarão para instrumentalizar os acadêmicos para atuarem nos grupos terapêuticos. O grupo de estudos terá duração de duas horas.
Além disso, serão realizadas atividades grupais em serviços de saúde e espaços na comunidade. A proposta são encontros semanais, através da utilização do referencial de Pichon-Rivière e, após a atividade, ocorrerá a supervisão e discussão do funcionamento grupal daquele encontro. Nos grupos terapêuticos serão trabalhados temas pré-definidos que abordem tanto a saúde mental, englobando o transtorno mental e o sofrimento psíquico, bem como os determinantes sociais e suas consequências, relacionando com questões ético- filosóficas-antropológicas-sociais e demais disciplinas que se inter-relacionam entre si e interferem na experiência-sofrimento da pessoa e no cotidiano, com enfoque no modelo psicossocial, utilizando uma abordagem baseada nas relações interpessoais, na reabilitação, na busca da autonomia, na ressocialização, na psicoeducação e na educação em saúde com ênfase à saúde mental.
O grupo terapêutico terá a duração de uma hora, será semanal, número máximo de 10 usuários no qual será estabelecido no primeiro dia de funcionamento um seting grupal.
A proposta é que possam ser desenvolvidos grupos terapêuticos em saúde mental em CAPS II, UBS e espaços na comunidade, tendo como público-alvo: pessoas com transtorno mental e/ou em sofrimento psíquico.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se instrumentalizar os acadêmicos de enfermagem para realizarem grupos terapêuticos nos diferentes contextos de atuação, possibilitando um cuidado qualificado para população.
Além disso, busca-se auxiliar no processo de cuidado às pessoas em sofrimento psíquico e/ou com transtorno mental no território, numa proposta de reabilitação psicossocial, norteado pela Reforma Psiquiátrica e pelo modelo de cuidado psicossocial.
Propõem- se promover o conhecimento dos usuários acerca dos temas de saúde mental que serão abordados, possibilitar a troca de experiência e autoconhecimento dos integrantes do grupo. E facilitar e promover reabilitação psicossocial.
Com isso, espera-se:
- Realizar, ao menos, seis encontros do grupo de estudos;
- Desenvolver grupos terapêuticos em um CAPS II, uma UBS e um local na comunidade

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ARIANE DA CRUZ GUEDES2
CAMILA IRIGONHE RAMOS2
DAIANE DE MORAES SIQUEIRA CARUCCIO
ETIENE SILVEIRA DE MENEZES3
GABRIELE CONCEICAO MOREIRA
GREICE CARVALHO DE MATOS2
IASMY BROMBILLA SERRA
JANAINA QUINZEN WILLRICH2
JENNIFER GUIDOTTI BARBOSA
LARA RODRIGUES NUNES TERRES
LAURA XAVIER DREBEL
LISIA DE ALMEIDA LAWSON
MIRELA VIANA ALEGRE
SARAH VIEIRA DA CUNHA PEREIRA
THAIANE BASTOS DE AVILA

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