Nome do Projeto
Produção de Oliveiras e Qualidade do Azeite em Resposta à Nutrição Mineral
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
29/03/2022 - 28/03/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
Nas condições do sul do Brasil, destaca-se o cultivo de frutíferas de clima temperado, as quais apresentam um único surto de crescimento e necessidade de temperaturas abaixo de 7,2oC para superação do estádio de repouso vegetativo. A colheita brasileira de frutas de clima temperado ocorre no período de entressafra no hemisfério norte, sendo que tais aspectos têm impulsionado a expansão nas áreas de produção. Com isso, a capacidade produtiva dessas frutíferas vem sendo largamente estudada em diferentes regiões, tendo em vista que a produção ainda não é suficiente para suprir a demanda do mercado interno e externo, havendo a necessidade de importação. Dentre as espécies de clima temperado, a oliveira (Olea europaea L.) é uma árvore frutífera característica das espécies oriundas do Mediterrâneo, contudo, é encontrada em muitas regiões do globo terrestre. Os dois principais produtos oriundos desta planta são o azeite e as azeitonas de mesa, com uma produção mundial no ciclo 2018/2019 de 3,1 milhões de toneladas de azeitonas e 3,26 milhões de toneladas de azeite. O cultivo de oliveiras adquiriu especial relevância em todo o mundo, pelo fato do azeite de oliva ser comprovadamente benéfico à saúde humana, pela sua validada eficácia na proteção de enfermidades cardiovasculares e por ser muito utilizado como veículo na confecção de produtos farmacêuticos. Através disso, nos últimos anos, com o aumento do consumo de azeite e azeitona em conserva, houve expansão da área de cultivo, todavia, embora a oliveira seja adaptada a uma ampla gama de condições edafoclimáticas e de solo, há uma carência de informações sobre a resposta desta cultura à adubação de crescimento e de produção nas condições do sul do Brasil. Diante disso, para uma melhor recomendação do cultivo é necessário o aporte de conhecimento do manejo da cultura, principalmente em relação à demanda de fertilizantes. Serão conduzidos quatro experimentos em dois pomares de oliveira, utilizando-se as cultivares Arbequina e Koroneiki, nas localidades de Canguçu e Pelotas, Rio Grande do Sul. Serão aplicadas cinco doses diferentes de N, na forma de ureia (0, 20, 40, 60 e 80 kg ha-1) e parcelada em três aplicações; cinco doses diferentes de N, na forma de composto orgânico (0, 20, 40, 60 e 80 kg ha-1) sobre a superfície do solo e parceladas em duas aplicações e também cinco doses de K (0, 30, 60, 90 e 120 kg ha-1 de K2O na forma de cloreto de potássio) sobre a superfície do solo e parcelada em duas aplicações. As variáveis a serem analisadas serão: perímetro do tronco, produtividade, massa média de 50 azeitonas, diâmetro de tronco, altura de plantas e volume de copa. Nos aspectos qualitativos do azeite, serão analisados: rendimento de azeite, ponto de colheita, acidez e índice de peróxidos. Objetiva-se com o presente trabalho pesquisar a influência da aplicação de ureia e composto orgânico na fase de crescimento de oliveiras jovens, assim como a adubação de N e K nos aspectos produtivos da oliveira e qualitativos do azeite.

Objetivo Geral

OBJETIVO GERAL
Estudar a influência da aplicação de diferentes doses de nitrogênio (N), na forma de ureia e composto orgânico na fase de crescimento e, N e potássio (K), na fase produtiva da oliveira das cultivares Arbequina e Koroneiki, avaliando inclusive os aspectos qualitativos do azeite, na região sul do Estado do Rio Grande do Sul.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Identificar a dose ideal de N para a fase de crescimento de oliveira;
- Analisar o efeito da aplicação do composto orgânico nos parâmetros de crescimento de oliveira;
- Ajustar as doses de N e K para adubação de manutenção da oliveira;
- Avaliar os efeitos de diferentes doses de N e K sobre os parâmetros qualitativos do azeite;
- Estabelecer o nível crítico de N e K para a cultura da oliveira.

Justificativa

As áreas tradicionalmente destinadas ao cultivo da oliveira (Olea europaea L.) não são suficientes para suprir a crescente demanda mundial por seus produtos. A Espanha, por exemplo, que é o maior produtor de oliveira, não apresenta capacidade de ampliar os plantios já existentes (WREGE et al., 2015). Por esse motivo, nas últimas décadas, o cultivo da oliveira tem sido ampliado em várias regiões do mundo, principalmente em locais onde o cultivo não é tradicional (MARTINS et al., 2012; TANASIJEVIC et al., 2014; WREGE et al., 2015). No Brasil, principalmente nos Estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais (MARTINS et al., 2014; WREGE et al., 2015), tem-se investido nesse cultivo, no intuito de suprir as necessidades do consumo interno (MARTINS et al., 2012), justamente pelo fato do país ser um dos maiores importadores do mundo, com uma demanda anual de aproximadamente 60 mil toneladas de azeite e 114 mil toneladas de azeitona (IOC, 2018).
O Rio Grande do Sul é considerado o maior produtor de azeite e azeitona do Brasil onde, atualmente, existem 160 produtores em um total de 5,1 mil ha cultivados em 55 municípios, com oito indústrias e dezessete marcas de azeite de oliva extra virgem (BENDER; WEBER; VIEIRA, 2018). O Estado apresenta potencial para grande expansão da cultura (ALBA et al., 2014), porém a viabilidade disto depende da geração de conhecimento em diversos aspectos, especialmente na adubação e nutrição de oliveiras.
Devido ao fato de ser uma cultura com expansão comercial recente, atualmente os olivicultores utilizam recomendações de adubações que, embora sejam publicações nacionais, foram elaboradas sob forte influência das pesquisas realizadas em outros países, principalmente do hemisfério norte (BENDER; WEBER; VIEIRA, 2018). Contudo, no Brasil, as características edafoclimáticas diferem das principais regiões produtoras do mundo, onde os solos geralmente possuem elevado pH e reduzida precipitação pluviométrica ao longo do ano. Portanto, devido à ausência de práticas culturais adequadas ao manejo da cultura, principalmente na recomendação de adubação de crescimento e de manutenção para as condições do sul do Brasil, torna-se imprescindível a realização de estudos para solucionar limitações e expandir seu cultivo.
Deste modo, faz-se necessário o ajuste da adubação nitrogenada e potássica para a cultura da oliveira, desde a fase de crescimento até adubação de manutenção, visando a otimização no fornecimento destes nutrientes, contribuindo para um acréscimo na rentabilidade e utilização racional dos recursos. É necessário ressaltar que a inclusão no sistema produtivo de novas espécies como a oliveira apresenta relevantes problemas para viabilizar os processos de cultivo.

Metodologia

O trabalho será realizado em um pomar comercial, no município de Canguçu- RS, cuja localização geográfica é de: 30º 95’ 47” S e 52º 71’ 38” W; 82m de altitude. A classificação do clima da região, conforme W. Köppen é do tipo “cfa” - clima temperado, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e verões quentes (ALAVARES et al., 2013). As precipitações e temperaturas mensais médias serão obtidas da estação automática (Latitude - 31º 40’ S; Longitude - 52º 70’ W) localizada no município de Canguçu - RS.

Adubação de Produção
O experimento 1 e 2, serão conduzidos em pomar comercial, no município de Canguçu- RS, o qual foi implantado em 2012, com espaçamento de sete metros entre linhas e quatro metros entre plantas. O solo é classificado como Argissolo (STRECK et al., 2008). Antes da implantação do experimento foram realizadas as análises químico-físicas, as quais apresentaram os seguintes resultados: pH em água de 6,4; 97,3 mg dm-3 de P; 115 mg kg-1 de K; 3,5 cmolc dm-3 de Ca; 1,2 cmolc dm-3 de Mg; 9 g dm-3 de matéria orgânica e 180 g dm-3 de argila. Para o experimento 1 será utilizada a cv. ‘Arbequina’, o delineamento será o de blocos ao acaso, com quatro repetições e cinco doses de N (0, 30, 60, 90 e 120 kg ha-1), aplicada na forma de ureia e parcelada em duas aplicações.
No experimento 2, a cultivar empregada será a Koroneiki, o delineamento experimental será o de blocos ao acaso, com quatro repetições e cinco doses de K (0, 30, 60, 90 e 120 kg ha-1 de K2O na forma de cloreto de potássio), aplicadas sobre a superfície do solo e parcelada em duas aplicações. A parcela experimental será composta por uma planta.
As variáveis a serem analisadas serão: perímetro do tronco, produtividade e massa média de 50 azeitonas. Nos aspectos qualitativos do azeite, serão analisados: rendimento de azeite, ponto de colheita, acidez e índice de peróxidos.
Durante três ciclos produtivos, conforme recomendação da CQFS – RS/SC (2016), serão coletadas folhas completas (limbo + pecíolo) da parte média dos ramos do ano, nos diferentes lados das plantas, secas, moídas e preparadas para análise dos teores totais de macro e micronutrientes (CQFS – RS/SC, 2016). Após a colheita, no experimento 2, será realizada a coleta de solo nas camadas de 0-10 e 0-20 cm para determinação do teor de argila determinada pelo método da pipeta, pH em água determinado por meio de potenciometria, teores de macro e micronutrientes.

Adubação de crescimento
Os experimentos 3 e 4, serão conduzidos em pomar comercial, no município de Pelotas- RS, o qual foi implantado em 2017, com espaçamento de sete metros entre linhas e quatro metros entre plantas. O solo é classificado como Argissolo vermelho-amarelo (EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2010). Antes da implantação do experimento, foram realizadas as análises químico-físicas, as quais apresentaram os seguintes resultados: pH em água de 5,5; 10,6 mg dm-3 de P; 116 mg kg-1 de K; 2,9 cmolc dm-3 de Ca; 1,5 cmolc dm-3 de Mg; 8 g dm-3 de matéria orgânica e 190 g dm-3 de argila.
O experimento 3 será conduzido em plantas da cultivar Arbequina, o delineamento experimental será o de blocos ao acaso, com cinco repetições e cinco doses diferentes de N, na forma de ureia (0, 20, 40, 60 e 80 kg ha-1) e parcelada em três aplicações. A parcela experimental será composta de uma planta.
O experimento 4 será conduzido em plantas da cultivar Arbequina, o delineamento experimental será o de blocos ao acaso, com quatro repetições e cinco doses diferentes de N, na forma de composto orgânico (0, 20, 40, 60 e 80 kg ha-1) aplicado sobre a superfície do solo e parceladas em duas aplicações. A parcela experimental será composta de uma planta.
Nos anos de 2022 a 2024, serão avaliados, com o auxílio de paquímetro digital e trena métrica, os parâmetros de crescimento das plantas: diâmetro do tronco (mm); altura das plantas (cm) e volume de copa (m³) (estimado através da medida da altura da copa x largura I da copa x largura II da copa).
Nos meses de janeiro, serão realizadas anualmente a coleta de folhas completas (limbo + pecíolo) da parte média dos ramos do ano, nos diferentes lados das plantas, secas, moídas e preparadas para análise dos teores totais de macro e micronutrientes (CQFS – RS/SC, 2016). Ao final do experimento, conforme CQFS – RS/SC (2016) será realizada a coleta de solo na camada de 0-20 cm para determinação do teor de argila determinada pelo método da pipeta, pH em água determinado por meio de potenciometria, teores de macro e micronutrientes.

Indicadores, Metas e Resultados

Ao final do período de execução do projeto, pretende-se alcançar os seguintes resultados:
- Ter definido a dose ideal de N para a fase de crescimento de oliveira nas condições do experimento;
- Haver determinado o efeito da aplicação do composto orgânico nos parâmetros de crescimento de oliveira;
- Haver identificado as doses de N e K para adubação de manutenção da oliveira;
- Haver determinado os efeitos de diferentes doses de N e K sobre os parâmetros qualitativos do azeite;
- Haver estabelecido o nível crítico de N e K para a cultura da oliveira.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
BRUNO CARRA
CAMILA SCHWARTZ DIAS
FLAVIO GILBERTO HERTER
JORGE ATÍLIO BENATI
MARCELO BARBOSA MALGARIM1
MARINES BATALHA MORENO
MATEUS DA SILVEIRA PASA1
OTÁVIO ALVES SIMÕES
PAULO CELSO DE MELLO FARIAS2
Paula Conde
ROGÉRIO OLIVEIRA JORGE
Roberto José Zoppolo Goldschmidt
VAGNER BRASIL COSTA1
VANESSA MARIA REIS BÜTTOW
ÍGOR MÜLLER DUMMER

Recursos Arrecadados

FonteValorAdministrador
PROAP - CAPESR$ 15.000,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339030 - Material de ConsumoR$ 15.000,00

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