Nome do Projeto
Comportamento alimentar, imagem corporal e qualidade de vida de indivíduos transgêneros residentes em Pelotas-RS
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
15/08/2022 - 01/12/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Estigmas socias, pressão familiar e emocional são algumas das barreiras enfrentadas por pessoas transgênero, as quais acabam influenciando diretamente o comportamento alimentar dos mesmos. Além disso, a imagem corporal costuma ser negativa, e também pode repercutir nos hábitos alimentares e na qualidade de vida dessa população. Diante disso, o objetivo deste trabalho será avaliar comportamento alimentar, imagem corporal e qualidade de vida de indivíduos transgêneros residentes em Pelotas-RS. Será um estudo longitudinal prospectivo, com discentes trans da Universidade Federal de Pelotas, assim como com pacientes trans encaminhados ao Ambulatório de Nutrição Adulto da Universidade, maiores de 18 anos, que não estejam em acompanhamento nutricional. Os participantes responderão ao questionário, iniciarão o acompanhamento nutricional seguindo os protocolos do Serviço, sendo o questionário reaplicado na terceira consulta; os participantes que tiverem interesse continuarão em acompanhamento nutricional ao final da pesquisa. Serão coletados sociodemográficos e de saúde, para caracterização da amostra. O estado nutricional será determinado a partir do índice de massa corporal, e os dados referentes à atividade física serão obtidos a partir do Questionário Internacional de Atividade Física. Os dados de comportamento alimentar serão obtidos por meio do Three Factor Eating Questionnaire – R21, e para a avaliação da imagem corporal será utilizada a Escala de Silhuetas Brasileiras para Adultos e Crianças. Para a avaliação da alimentação atual será aplicada a Escala autoaplicável para a avaliação da alimentação, segundo as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, e para as informações referentes à qualidade de vida será utilizada o World Health Organization Quality of Life. A análise dos dados será realizada por meio de análise descritiva e analítica, e apresentada como média ± desvio padrão ou percentual. A associação entre comportamento alimentar e imagem corporal, assim como comportamento alimentar e qualidade de vida será definida de acordo com a normalidade das variáveis.

Objetivo Geral

Avaliar comportamento alimentar, imagem corporal e qualidade de vida de indivíduos transgêneros residentes em Pelotas-RS.

Justificativa

Em média 1,9% da população brasileira é composta por indivíduos transgêneros, sendo o Brasil o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, tendo em 2021 316 casos de morte em função do preconceito (OBSERVATÓRIO DE MORTES E VIOLÊNCIAS LGBTQIA+ NO BRASIL, 2022). Estigmas socias, pressão familiar e emocional abalado são algumas das barreiras enfrentadas por esses indivíduos, barreiras essas que acabam influenciando diretamente o comportamento alimentar dos mesmos. Além disso, a imagem corporal costuma ser negativa, e também pode repercutir nos hábitos alimentares e na qualidade de vida dessa população.
São ainda escassas as pesquisas com indivíduos transgêneros no Brasil, principalmente no que se refere à área da Nutrição, sendo de extrema importância que esses estudos se desenvolvam com o intuito de ofertar um acompanhamento nutricional adequado durante a transição de gênero.

Metodologia

Este será um estudo longitudinal prospectivo, realizado na cidade de Pelotas, RS, Brasil, com indivíduos transgênero. Serão convidados a participar da pesquisa todos(as) os(as) discentes trans da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), assim como pacientes trans encaminhados ao Ambulatório de Nutrição Adulto da UFPel, maiores de 18 anos, que não estejam em acompanhamento nutricional e que aceitarem participar do estudo, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Para recrutamento da amostra, a pesquisa será divulgada no âmbito acadêmico com o apoio do Núcleo de Gênero e Diversidade (NUGEN), por meio de uma chamada/divulgação a partir do site da UFPel, COBALTO informa, redes sociais da Universidade e a rede de contatos do NUGEN, segundo os preceitos da Carta Circular nº 1/2021 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2021). Quanto aos pacientes do Ambulatório de Nutrição, o encaminhamento será realizado pelo Serviço de Endocrinologia. A UFPel ainda não possui um senso com informações sobre identidade de gênero na comunidade universitária, e o atendimento no Ambulatório ocorre por demanda, portanto, tratar-se-á de amostra por conveniência, com expectativa de ao menos dez participantes.
A coleta de dados será realizada por acadêmicos do Curso de Nutrição, previamente capacitados, e/ou pela pesquisadora responsável, em ambiente privado. O questionário que será utilizado foi elaborado pelos pesquisadores.
Os participantes responderão ao questionário na sala de orientação do ambulatório de Nutrição, em turno inverso aos atendimentos. Posteriormente, será agendada uma consulta no mesmo Ambulatório, a qual seguirá os protocolos do Serviço (anamnese nutricional + orientações nutricionais e/ou prescrição de plano alimentar individualizado). Na terceira consulta (o intervalo entre as mesmas será entre 1 e 2 meses), o questionário será reaplicado, e aqueles participantes que tiverem interesse continuarão em acompanhamento nutricional ao final da pesquisa.
Para a caracterização da amostra, serão coletas as seguintes informações: idade (em anos completos), gênero (homem trans ou mulher trans), tempo de hormonização, escolaridade (analfabeto/fundamental incompleto, fundamental completo/médio incompleto, médio completo/superior incompleto ou superior completo), estado civil (solteiro, casado, divorciado ou viúvo), profissão/ocupação e cor de pele (branca ou parda/negra). Serão ainda coletados dados referentes à saúde: já consultou anteriormente com nutricionista (não ou sim), tabagista (não, sim ou ex-fumante), consumo de bebida alcoólica (não ou sim), tipo de bebida consumida (cerveja, vinho, destilado ou outros), frequência do consumo (diário, semanal ou mensal/esporádico), quantidade ingerida de bebida alcoólica, duração média do sono (em horas), qualidade do sono (sempre ruim, na maioria das vezes ruim, às vezes boa, às vezes ruim, na maioria das vezes boa ou sempre boa), doenças e medicamentos de uso contínuo.
Para a avaliação antropométrica serão aferidos peso (kg) e altura (m), com posterior cálculo do índice de massa corporal (IMC). O peso será aferido em balança digital Filizola®, com capacidade de 150 kg e precisão de 100g, com o paciente usando roupas leves, descalço, em posição ereta, posicionado no centro da balança, com os pés juntos e braços estendidos ao longo do corpo (BRASIL, 2011). A altura será mensurada com a utilização de estadiômetro fixo Filizola® com graduação de 0,1 cm e capacidade máxima de 220 cm; para esta aferição, os participantes estarão descalços, com os braços soltos ao longo do corpo e em plano de Frankfurt (BRASIL, 2011). A classifi¬cação do estado nutricional será obtida a partir do cálculo do IMC e posterior classificação segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1995): baixo peso (< 18,5kg/m2), eutrofia (18,5 a 24,9 kg/m2), sobrepeso (25,0 a 29,9 kg/m2), obesidade grau I (30 a 34,9 kg/m2), obesidade grau II (35 a 39,9 kg/m2) ou obesidade grau III (> 40,0 kg/m²).
Para coletar os dados referentes à atividade física, será utilizado o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), versão curta e traduzida para língua portuguesa, a qual investiga a prática de caminhada, atividades moderadas e de atividades vigorosas na última semana (MATSUDO et al., 2021).
Os dados de comportamento alimentar serão obtidos por meio do instrumento “Three Factor Eating Questionnaire – R21” (TFEQ-R21). Este foi originalmente desenvolvido por STUNKARD; MESSICK (1985), no entanto teve sua versão reduzida em 21 itens (THOLIN et al., 2005), que por sua vez teve sua versão traduzida e validada para o português (NATACCI, 2010; NATACCI; FERREIRA JÚNIOR, 2011). Atualmente é um dos instrumentos psicométricos mais bem conhecido na literatura, sendo considerada uma ferramenta capaz de caracterizar o padrão de comportamento alimentar.
O TFEQ-R21 conta com 6 itens (1, 5, 11, 17, 18, 21) que abordam o domínio do comportamento de restrição cognitiva (RC), 6 itens que abordam (2, 4, 7, 10, 14, 16) o comportamento de alimentação emocional (AE), e 9 itens (3, 6, 8, 9, 12, 13, 15, 19, 20) sobre o domínio do descontrole alimentar (DA). Os itens de 1 a 20 contam com uma escala de quatro pontos e há uma escala de classificação numérica de oito pontos para o item 21. As questões de 1 a 16 têm pontuação na forma inversa, de 17 a 20 têm pontuação direta, enquanto a questão 21 difere de ambas. Após a soma de pontos de cada domínio, utiliza-se fórmula matemática para transformar a pontuação da escala bruta em escala de 0 a 100. Quanto mais próximo de 100 for a pontuação, maior será a dimensão do comportamento (THOLIN et al., 2005; NATACCI; FERREIRA JÚNIOR, 2011).
Além disso, para efeito de categorização desta variável, a pontuação será classificada em “Não”, quando a pontuação for igual a zero. Já as outras categorias, devido esta variável não apresentar uma distribuição normal, será utilizada uma divisão da mediana, excluindo os participantes com pontuação zero. Então, aqueles que apresentarem pontuações abaixo da mediana serão categorizadas como “Baixas” e pontuações acima da mediana como “Altas” (CAMILLERI et al., 2014).
A imagem corporal será avaliada por meio da Escala de Silhuetas Brasileiras para Adultos e Crianças (KAKESHITA et al., 2013), a qual é constituída por 15 figuras, de cada sexo, com variação progressiva, corres¬pondendo ao IMC entre 12,5 e 47,5 kg/m2, com diferença constante de 2,5 pontos. A insatisfação corporal é definida pela diferença de pontuação entre a silhueta real e a silhueta desejada, sendo que os valores diferentes de zero são iguais aos indivíduos insatisfeitos, valores positivos indicam insatisfação por estar acima do peso, e valores negativos indicam insatisfação por estar abaixo do peso.
Para a avaliação da alimentação atual, será aplicada a Escala autoaplicável para a avaliação da alimentação, segundo as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, na versão traduzida para a língua portuguesa (GABE; JAIME, 2019). Essa escala busca mensurar a adesão a práticas alimentares adequadas e saudáveis, fornecendo informações sobre características do consumo alimentar e outras dimensões compreendidas pelo paradigma de alimentação adequada e saudável assumidas pelo Guia.
Para a coleta de informações referentes à qualidade de vida será utilizada o World Health Organization Quality of Life (WHOQOL bref), versão abreviada e traduzida para português, composta por 26 questões que avaliam quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente, além de duas questões de qualidade de vida (qualidade de vida geral e saúde geral). As respostas para todas as questões serão obtidas por intermédio de uma escala do tipo Likert de cinco pontos, variando de 1 a 5, sendo posteriormente transformadas em escores de 0 a 100, sendo que maiores escores denotam melhor qualidade de vida (FLECK et al., 2000).
Os dados coletados serão digitados no programa Microsoft Excel. A análise dos mesmos será realizada por meio de análise descritiva e analítica, e apresentada como média ± desvio padrão ou percentual. Para a análise estatística das variáveis de interesse será utilizado o programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 25.0. A associação entre comportamento alimentar e imagem corporal, assim como entre comportamento alimentar e qualidade de vida será definida de acordo com a normalidade das variáveis. A comparação entre comportamento alimentar, imagem corporal e qualidade de vida, antes e após o acompanhamento nutricional, será realizada por meio do teste T pareado.
A realização desta pesquisa ocorrerá após aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Enfermagem da UFPel, seguindo os preceitos da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Os dados coletados serão utilizados apenas para os fins aqui propostos; além disso, todos os pesquisadores envolvidos tratarão os dados de forma a garantir o anonimato dos participantes, sendo respeitadas a privacidade e confidencialidade das informações, conforme rege a Lei Geral de Proteção de Dados 13.709/2018. Os questionários receberão uma codificação numérica para garantir o anonimato dos dados, e não serão utilizados recursos com gravação de imagem e/ou voz dos participantes. Os dados serão armazenados digitalmente pela pesquisadora responsável, em computador pessoal, por um período de 5 anos, e posteriormente apagados, sem cópias em plataformas virtuais, ambiente compartilhado ou “nuvem”. Os TCLE e os questionários (documentos físicos) serão incinerados.
Quanto aos cuidados relacionados à pandemia de Covid19, os pesquisadores utilizarão máscaras de alta qualidade (do tipo N95), oferecerão álcool gel para os participantes antes e após o recebimento do TCLE e disponibilizarão uma caneta (a qual será devidamente higienizada com álcool 70% após cada utilização) para assinatura do TCLE.

Indicadores, Metas e Resultados

A partir do estudo sobre o tema, espera-se encontrar:
- maior prevalência de mulheres transgênero, adultos jovens e de cor de pele parda/negra;
- que a mulheres trans apresentem maiores escores de restrição cognitiva, enquanto os homens trans tenham maior escore de descontrole alimentar;
- grande prevalência de insatisfação com a imagem corporal, com desejo de magreza entre as mulheres trans e de ganho de massa muscular entre os homens trans;
- pior qualidade de vida pior no domínio psicológico;
- que haja associação entre comportamento alimentar e imagem corporal, assim como entre comportamento alimentar e qualidade de vida na amostra estudada.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANNE Y CASTRO MARQUES2
ANTONIO ORLANDO FARIAS MARTINS FILHO
CRISTINA BOSSLE DE CASTILHOS
LARISSA AMARAL DE MATOS
LILIA SCHUG DE MORAES
LUCIA ROTA BORGES1
RENATA TORRES ABIB BERTACCO1
TATIANA BLANK KOPF
TIFFANY PROKOPP HAUTRIVE
TOMÁS PUYO GUILLAMA

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