Nome do Projeto
Produção, reprodução cultural, valorização, difusão e fomento da Tradição Doceira de Pelotas e Antiga Pelotas (Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo, Turuçu)/RS
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
30/11/2023 - 30/11/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Comunicação
Linha de Extensão
Patrimônio cultural, histórico e natural
Resumo
Esse projeto visa mobilizar diversos atores e instituições objetivando valorizar, difundir e fomentar a Tradição Doceira de Pelotas e Antiga Pelotas (Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo, Turuçu). Nessa perspectiva, as ações desenvolvidas no âmbito desse projeto buscarão valorizar o conhecimento já produzido sobre as tradições doceiras, a partir de atividades em espaços formais e não formais de ensino e educação, além de diferentes formas de comunicar esse saber-fazer doceiro. Os detentores desses conhecimentos são foco do projeto, na medida em que serão chamados a protagonizar essas ações, com destaque aqueles ligados aos saberes relativos à produção e reprodução dos doces de frutas (coloniais) e doces de bandejas, buscando-se integrar exemplos que ficaram à margem do Inventário já realizado. Dentre as estratégias propostas estão definidos o mapeamento participativo de doceiras e doceiros, a produção de materiais bibliográficos, audiovisuais, sonoros e outros, acessíveis, relativos à tradição doceira da região, ações educativas, além da organização de exposição museológica, explorando recursos assistivos, bem como a elaboração de aplicativos e outras ferramentas ligadas às tecnologias de comunicação. As ações do projeto serão desenvolvidas a partir do Museu do Doce da UFPel e de equipes dessa universidade em parcerias com atores locais que estejam diretamente vinculados a esses saberes-fazeres tradicionais. Temas caros à história local e que atravessam as tradições doceiras estão no centro dessas iniciativas, tais como o histórico local de imigração, as relações das tradições doceiras com o contexto histórico, social, natural e cultural, com destaque para questões relativas às influências da cultura africana na religiosidade local e doces utilizados como ofertas nesses contextos de espiritualidade. Necessário ressaltar que a metodologia a ser utilizada é a participativa, em que os sujeitos serão co-produtores do conhecimento produzido.

Objetivo Geral

Promover a produção, reprodução cultural, valorização, difusão e fomento da Tradição Doceira de Pelotas e Antiga Pelotas (Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo, Turuçu)/RS

Justificativa

O histórico de criação do Museu do Doce, e sua relação intrínseca com o próprio processo de inventário e registro das tradições doceiras de Pelotas e de seu centro histórico, como patrimônios culturais brasileiros, são pressupostos para a justificativa de realização desse projeto. A instituição, que pertence e é mantida pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), é um Órgão Suplementar do Instituto de Ciências Humanas (ICH).
É uma instituição universitária, que tem sua origem marcada por iniciativa da comunidade, sobretudo a doceira ligada à Feira Nacional do Doce, que idealizava a existência de um museu para sua tradição, desde a década de 1990. Hoje consolidado perante a comunidade, o Museu tem como missão a salvaguarda das tradições doceiras, que foram reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial (PCI) do Brasil, no ano de 2018.
A realização do INRC envolveu pesquisadores da UFPel, mas sobretudo atores locais atuantes no campo da cultura doceira, ou seja, as próprias doceiras, pequenos e médios empreendedores, além de instituições privadas, como a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), ou instituições públicas, tais como a Secretaria de Cultura da cidade de Pelotas (SECULT). Em que pese esse reconhecimento não ser fruto de iniciativa da universidade, é inegável o papel fundamental por ela exercido para a realização deste, em razão da atuação de pesquisadores vinculados à época ao ICH/UFPel. Esses pesquisadores foram a campo e geraram farta documentação, que não somente ajudou a comunidade de Pelotas e região a obterem o reconhecimento de uma de suas expressões culturais mais atreladas a sua identidade coletiva – as tradições doceiras - como deu elementos detalhados para que ela pudesse, a partir do seu próprio patrimônio, compreender suas raízes e a (i)materialidade presente em sua diversidade cultural. Unindo a vontade da comunidade doceira com os resultados da realização do INRC das tradições doceiras, aconteceu a criação do Museu do Doce, que hoje é um equipamento cultural protagonista dentre as instituições locais e a principal ferramenta de valorização da memória das tradições doceiras. Ou seja, na medida em que esse projeto está sendo pensado para um PCI reconhecido pelo IPHAN, e que ele possui uma instituição de memória a ele destinada, revela-se assim um argumento relevante para a aprovação desse projeto.
Dito isso, pontua-se que o PCI, que se caracteriza por ser percebido como cultura viva, de modo que os atores e as instituições envolvidas para com a sua salvaguarda devem produzir as condições para a manutenção da própria tradição, ou seja, a produção dos meios pelo qual esse patrimônio é (re)produzido, e problematizar os meios pelos quais esse patrimônio é inclusive ameaçado por fatores, tais como os impactos exercidos por novas tendências de mercado, influências culturais predatórias, ou mesmo a própria falta de iniciativas e mecanismos institucionais que estimulem o patrimônio em questão. Nesse sentido, é importante destacar que as tradições doceiras de Pelotas e da antiga Pelotas, não somente possuem uma presença destacada na paisagem cultural local, como também sofrem com aspectos dessa mesma cultura, que podem vir a descaracterizá-lo se políticas públicas e iniciativas institucionais de relevo não venham a ser conduzidas.
É sob essa perspectiva que as propostas elencadas para a realização desse projeto surgem embasadas nas diretrizes para medidas de salvaguarda sistematizadas no parecer técnico nº 02/2017, o qual indicou o registro no Livro de Lugares para a Região Doceira de Pelotas e Antiga Pelotas (Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo, Turuçu)/RS como PCI. Logo, é fundamental que sejam elencadas essas diretrizes, de acordo com o que segue:
- Identificou-se um discurso oficial, construído pelo poder público e pelos estabelecimentos comerciais locais, sobre a vocação doceira da região como sendo mais aristocrática, e que, consequentemente, invisibilizava a tradição de doces coloniais. Cabe esclarecer que foram identificadas duas principais tradições em Pelotas e cidades próximas, a tradição dos doces finos (mais urbana e conhecida por suas relações históricas com a aristocracia local) e a tradição dos doces coloniais (predominantemente mais rural, vinculada a formas de vida no campo e a técnicas de conservação de frutas com açúcar). Em ambas as tradições, existem perversos mecanismos de visibilidade e invisibilidades, cujas ausências nos discursos oficiais produzidos sobre o patrimônio local o presente projeto buscará atuar para a sua reversão;
- Outro aspecto problemático é a constatação da desigualdade de acesso aos mecanismos de valorização e divulgação dos doces por todas as doceiras e doceiros, especialmente daqueles que estão na periferia. Em razão de pressões de mercado, existe uma tendência para a padronização dos produtos por meio da certificação de Indicação Geográfica de Procedência, que gera um efeito ainda mais excludente para a produção artesanal e de origem rural, e mesmo para a tradição dos doces finos, excluindo todos aqueles que não possuem capital suficiente para se adaptar às exigências da certificação;
- Outro aspecto fundamental identificado, é o abandono de determinadas práticas de reciprocidade e mútuo reconhecimento entre as doceiras e doceiros, comportamento esse que afeta redes de apoio familiar e entre vizinhos, redes essas historicamente acionadas em ocasião de grandes encomendas.
Elencados esses desafios, o Museu do Doce da UFPel, a partir desse projeto, ampliará as ações para cumprir as diretrizes de difusão e valorização da memória que está na base da identidade das doceiras e doceiros da região de Pelotas e Antiga Pelotas, apontadas pelo referido parecer. Passados quatorze anos da conclusão do relatório que deu origem ao Dossiê de Registro da Região Doceira, existe a potencialidade para que o reconhecimento de doceiros e doceiras que atuam no território inventariado, tanto na produção de doces finos quanto na produção de doces de frutas, seja atualizada e melhor compreendida. Dessa forma, as metas estabelecidas para este projeto são amplamente sensíveis à salvaguarda do referido bem e consideram as suas especificidades.
Nessa perspectiva, reafirma-se que o Museu, enquanto ferramenta voltada para a memória e para a salvaguarda das tradições doceiras locais, é um dos mais importantes espaços voltados para esse tema. No entanto, como mencionado no título desse projeto, ao se propor dialogar diretamente com a comunidade doceira, nos espaços de atuação dos detentores desse saber, o Museu ampliará seu espaço de influência, irá capilarizar os fluxos de memória que estão na base dessa tradição, tanto fortalecendo os fios já existentes como desenvolvendo outros em espaços, ainda, não atendidos pela instituição. Ou seja, a realização de oficinas, o mapeamento georreferenciado dos detentores do saber, a realização de ações educativas nas escolas, em quilombos, tanto urbanos quanto rurais, e no próprio Museu, além da produção de material impresso e audiovisual e, ao fim, a finalização desse percurso com a organização de uma Exposição nos espaços do Museu, baseada nos resultados obtidos com as ações previamente mencionadas, irão intensificar os laços com a comunidade doceira, aproximar os atores do público em geral e, portanto, fortalecer os vínculos daquilo que materializa o próprio doce enquanto PCI. Dessa forma, o projeto que aqui se propõe, ao ser implementado, ampliará a visibilidade do PCI constituído pelas tradições doceiras, reforçando as condições locais pelas quais ele é (re)produzido.
Ao fim, o referido projeto conseguirá, com a sua aprovação, atuar para a difusão, para as novas gerações, do conhecimento produzido sobre a tradição doceira da região, ao desenvolver atividades de educação para o patrimônio em espaços formais e não formais (museu, quilombos e comunidades periféricas) de educação. Ao potencializar essas ações educativas, o projeto comunicará o saber-fazer doceiro e assim fortalecerá sua transmissão. Colocar no centro das ações previstas pelo projeto os próprios agentes ligados à produção dos doces será uma iniciativa que evidenciará a dimensão humana do patrimônio e igualmente valorizará os próprios protagonistas e detentores desses saberes. Ampliar o conhecimento sobre as doceiras e os doceiros, cuja produção é direcionada para os rituais das religiões de matriz africana, será uma estratégia que materializará a ampliação dos conhecimentos sobre esse importante aspecto da tradição, não suficientemente documentado quando da realização do registro desse PCI. Além disso, a produção de materiais bibliográficos, audiovisuais, sonoros e outros, pensados de forma amplamente acessível, tornará esse conhecimento verdadeiramente democrático e democratizante. É fundamental evidenciar o histórico de ações desenvolvidas no Museu do Doce voltadas para o público com deficiência e visando uma acessibilidade universal, dentre os quais destacam-se a organização da exposição de longa duração "Sal e Açúcar - o Doce através dos sentidos", que contou com suportes que exploravam, para além da visão, a audição, o tato e mesmo o olfato, visando a comunicação ampla dos conteúdos inerentes da exposição, dentre outras estratégias de acessibilidade. A instituição é referência no campo da acessibilidade em museus, e todas as experiências da equipe envolvida com a exposição culminaram na publicação de uma obra utilizada para pesquisa sobre o tema no Brasil que é "Um museu para todos: manual para programas de acessibilidade", publicada pela editora da UFPel. Esse e-book dialoga com o histórico do Museu do Doce em utilizar diferentes tecnologias assistivas; na elaboração de aplicativos, na manutenção de um website e perfis nas redes sociais Instagram e Facebook, cujo propósito visa o acesso universal aos conhecimentos referentes à tradição doceira local, propósito esse que será ampliado e potencializado com a aprovação deste projeto.


Metodologia

Metodologia participativa, a partir da construção com os detentores do saber fazer doceiro de Pelotas e Região

Indicadores, Metas e Resultados

- Meta 1/Indicador 1 - Oficinas Saber-fazer doceiro - cursos de curta duração - quantidade - 20
- Meta 2/Indicador 2 - Identificação, registro e mapeamento geoculturalmente referenciado - municipios mapeados - quantidade = 05
- Meta 3/Indicador 3 - Ações educativas para o patrimônio imaterial: tradição doceira da região de Pelotas e antiga Pelotas - locais de educação formal e não formal atendidos - 90
- Meta 4/Indicador 4 - Exposição - visitantes anual - 20.000

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADRIANE BORDA ALMEIDA DA SILVA4
ANA INEZ KLEIN2
ANNELISE COSTA MONTONE7
BRUNA FRIO COSTA
CARLA GIOVANA GONCALVES MALGUEIRO
CARLA RODRIGUES GASTAUD8
DANIEL MAURICIO VIANA DE SOUZA12
DIEGO LEMOS RIBEIRO12
EDUARDA CARDOSO ETHUR
FABIO VERGARA CERQUEIRA4
GABRIELA TEIXEIRA
GILBERTO LUÍS DA SILVA CARVALHO4
JOAO CARLOS DE ARAUJO CUNHA
JOSSANA PEIL COELHO
JULIANO OLIVEIRA DA SILVA
MARTA CALDEIRA PACIOS
NORIS MARA PACHECO MARTINS LEAL8
ROBERTO HEIDEN4
SARAH MAGGITTI SILVA2
YASMIN FERRARI DE QUEIROZ

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
IPHAN / INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONALR$ 275.245,00Fundação Delfim Mendes da Silveira

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339036 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa FísicaR$ 39.200,00
339030 - Material de ConsumoR$ 2.000,00
339018 - Auxílio Financeiro a EstudantesR$ 55.300,00
339014 - Diária Pessoa CivilR$ 12.048,25
339013 - Obrigações PatronaisR$ 9.800,00
339039 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa JurídicaR$ 156.896,75

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