Nome do Projeto
[Com]fluência
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/10/2017 - 31/01/2018
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Linguística, Letras e Artes
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Educação
Linha de Extensão
Artes visuais
Resumo
O projeto de extensão [Com]fluência é resultado de uma ampla discussão realizada nos anos anteriores a 2017 entre a coordenação da Editora, Gráfica e Livraria Universitária (setor anterior daquele que vem a ser atualmente Núcleo de Editora e Livraria) e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Esse diálogo foi provocado porque constatou-se que, desde a entrega do prédio reformado da Antiga Cervejaria Brahma para a instalação da Livraria UFPel, o problema das ações de depredação precisaria ser enfrentado, visto que na região da cidade na qual o prédio está inserido, ações como as pichações são frequentes em propriedades públicas e particulares. Considerando que o prédio em questão é inventariado nível 2 pela Prefeitura Municipal de Pelotas, esse projeto tem como objetivo central fazer face às depredações ao patrimônio cultural edificado ao mesmo tempo em que se pretende inserir o edifício à nova realidade urbana que o circunda. Nesse sentindo, e buscando ainda uma solução que pese pouco aos cofres públicos, a proposta foi construída em torno da pintura da fachada com desenhos comuns ao ambiente urbano utilizando a técnica do graffiti, arte que utiliza as mesmas ferramentas das pichações e estabelece um diálogo entre as paredes e todos que passam pelo local. Para alcançar tal resultado, o projeto deverá ser executado em duas ações: uma oficina de graffiti oferecida aos jovens estudantes da região e a pintura do prédio propriamente dita.

Objetivo Geral

O objetivo geral deste projeto de extensão é realizar uma intervenção artística urbana que utilizará a técnica do graffiti para revitalizar a pintura da fachada restaurada do prédio Antiga Cervejaria Brahma. Essa pintura tem como finalidades: inibir as ações de depredação que vem sendo sofridas pelo prédio colaborando para a preservação do patrimônio cultural edificado do município de Pelotas e fomentar a arte de rua em uma zona urbana de grande circulação de jovens estudantes e trabalhadores.

Justificativa

O imóvel objeto deste projeto, localizado à rua Benjamin Constant, nº. 1071, começou a ser construído em 1889 e abrigou inicialmente a Cervejaria Haertel, de propriedade do Capitão Leopoldo Haertel. Posteriormente, em 1944, o complexo foi adquirido pela Cervejaria Brahma, nome pelo qual é conhecido popularmente (MICHELON, 2013). O conjunto de prédios, construídos em diferentes épocas no mesmo quarteirão, foi doado pelo Município de Pelotas à UFPel em 2012 e incorpora dois exemplares de arquitetura residencial, um dos quais foi restaurado e aloja atualmente o Núcleo de Editora e Livraria.
O prédio é inventariado pelo Município, nível 2, que significa “que ensejam a preservação de suas características arquitetônicas, artísticas e decorativas externas, ou seja, a preservação integral de sua(s) fachada(s) pública(s) e volumetria, as quais possibilitam a leitura tipológica do prédio. Poderão sofrer intervenções internas, desde que mantidas e respeitadas suas características externas.” (PELOTAS, 2008)
Ocorre que, mesmo após a restauração, o prédio vem sendo alvo de ações de depredação, popularmente conhecidas como pichações, que, além de danificar a pintura, promovem uma descaracterização da fachada histórica. Esse tipo de depredação está enquadrado no artigo nº. 65 da lei de crimes ambientais (Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998) como Crime contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural e prevê pena de detenção de três meses a um ano e multa. Inicialmente, a lei não diferenciava pichação de graffiti e ambas intervenções eram criminalizadas, porém, em 2011, ocorreu uma alteração que descriminalizou a prática do graffiti e o artigo passou a vigorar com o seguinte texto:
“§ 2o Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional.” (BRASIL, 1998)
No caso deste projeto, entende-se que é relevante compreender a relação do graffiti com patrimônio histórico a fim de justificar sua execução. Ao mesmo tempo que compreende-se a necessidade de preservar a memória por meio de edificações que possuem ligações históricas, culturais e afetivas com a região onde estão localizadas, também percebe-se que é emergente a necessidade de conectá-las aos atuais transeuntes e aos novos contextos urbanos nas quais estão inseridas. Goyena (2013), ao estudar o caso do graffiti nas paredes do castelo medieval escocês de Kelburn - autorizado pelo instituto Historic Scotland e executado por quatro grafiteiros paulistanos – faz uma reflexão sobre a mutação dos materiais ao longo do tempo e propõe que os atuais movimentos de preservação já não deveriam tratar apenas de montar acervos materiais de culturas passadas, mas também de “juntar-se a suas linhas”, unindo passado e futuro.
“Em um futuro talvez não tão distante, nossas instituições do patrimônio poderão, quem sabe, vir a arriscar uma primeira resposta para as pichações, investindo não nos químicos e ácidos da restauração de fachadas, e sim, ou também, na elaboração de uma boa resposta para tanto recado, usando as mesmas latas de aerossol.” (GOYENA, 2013, p. 215)
Uma última justificativa está relacionada aos custos de manutenção. De acordo com a planta do projeto utilizado para licitação da reforma, a área da fachada pública é de aproximadamente 270 m². Em seu último contrato de pintura predial realizado por meio de pregão por sistema de registro de preços, a UFPel remunerou a empresa licitada em R$ 8,59 (oito reais e cinquenta e nove centavos) por metro quadrado coberto com até quatro demãos de pintura lisa. Com essas informações é possível estimar que a pintura da fachada em questão custaria à universidade o valor aproximado de R$ 2.320,00 (dois mil e trezentos e vinte reais). Porém, lembrando que as pichações são recorrentes, o serviço de pintura precisaria ser periódico para se manter a estética da fachada tal qual aquela obtida ao término do restauro.

REFERÊNCIAS:
Brasil. Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htm. Acesso em: 02 ago 2017.
GOYENA, A. Como grafitar um castelo medieval: street art nas fachadas da nobreza britânica. Interseções, Rio de Janeiro, v. 15 n. 1, p. 194-217, jun. 2013. Disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/intersecoes/article/view/9411. Acesso em: 02 ago 2017.
MICHELON. F. F. (org.). Patrimônio cultural edificado da Universidade Federal de Pelotas: primeiro estudo. Pelotas: Editora da UFPel, 2013.
PELOTAS. Lei nº. 5502, de 11 de setembro de 2008. Institui o Plano Diretor Municipal e estabelece as diretrizes e proposições de ordenamento e desenvolvimento territorial no município de Pelotas. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a1/plano-diretor-pelotas-rs. Acesso em: 02 ago 2017.

Metodologia

Esse projeto foi elaborado em sucessivas reuniões entre dois técnico-administrativos e um estudante do curso de Artes Visuais. A partir das reflexões já realizadas anteriormente, fez-se um esforço de formalizar a ideia original adequando a proposta às exigências legais e ao modelo de um projeto de extensão que verdadeiramente promovesse a interação da Universidade Federal de Pelotas com a comunidade.
Sobre a metodologia de execução do projeto, pode-se melhor caracterizá-la distinguindo entre si as duas ações.
Oficina de Graffiti: Será realizada com um grupo de até 20 jovens alunos de uma ou das duas escolas que ficam próximas ao referido prédio histórico. Os estudantes serão acionados por meio de convites feitos à direção da escola. Durante a execução será apresentada uma introdução ao universo artístico do graffiti demonstrando as noções e os meios técnicos para realização desse tipo de pintura. Será também oportunizado aos participantes a experimentação da técnica com os meios apresentados, promovendo a relação dos estudantes com uma prática artística que incentiva a expressão criativa, a socialização da arte e o trabalho coletivo.
Com[fluência]: Deverá ser aplicada uma cobertura branca na fachada como preparo para a realização da pintura artística. A princípio, o graffiti não será trabalhado sobre tema específico, deixando que a pintura desenvolva-se por si própria, procurando evidenciar o gênero pictórico dessa arte como participante do contexto da arte contemporânea e como participante das discussões sobre novas políticas de conservação do patrimônio histórico da universidade. O objetivo dessa ação é responder às investidas da pichação e degradação deste patrimônio com os mesmos recursos dos pichadores – nesse caso, latas de aerossol ou sprays de tinta – proporcionando outra visualidade para o prédio histórico e o acesso público a um gênero de pintura artística. A criação e execução dos desenhos serão realizadas pelo acadêmico de Artes Visuais e colaborador deste projeto, Rafael Evangelista de Sousa.

Indicadores, Metas e Resultados

– Eliminação dos atuais indícios de depredação do prédio
– Eliminação de ocorrências de pichações
– Feedback dos usuários do espaço, moradores da região e outras pessoas que transitem com frequencia pelo local

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DANIEL DE ALVARENGA BERBARE2
MORGANA RIVA4
RAFAEL EVANGELISTA DE SOUSA

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