Nome do Projeto
Coortes de nascimentos de Ribeirão Preto (SP), Pelotas (RS) e São Luís (MA): determinantes precoces do processo saúde doença no ciclo vital - Uma contribuição das coortes de nascimento brasileiras para o SUS
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/12/2017 - 01/12/2021
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Acompanhar o desenvolvimento humano é fundamental para a compreensão de fatores extrínsecos e intrínsecos que levam a determinado comportamento ou estado ao longo da vida. A epidemiologia do ciclo vital enfatiza que exposições a determinados fatores na vida fetal ou nas fases iniciais da vida extrauterina podem influenciar tanto o desenvolvimento de doenças e agravos não transmissíveis como sobre o capital humano. Estudos de coortes de nascimentos tem tido alta prioridade na agenda de pesquisa em diferentes países. Estes estudos envolvem a definição de um grupo de nascidos vivos em determinado período de tempo e incluem o monitoramento de saúde dos indivíduos ao longo do tempo. A importância dessas coortes vem do reconhecimento de que muitos dos problemas que afetam a vida adulta têm sua origem no início da vida, incluindo a gestação. Estudos que consigam coletar dados ao longo da vida terão informação em qualidade e quantidade suficiente para explorar questões como: obesidade, precursores de outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), capital humano e saúde mental. O Consórcio de Coortes de Nascimento RPS (Ribeirão Preto, Pelotas e São Luís) é uma rede de pesquisa que envolve os três grupos que desenvolvem as coortes de nascimento com maior duração de acompanhamento no Brasil – Pelotas, Ribeirão Preto e São Luís – sendo referência nacional e internacional em estudos de Epidemiologia do Ciclo Vital. O presente projeto tem como principais eixos temáticos a avaliação da saúde mental e capital social, os precursores genéticos, biológicos e comportamentais das doenças crônicas, assim como aspectos nutricionais, de composição corporal e obesidade em diferentes estágios da vida, a nível individual e familiar. Durante o período de vigência deste projeto, pretende-se realizar avaliações de cinco das nove coortes de nascimento em andamento nos centros de pesquisa mencionados. No ano de 2018 está previsto os acompanhamentos das coortes de 2010 de Ribeirão Preto e São Luís, já em 2019 o acompanhamento da coorte de 2004 de Pelotas, em 2020 o acompanhamento da coorte de 1982 de Pelotas, em 2021 o acompanhamento da coorte de 2015 de Pelotas e em 2022 o acompanhamento da coorte de 2004 de Pelotas. Este projeto fornecerá dados sobre aspectos da saúde infantil ainda pouco disponíveis no âmbito nacional, com destaque para a avaliação detalhada da organização familiar, avaliação socioeconômica e histórico de morbidades, violência interpessoal, saúde mental, alimentação, antropometria, composição corporal, densidade mineral óssea, atividade física, função pulmonar, pressão sanguínea, disfunção endotelial, asma e alergia, mecanismos genéticos associados a DCNT, cefaleia e dor, saúde do sono e saúde bucal. As inovações que esta proposta de estudo trará ao Brasil são relacionadas à possibilidade de estudar determinantes de saúde precoces somente obtidos nos estudos longitudinais, assim como aprofundar o conhecimento sobre as consequências de exposições precoces e contemporâneas sobre a saúde em diferentes aspectos ao longo da vida.

Objetivo Geral

Estudos de coorte de nascimentos abarcam um grande número de objetivos. Descrevemos aqui os objetivos gerais dos principais eixos temáticos do projeto.
• Saúde mental e capital social:
Avaliar o desenvolvimento infantil, capacidade cognitiva, habilidades não cognitivas e problemas e transtornos mentais, com foco principal no capital social e na capacidade produtiva e para a vida em sociedade. Em diferentes etapas da vida, avaliar situações como o envolvimento e investimento dos pais na educação e estimulação dos filhos, o efeito da escola na redução das desigualdades nas habilidades cognitivas e não cognitivas, e da violência social no comportamento e transtornos mentais.
• Precursores genéticos, biológicos e comportamentais das doenças crônicas:
Avaliar uma ampla gama de fatores – genéticos, biológicos e comportamentais – que tenham impacto na ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis. Para isso, incluímos a genotipagem de coortes que ainda não o fizeram, coleta de material biológico, exames laboratoriais e extensa coleta de dados sobre comportamentos relacionados a alimentação e atividade física.
• Nutrição, composição corporal e obesidade:
Nos diferentes estágios da vida, avaliar características de consumo alimentar, a distribuição da composição corporal, a prevalência de obesidade, sua tendência temporal e fatores associados em nível individual e familiar.

Justificativa

O apoio oferecido pelo Decit/Ministério da Saúde, em financiamento via CNPq, permitiu que os três centros que gerenciam as mais antigas e maiores coortes de nascimento do Brasil (Ribeirão Preto, Pelotas e São Luís) coordenassem esforços, aumentassem consideravelmente a padronização das avaliações realizadas e trabalhassem de forma mais próxima e simbiótica. Foi possível, nesse período, que locais para as clínicas de avaliação das coortes fossem ampliados e melhorados em Ribeirão Preto e São Luís. Esses dois centros também se equiparam de forma que, hoje, as três cidades têm capacidade semelhante para realizar as avaliações de suas coortes. O apoio do Decit permitiu também uma nova rodada de avaliações das nossas coortes de nascimento, base para uma série de estudos e publicações em preparação que serão altamente relevantes para o avanço do conhecimento na área do ciclo vital e para subsidiar políticas e programas de saúde no Brasil.
A execução do presente projeto dar-se-á pela Universidade Federal de Pelotas por meio de parceria/consórcio com as instituições Universidade de São Paulo (Ribeirão Preto) e Universidade Federal do Maranhão (São Luís) para o desenvolvimento da pesquisa.
Acompanhar o desenvolvimento humano é fundamental para a compreensão de fatores extrínsecos e intrínsecos que levam a determinado comportamento ou estado ao longo da vida. A epidemiologia do ciclo vital enfatiza que exposições a determinados fatores na vida fetal ou nas fases iniciais da vida extrauterina podem influenciar tanto o desenvolvimento de doenças e agravos não transmissíveis como sobre o capital humano. Os estudos em epidemiologia do ciclo vital originaram o ramo da epidemiologia conhecido como origens desenvolvimentistas da saúde e doença (DOHaD na sigla em inglês). Os estudos de coortes de nascimento são fundamentais para se testar hipóteses propostas pelo DOHaD, pois acompanham os indivíduos prospectivamente desde o nascimento (ou gestação) até a idade adulta, investigando possíveis influências em diferentes períodos do ciclo vital.
Estudos de coortes de nascimentos têm tido alta prioridade na agenda de pesquisa em diferentes países. Estes estudos envolvem a definição de um grupo de nascidos vivos em determinado período de tempo e incluem o monitoramento de saúde dos indivíduos ao longo do tempo. A importância dessas coortes vem do reconhecimento de que muitos dos problemas que afetam a vida adulta têm sua origem no início da vida, incluindo a gestação. Estudos que consigam coletar dados ao longo da vida terão informação em qualidade e quantidade suficiente para explorar questões como: obesidade, precursores de outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) do adulto, capital humano e saúde mental.
Em 2010, o projeto denominado “Fatores etiológicos do nascimento pré-termo e fatores perinatais na saúde da criança: coortes de nascimentos em duas cidades brasileiras – BRISA (acrônimo de Brazilian Birth Cohort Studies, Ribeirão Preto and São Luís”), financiado pela FAPESP (proc. N 2008/53593-0), iniciou em dois municípios de características socioeconômicas e demográficas contrastantes: Ribeirão Preto (RP), em São Paulo, localizada em uma das regiões mais ricas no sudeste do país, e São Luís (SL), no Maranhão, uma das regiões mais carentes do Nordeste brasileiro. O principal objetivo do projeto BRISA foi estudar novos fatores de risco para o nascimento pré-termo e suas consequências ao longo da vida. O projeto compreende duas coortes em cada cidade: uma de nascimentos avaliada de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2010 e outra coorte iniciada no pré-natal entre fevereiro de 2010 e fevereiro de 2011 com avaliação no quinto mês de gestação em uma amostra de conveniência; ambas foram entrevistadas por ocasião do nascimento e foram novamente estudadas aos 13 a 30 meses de idade.
No momento da execução do presente projeto, as crianças da coorte BRISA estarão nos primeiros anos da vida escolar (2018-2020), sendo esta uma etapa fundamental para o desenvolvimento da criança do ponto de vista social, comportamental e de saúde. O presente estudo pretende investigar possíveis fatores associados ao crescimento e desenvolvimento das crianças da coorte BRISA. Além disso, o estudo permitirá comparar determinantes de desfechos com as coortes estudadas em 1978/79 e 1994 de RP e com a coorte de 1997/98 de SL tendo em vista que os participantes destas coortes também foram avaliados na idade escolar.
Aspectos inovadores do presente projeto:
1. Devido à importância do acompanhamento ao longo da vida, a coorte BRISA (RP e SL) tem um caráter inédito em relação às outras coortes destas cidades, na medida em que inclui uma coorte que foi acompanhada desde o período pré-natal, o que possibilita investigar a influência de determinadas exposições/fatores precoces da gestação no desenvolvimento da saúde e da doença.
2. O presente projeto visa explorar e utilizar instrumentos e medidas de indicadores de desenvolvimento de doenças crônicas ainda pouco utilizados e investigados em crianças na idade escolar.
3. O projeto pretende investigar aspectos comportamentais e de transtornos do neurodesenvolvimento associados aos hábitos de vida da gestante no período pré-natal, da criança no início da vida e no presente:
- SAÚDE MENTAL: Devido à alta prevalência de transtornos mentais detectados em coortes anteriores, neste estudo serão aplicados instrumentos validados para diagnóstico de problemas de saúde mental (M.I.N.I – DSM V).
- COMPOSIÇÃO CORPORAL: Devido ao crescente aumento do excesso de peso e obesidade em todas as faixas etárias, nesta coorte será realizada a avaliação da composição corporal por meio de equipamentos de alta precisão, como BOD POD (pletismografia), Dual-energy X-ray absorptiometry (DXA), Photonic Scanner. Serão avaliadas a gordura corporal, massa magra, massa mineral óssea, índice de massa corporal e circunferência da cintura.
- ATIVIDADE FÍSICA: Devido a alta prevalência de sedentarismo em todas as faixas etárias, a prática de atividade física será avaliada por questionários e medidas diretas como acelerometria.
- SONO: Nas coortes anteriores foi observado que está ocorrendo aumento na prevalência de privação do sono e redução da sua qualidade. Neste estudo, será realizada uma avaliação mais aprofundada do sono, envolvendo questionários, acelerometria e polissonografia.
- Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA): Nas coortes anteriores foi observado aumento da prevalência de hipertensão arterial em idade precoce. Neste estudo, será realizado o MAPA para se avaliar a variação da pressão arterial ao longo do dia, incluindo vigília e sono, e desta forma ter uma avaliação mais completa e precisa das alterações da pressão arterial.
Além disso, o Consórcio de Coortes de Nascimento RPS (Ribeirão Preto, Pelotas e São Luís), que estuda Epidemiologia do Ciclo Vital, terá sua coordenação baseada na Universidade Federal de Pelotas, no Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. Estas coortes têm dado contribuições relevantes para o conhecimento científico e para a Saúde Pública, tendo gerado mais de 400 publicações em periódicos indexados. A harmonização dos procedimentos de coleta de dados sobre fatores de risco e desfechos a serem avaliados nas próximas visitas das coortes foi uma das primeiras atividades desenvolvidas neste projeto. O uso de procedimentos similares para a coleta de dados é importante, tornando possível a realização de análises conjuntas, o que além de proporcionar experiência de trabalho em rede, aumenta o tamanho de amostra e o poder estatístico do estudo. Além disso, a comparação entre associações, oriundas de populações com diferentes padrões de confundimento, aumenta a inferência causal dos estudos, gerando produtos de alto impacto. Os participantes do Consórcio RPS têm experiência na realização de análises colaborativas com outros grupos nacionais e internacionais.
Por fim, salienta-se que as missões do Consórcio RPS incluem a formação de recursos humanos, pesquisa, transferência de conhecimento e internacionalização. No que concerne à formação de recursos humanos, os três centros participantes do Consórcio RPS têm estreita relação com programas de pós-graduação. Os programas participantes da Universidade Federal de Pelotas apresentam conceito de excelência (conceito 7), como também o programa de pós-graduação em Saúde da Criança e Adolescente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (conceito 6). O Programa em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Maranhão recebeu o conceito 5 na última avaliação quadrienal da CAPES. O reconhecimento da excelência das atividades de formação de recursos humanos na avaliação da CAPES demonstra a capacidade do Consórcio RPS para contribuir na formação de recursos humanos com alta qualificação e capacitados a desenvolver atividades de pesquisa de vanguarda em epidemiologia do ciclo vital. As atividades de pesquisa desenvolvidas pelos participantes do Consórcio RPS contam com a participação de 53 professores, 112 alunos de pós-graduação e 38 bolsistas de iniciação científica.

Metodologia

O Consórcio de Coortes de Nascimento RPS (Ribeirão Preto, Pelotas e São Luís) que estuda Epidemiologia do Ciclo Vital, é uma rede de pesquisa que envolve os três grupos que desenvolvem as coortes de nascimento com maior duração de acompanhamento no Brasil – Pelotas, Ribeirão Preto e São Luís. A coordenação do Consórcio RPS será baseada na Universidade Federal de Pelotas, no Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia.
Coortes de Nascimento de Pelotas:
A coorte de 1982 identificou todos os nascimentos ocorridos nas maternidades da cidade durante o ano e aqueles nascidos vivos cuja família residia na zona urbana da cidade (n=5914) foram examinados e as suas mães entrevistadas. Em anos posteriores, 1983, 1984, 1986, 1997, 2000, 2001, 2004 e 2012 novos acompanhamentos foram realizados. A maioria deles incluiu subamostras da coorte, com exceção dos acompanhamentos de 2, 4 e 23 anos. Aos 30 anos, além das medidas coletadas nos outros acompanhamentos, avaliamos a composição corporal (usando BOD POD), a densidade mineral óssea (usando DXA), a espessura da camada íntima da carótida, a espessura da gordura visceral e subcutânea abdominal (usando ultrassom), função pulmonar, força de preensão manual, espessura do musculo abdutor do polegar e avaliação psicológica com medida do QI. Nos acompanhamentos de 2000, 2004 e 2012, amostras de sangue foram obtidas e armazenadas. DNA obtido na visita de 2004 foi genotipado. Durante a vigência do INCT-CV planejamos realizar nova visita a coorte de 1982, em 2017 (35 anos de idade) nesta visita a estratégia de identificação e acompanhamento dos participantes da coorte será similar à usada em visitas anteriores. O acompanhamento aos 38 anos também será feito na clínica de pesquisa e o exame físico incluirá os mesmos exames realizados aos 30 anos de idade.
Em 1993, iniciou a segunda coorte de nascimento em Pelotas, que também identificou todos os nascimentos hospitalares, foram identificados 5304 recém-nascidos. Subamostras foram acompanhadas com 1, 3, 6 e 12 meses e 4 anos de idade. Aos 11, 15, 18 e 22 anos todos os participantes foram convidados e entrevistados e examinados. Aos 18 e 22 anos o exame físico incluiu a medida da composição corporal, da densidade mineral óssea, a espessura da camada íntima da carótida (somente 18 anos), função pulmonar, espessura do músculo abdutor do polegar e circunferência abdominal. Aos 15 e 18 anos de idade amostras de sangue foram obtidas e DNA foi extraído e o material foi armazenado. Aos 18 anos o QI foi mensurado.
A terceira coorte de nascimentos de Pelotas tem acompanhado todos os nascimentos hospitalares que ocorreram em 2004, foram identificados 4231 recém-nascidos. Com 3 e 12 meses e aos 2, 4 e 6 anos de idade se tentou acompanhar todas as crianças pertencentes à coorte. Em todas as visitas, os responsáveis pelas crianças foram entrevistados e as crianças pesadas e medidas, aos 6 anos de idade o exame físico também incluiu a medida da circunferência abdominal, perímetro braquial, composição corporal, da densidade mineral óssea, pressão arterial e função pulmonar. A atividade física foi avaliada usando acelerômetro e a entrevista psicológica incluiu a medida do QI. DNA foi extraído e armazenado. Os participantes da coorte de 2004 serão avaliados ao longo do ano de 2015, ao completarem 11 anos. As mães serão contatadas a partir dos endereços e telefones registrados na última visita e convidadas a comparecer à clínica juntamente com seus filhos. Utilizaremos registros escolares para identificar crianças e esperamos avaliar cerca de 85% da coorte (N=3500).
Com intuito de avaliar detalhadamente as condições pré-natais maternas, a coorte de nascimentos de 2015 teve início durante a gestação, buscando uma melhor compreensão das relações entre exposições intrauterinas e do início da vida e a saúde materna e infantil. Estratégia de seleção inicial foi similar àquela usada nas coortes anteriores. Aos 3 meses, 1 e 2 anos de idade, todas as crianças e as mães da coorte foram convidadas a participar e foram avaliados eventos neonatais e do início da infância, assim como medidas antropométricas. Peso e altura da mãe e nível de atividade física foram coletados. Aos 4 e 6 anos de idade, novamente se tentará acompanhar toda a coorte.
Coortes de Nascimento de Ribeirão Preto:
Entre junho de 1978 e maio de 1979, as oito maternidades localizadas em Ribeirão Preto foram visitas e as mães residentes no município entrevistadas, visando analisar o comportamento de alguns indicadores da saúde perinatal nas diferentes classes sociais e suas associações com variáveis maternas, biológicas e socioeconômicas. Na idade escolar entre 8 e 11 anos novo acompanhamento foi realizado. Durante alistamento militar (18 anos) os meninos também foram acessados. Nessas reavaliações, foram estudadas repercussões das condições perinatais sobre o crescimento, estado nutricional e outras condições de vida e saúde. Entre 2002 e 2004, 33% dos participantes foram acompanhados e avaliado o efeito de exposições desde o pré-natal até o início da vida adulta sobre o crescimento e perfil de risco para DCNT.
Em 1994, nova coorte em Ribeirão Preto foi composta, incluindo amostra de 1/3 dos nascimentos consecutivos. Uma amostra desta coorte foi avaliada em 2004/05 (10/11 anos) por meio de delineamento complexo de amostragem. Um terceiro estudo foi desenvolvido a partir de 2010 em Ribeirão Preto e em São Luís para identificar novos fatores de risco para o nascimento pré-termo e consequências ao longo da vida. Esse compreende uma coorte de nascimentos avaliada de 1/01 a 31/12 de 2010. Em Ribeirão Preto o estudo foi conduzido nos oito hospitais com serviço de maternidade da cidade. Todas as puérperas procedentes do município foram convidadas a participar. Entre 2011 e 2013 foi realizado o primeiro seguimento destas crianças.
Coortes de Nascimento de São Luís:
Em São Luís a coorte de 1997/98 estudou 2493 nascimentos vivos hospitalares, de 03/97 a 02/98. Foi obtida amostra estratificada por maternidade de 1/7 dos nascimentos. As mães foram entrevistadas por meio de questionário padronizado e foram aferidos peso, comprimento e perimétrico cefálico dos RNs. Foram acompanhados novamente aos 7-9 anos, por meio de amostragem e estudados desfechos em saúde. O segundo acompanhamento desta coorte ocorrerá aos 16-18 anos dos jovens.
Foi realizada a segunda coorte de nascimentos de São Luís, composta por 5166 nascidos vivos hospitalares, decorrentes de amostra estratificada por maternidade de 1/3 dos nascimentos de 2010. Aos 2 anos novo acompanhamento foi realizado com entrevistas e medidas e para uma subamostra foi aplicada a escala Bayley III, verificado consumo alimentar, anemia e exame odontológico.
Em 2009/2010 foi também estudada coorte iniciada no pré-natal (N=1447). As mulheres foram entrevistadas da 22a à 25a semana de gestação, sendo investigadas uma serie de indicadores em saúde e coletadas amostras para análises bioquímicas.
Logística geral:
Durante o período de vigência deste projeto, planejamos realizar os seguintes acompanhamentos:
2018 – acompanhamentos das coortes de 2010 de Ribeirão Preto e São Luís (8 anos)
2019 – acompanhamento da coorte de 2004 de Pelotas (15 anos)
2020 – acompanhamento da coorte de 1982 de Pelotas (38 anos)
2021 – acompanhamento da coorte d 2015 de Pelotas (6 anos)
2022 – acompanhamento da coorte de 2004 de Pelotas (18 anos)
Os aspectos a serem estudados em cada uma dessas visitas são: constituição familiar; avaliação socioeconômica e histórico de morbidades (cuidado da criança, saúde da criança, características da mãe, família e domicílio, gastos com saúde e saúde materna); violência interpessoal; transtornos mentais e QI; alimentação; antropometria (peso e estatura); composição corporal e densidade óssea (via 3-Dimensional Photonic Scanner, BodPod e DXA); atividade física; função pulmonar; pressão sanguínea; disfunção endotelial (VOP); asma e alergia; coleta de sangue e extração de DNA (mecanismos genéticos para DCNT); cefaleia e dor; qualidade do sono (questionário e polissonografia); saúde bucal.

Indicadores, Metas e Resultados

Resultados Esperados:
• Investigar em crianças na idade escolar os desfechos relacionados a exposições a fatores de risco no período fetal, logo após o nascimento e aos dois anos de idade. Os desfechos principais incluem precursores de DCNT, indicadores de saúde mental, dermatoses e indutores de asma, violência, cefaleia e dor e saúde do sono. A proposta envolve duas cidades localizadas em regiões distintas do país, com marcantes diferenças sociais, econômicas e culturais, o que permitirá explorar essa diversidade. Espera-se detectar determinantes comuns aos dois locais e também particularidades em cada local específico.
• Os dados do presente projeto serão comparados aos escolares das coortes de nascidos em 1978/79 e 1994 em RP e 1997/1998 em SL, que também foram avaliados na idade escolar e seguem sendo acompanhados atualmente no projeto. Esta comparação entre coortes permitirá observar mudanças e tendências ao longo do tempo. Desta forma, pretende-se relacionar tendências temporais a desigualdades socioeconômicas e étnicas, como também a mudanças culturais, ambientais e na atenção à saúde num período de mais de três décadas. Espera-se destacar as diferenças regionais de acordo com o grau de evolução das mudanças ocorridas em cada local, tanto nos determinantes quanto nos desfechos.
• Coletar dados de qualidade sobre precursores de doenças crônicas e demais condições descritas para avaliar em diferentes dimensões a saúde da criança na idade escolar. Ainda, o armazenamento dos dados para análises futuras permitirá observar as associações entre exposições a diferentes fatores no presente com o desenvolvimento da saúde e da doença ao longo do tempo. Assim, espera-se contribuir com informações que permitam intervenções para promoção de saúde na população, fornecendo subsídios para atuação mais efetiva das políticas públicas desaúde;
• Fortalecer e expandir a rede de colaboração dos estudos de coorte de nascimentos no Brasil, para explorar da melhor forma todo o potencial que apresentam: ora reunindo informações para análises integradas, onde resultados similares reforçamos achados de um único local; ora utilizando as diferenças culturais e sociais entre as cidades para entender como esses aspectos se relacionam com os desfechos de interesse.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADRIANA CRISTINA ARGEU
ADRIANA KRAMER FIALA MACHADO
ALESSANDRA MAIA ALMEIDA
ALICIA MATIJASEVICH MANITTO
ALUISIO JARDIM DORNELLAS DE BARROS1
ANA CECILIA DE BATISTA SOARES CAPPUA
ANA CLÁUDIA PEREIRA DE MEDEIROS
ANA PAULA DA SILVA IRALA
ANA PAULA MAIA ALMEIDA
ANDREA HOMSI DAMASO
ANDRÉIA COELHO DOS SANTOS
ANELIZE MILANO CARDOSO
ANTÔNIO AUGUSTO MOURA DA SILVA
BERNARDO LESSA HORTA4
BIANCA DEL PONTE DA SILVA
BRUNA CELESTINO SCHNEIDER
BRUNA DA SILVEIRA BORBA
BRUNA GONÇALVES CORDEIRO DA SILVA
BRUNO IORIO KÖNSGEN
CALEBE DIAS BORGES
CAROLINE RECHLINSKI PINTO
CAROLINE SCHEER DIAS
CATIÚSCIA DANIELA MACHADO SOUZA PONS
Carla Rossela Machado dos Santos
Clair do Espirito Santo Cardoso
Clea Neves de Azevedo
DANIELE BEHLING DE MELLO
DANIELE CAMPELO TAVARES
DANIELE CRISTINE HOFFMANN SCHLESENER
DANIELLE CAMPELO GONÇALVES
DEISE CRISTINA VELEDA MODESTO
DIEGO DOS SANTOS RIBEIRO
Debora Silva Duarte
Denise Rodrigues Mendes
EDSON FROZZA
ELIANA DA COSTA RAMOS
ELIZE BIANCA NIEDERAUER BERNARDI
Eduarda Cabreira Oliveira
FABIANA DIAS VIANNA
FABIANE VIDAL SILVEIRA
FERNANDA FERNANDES BASTOS
FERNANDA WINKLER DE FIGUEIREDO
FERNANDO PIRES HARTWIG
FERNANDO SILVA GUIMARÃES
FRANCINE BASTOS MAAGH
FRANCINE DOS SANTOS COSTA
FRANCINE SILVA DOS SANTOS
Fabiana Sopeña Vasconcelos
GABRIELA CALLO QUINTE
GABRIELA KURZ DA CUNHA
GELCI DE LIMA NUNES MILECH
HELEN DENISE GONCALVES DA SILVA1
HELOISA BETTIOL
IGOR SOARES VIEIRA
INA DA SILVA DOS SANTOS1
ISABEL NUNES OPPITZ
ISABEL OLIVEIRA BIERHALS
ISAQUE FARIAS LISBOA
IVE SOUZA CONCEIÇÃO LOPES
IVETTE HELENA PRESTES DA ROSA
JOSEPH MURRAY
JOSIMARA GONÇALVES SCHUSTER
Jaiane de Moraes Boton
JÉSSICA DAMÉ HENSE
KAREN YUMAIRA SÁNCHEZ LUQUEZ
LETICIA CALDAS LOPES
LUCIANA TOVO RODRIGUES4
LUIZE BARBOSA ANTUNES
LUSIARA HELENE VILELA DA SILVA
LUÍS PAULO VIDALETTI RUAS
Leticia Carrett Fagundes
Letícia Garcia dos Santos
MANOELA TEIXEIRA DA SILVA
MARCO ANTONIO BARBIERI
MARIA ALICE MENARÉ SIAS
MARIANA DA CUNHA AIRES
MARIANE DA SILVA DIAS
MARINA XAVIER CARPENA
MARLA DOS SANTOS AFONSO
MARLOS RODRIGUES DOMINGUES
MARTIELE DA SILVA OLIVEIRA
MAYRA PACHECO FERNANDES
MAYRA PACHECO FERNANDES
MORGANA MARTINS CRIZEL
Matteo Marques da Silva
NATALIA RODRIGUES CARDOZO
NATÁLIA PEIXOTO LIMA
NEIVA CRISTINA JORGE VALLE
Natália Bohm Bonow
PAOLA BORK ABIB KOHN
PATRICK BRASIL ALMEIDA
PATRÍCIA BOSENBECKER HELLWIG
PATRÍCIA DA SILVA VIEIRA
PAULA LEIVAS PEREIRA
PEDRO AUGUSTO CRESPO DA SILVA
PEDRO AUGUSTO CRESPO DA SILVA
PRISCILA LAUTENSCHLÄGER
PRISCILA LAUZ COUTO
QUEZIA CRISPA ISNARDI
RAQUEL KITAMURA REIMERS
RENATA MORAES BIELEMANN
ROBERTA SOCOOWSKI BRITTO
ROBERTA XAVIER GONÇALVES
ROMINA BUFFARINI
ROSANA PAZINI
ROSÂNGELA FERNANDES LUCENA BATISTA
Renata Cantos Castro
SABRINA DUMMER VAZ
SHANA GINAR DA SILVA
SILVANA DOS SANTOS GONZALES
SIMONE FARIAS ANTUNEZ REIS
Silvia Maria da Silva Pinto
THAIS MARTINS DA SILVA
TIAGO NEUENFELD MUNHOZ
TIAGO SILVA DOS SANTOS
VALQUIRIA PORTO GARCEZ
VANESSA DA SILVA SOPEÑA
VINICIUS BERNE DA COSTA
VITÓRIA GRACIÉLA QUANDT
VITÓRIA MARTINEZ DE OLIVEIRA

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
Dcit/SCTIE/MS / Departamento de Ciência e Tecnologia / Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos / Ministério da SaúdeR$ 15.367.000,00Fundação Delfim Mendes da Silveira
Dcit/SCTIE/MS / Departamento de Ciência e Tecnologia / Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos / Ministério da SaúdeR$ 5.225.550,00UFMA - Universidade Federal do Maranhão

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
BolsasR$ 10.308.000,00
Outros encargosR$ 1.840.000,00
Hospedagem e alimentaçãoR$ 220.000,00
Despesa administrativa da fundação de apoioR$ 1.872.050,00
Outros serviçosR$ 1.164.000,00
Passagens e despesas com locomoçãoR$ 981.000,00
Despesas com diáriasR$ 294.000,00
Material de expedienteR$ 58.500,00
Material de laboratórioR$ 2.340.000,00
Produtos HospitalaresR$ 480.000,00
Equipamentos e material permanente (móveis, máquinas, livros, aparelhos etc.)R$ 1.035.000,00

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