Nome do Projeto
PROJETO PARA IMPLANTAÇÃO DO "CENTRO CULTURAL ESTAÇÃO FERROVIÁRIA"
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
21/10/2019 - 08/12/2021
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Sociais Aplicadas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Educação
Linha de Extensão
Patrimônio cultural, histórico e natural
Resumo
O presente projeto visa apresentar e indicar as diretrizes e etapas para implementação do "Centro Cultural Estação Ferroviária" de Pelotas, Rio Grande do Sul. O principal objetivo do centro é gerenciar, promover e pesquisar sobre a memória e a história dos sujeitos envolvidos com o transporte e a mobilidade urbana da cidade. Gerenciar significa reunir um acervo material (objetos, documentos, fotografias, mapas, entre outros) e imaterial (entrevistas com trabalhadores da estação e de outras formas de transporte, os usuários e moradores do entorno da estação) para alimentar não apenas um memorial dedicado aos trabalhadores e usuários do transporte urbano, mas um centro cultural destinado a produzir e divulgar conhecimento a partir desses vestígios. A promoção não deve ser limitada a produção e exposição de um memorial dos transportes e das formas de mobilidade urbana. Promoção envolve educação. Por essa razão a proposta tem como previsão a implantação de um centro cultural, e não apenas o memorial. A partir do memorial é possível planejar atividades educativas em parceria com escolas municipais e estaduais, das redes públicas e privadas, e com a Secretaria Municipal dos Transportes e Trânsito do município. Entender a historicidade dessas mudanças, como elas afetaram a vida na cidade, faz parte das atividades de um centro cultural destinado a pensar a importância da mobilidade urbana para a região. O centro cultural objetiva não apenas apresentar aspectos relacionadas ao papel social e econômico dos transportes na região, mas alcançar as sociabilidades, sensibilidades, percepções e imaginários em torno da mobilidade urbana. Por isso planejar atividades educacionais que articulem educação, transportes e planejamento urbano é um dos grandes objetivos do centro. As atividades de pesquisa estão relacionadas com a gerência do acervo e com sua promoção. Museus, arquivos, memoriais, bibliotecas não devem ser encarados como depósito de objetos, mas como instituições que guardam, conservam, estudam seu acervo, para proporcionar resultados para a comunidade em que estão inseridos. Como centro cultural, articular as atividades de gerenciamento, promoção e pesquisa é fundamental. Tendo como meta alcançar esses três eixos (gerenciar, promover e pesquisar), a implantação do "Centro Cultural Estação Ferroviária" pode atuar na democratização de um acervo da história da mobilidade urbana local. O projeto propõem, portanto, um centro cultural que transcenda a ferrovia, buscando construir um local de referência sobre transportes e mobilidade urbana no município. Formar esse centro no prédio da estação é fundamental, pois a instalação das estradas de ferro no Rio Grande do Sul, processo que ocorreu, de forma geral, entre as décadas finais do século XIX e início do século XX, assinalou transformações urbanas significativas que afetaram a própria configuração espacial das cidades em que os trilhos foram instalados. A estação férrea é entendida, portanto, como um momento único para os transportes na região e para o desenvolvimento urbano pelotense.

Objetivo Geral

Objetivo geral

Propor a implantação de um centro cultural no prédio da Estação Ferroviária destinado a ser um memorial da estação e um local para pensar sobre o papel dos transportes e da mobilidade urbana no município e região, desenvolvendo atividades de pesquisa e ensino a partir de parcerias entre a Universidade Federal de Pelotas, Prefeitura Municipal de Pelotas e suas secretarias.

Objetivos específicos

• Reunir, preservar e conservar a memória dos ferroviários e demais trabalhadores e passageiros de diferentes modalidades de transporte: local, intermunicipal, comercial.
• Elaborar um plano expográfico para o memorial da estação ferroviária, que apresente a história dos transportes e da mobilidade urbana pelotense, indicando o papel da estação nesse processo.
• Coletar acervo, materiais e imateriais, sobre a estação ferroviária e meios de transporte de Pelotas e região.
• Desenvolver atividades de pesquisa sobre a estação férrea e demais meios de transporte da região a partir do acervo já disponível e da previsão de ampliação do mesmo - objetos, documentos, entrevistas com trabalhadores e passageiros.
• Desenvolver atividades educativas sobre o papel dos transportes, das regras do trânsito, da mobilidade urbana em parceria com a Prefeitura Municipal e demais secretarias: Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (STT), Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SMED), Secretaria Municipal da Cultura (SECULT).
• Buscar parcerias com instituições privadas que tenham interesse em contribuir para o desenvolvimento do centro cultural: empresas vinculadas ao ramo dos transportes e no entorno da estação.
• Construir um espaço de memória e centro cultural destinado aos trabalhadores dos diferentes ramos do transportes, incluindo e envolvendo esses profissionais nos debates sobre a elaboração desse centro, de seus projetos e atividades.
• Organizar eventos, encontros, seminários voltados para pensar, refletir e debater sobre os transportes e o trânsito no município.
• Estabelecer um centro de referência para estudos sobre transportes e mobilidade urbana.

Justificativa

A justificativa para a construção de um centro cultural voltado para conservação, promoção e pesquisa da história e da memória da mobilidade urbana de Pelotas está centrada, primeiramente, na necessidade de valorizar o espaço urbano ferroviário, que compreende o prédio da estação, o seu entorno (ruas, prédios, trilhos, etc.), o maquinário remanescente e o acervo disponível para construção de um memorial. É importante destacar que conforme indicado no III Plano Diretor de Pelotas instituído pela Lei nº 5.502 de 2008, a Estação Férrea é reconhecida como Foco de Especial Interesse Cultural, por apresentar um estrutura passível de readequação funcional, pelo prédio da estação ser protegido por tombamento municipal, pela importância histórica da área como marco urbano, que compreende também o Largo de Portugal. (RIBEIRO, 2016, p.87-88). Compreendendo a estação férrea como um marco para a história da cidade, dos transportes e da mobilidade urbana, o centro cultural não deve ficar restrito apenas a história da estação, da ferrovia e dos trens. Pelotas foi equipada com um porto fluvial em 1832 e atendida, posteriormente, pela malha ferroviária que ligava a cidade à região da campanha e ao porto de Rio Grande. (BRITTO, 2011, p.45). A ferrovia marca um novo momento na história do estado no que tange aos transportes, desenvolvimento urbano e crescimento populacional das cidades em que foram instaladas estações. Em 1884 é inaugurada a Estação Ferroviária de Pelotas. A linha que passa por Pelotas é uma das quatro principais que foram construídas nas décadas finais do século XIX (essas quatro linhas eram: Estrada de Ferro Porto Alegre - Uruguaiana; Estrada de Ferro Rio Grande - Bagé; Estrada de Ferro Santa Maria - Marcelino Ramos; Estrada de Ferro Barra do Quaraí - Itaqui). (IPHAE, 2002, p. 19). A linha férrea promoveu o desenvolvimento de toda a região, facilitando transporte de mercadorias e pessoas, além do estimulo para o crescimento urbano e populacional. Sua importância para a economia foi fundamental. O período da instalação da estrada de ferro coincide, em Pelotas, com um período identificado por Magalhães (1993) como auge "sócio-cultural" e de expansão urbana, resultado da riqueza acumulada pela economia charqueadora assentada no braço escravo. Portanto, a instalação de uma estação central em Pelotas foi um grande acontecimento, consolidando a posição central que a cidade ocupava no mapa do estado. No entanto, o impacto da estação e da estrada de ferro não foi sentido apenas nas atividades econômicas. Transformações nas formas de sociabilidade urbana também podem ser observadas: "a primeira transformação nas práticas sociais urbanas em virtude da presença ferroviária foi a preparação para a chegada do trem à gare." (SCHMITZ, 2013, p.152). Com a passagem do trem, os periódicos locais forma obrigados a publicar os horários de chegada e partida das locomotivas; os horários dos bondes e demais transportes locais se adequaram ao horário do trem, mudando a rotina cotidiana da mobilidade urbana; foi necessário acompanhar as mudanças nos horários em função dos feriados e finais de semana, com três de excursão e lazer que saiam da cidade para outras localidades. A imprensa, além de se adequar ao novo tempo instaurado pelo trem, encontrou um novo nicho de acontecimentos urbanos para ser explorado, contribuindo para tornar a prática de "partidas" e "chegadas" na estação um hábito citadino. (SCHMITZ, 2013). A chegada do trem, quando trazia um político importante, ou mesmo um cidadão "notório", de alguma família da elite pelotense, passou a constituir um acontecimento que quebrava a rotina urbana. "O espaço da estação, essencialmente construído para um serviço prático de transporte e passageiros, se transformou em um local de festa, abrigando bandas de música e explosões de foguetes," (SCHMITZ, 2013, p.153-154). Ou seja, a estação passou a ser incorporada como um espaço de prática política e representação de status social de determinados passageiros. A prática de ir à estação, em um primeiro olhar, pode parecer comum, ou sem relevância histórica. No entanto, permite entrever o sistema de significados atribuídos ao espaço ferroviário e ao ato de viajar: é como se, ao tomar o trem, o passageiro passasse a instituir uma relação com a cidade - seja de distanciamento ou aproximação, conforme o sentido da viagem - , necessitando do "ritual" das despedidas ou recepções para que esta ligação se efetivasse. (SCHMITZ, 2013, p.159). Esse novo local ensejou, ou ressignificou, novas práticas relacionadas aos transportes e os modos de vida. Ir até a estação era uma prática social que possibilitava aos sujeitos aparecer em um cenário social urbano. "O ato de ir à estação da estrada de ferro para acompanhar ou receber quem viajava, como se pode afirmar pelo número de matérias publicadas pelos jornais, foi se tornando uma prática comum na vivência urbana de Pelotas." (SCHMITZ, 2013, p.179). Juntamente com a afirmação da estação férrea como uma representação do "progresso" e da "modernização" urbana, ensejando alterações nas práticas sociais da urbe, outras representações, também ligadas aos transportes e a ferrovia podem ser destacadas. Michelon (2004) observa algumas imagens que foram importantes para representar o desenvolvimento da cidade, entre o conjunto de fotografias analisados pela autora, meios de transportes e vias de acesso figuram entre as principais representação da cidade nas primeiras décadas do século XX. A ferrovia portanto, está relacionada à procria história do desenvolvimento da cidade. Nos trilhos, além do "progresso", ficaram vivências da população, seja como usuários, funcionários, transeuntes. Toda essa riqueza de possibilidades memoriais e patrimoniais será abordada pelo projeto a fim de dotar o futuro centro com um espaço cultural e educativo, trazendo novamente "vida" à Estação.

Metodologia

Consistirá na pesquisa e reunião de materiais concernentes ao tema; Entrevistas com a comunidade envolvida; Produção de material para a exposição do Centro, incluindo audio-visual.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se a consolidação do Centro e sua apropriação pela comunidade.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADRIANE BORDA ALMEIDA DA SILVA2
ANA MARÍA SOSA GONZÁLEZ5
ANALIA PATRICIA GARCIA
ANDREA LACERDA BACHETTINI2
ANDRÉA CUNHA MESSIAS
ARISTIDES FERREIRA BRANQUINHO TARANTI
BEATRIZ HOBUS HARTWIG
CARLA RODRIGUES GASTAUD1
CARLA ROSANE RIBEIRO DE PAULA
CARLOS EDUARDO AVILA BAUER
CRISTIANE DOS SANTOS NUNES
DANIEL REIS GONCALVES
DANIELA DE SOUZA BANDEIRA
DANIELA VIEIRA GOULARTE
DANIELE BORGES BEZERRA
DANIELE BORGES BEZERRA6
DARLAN DE MAMANN MARCHI
DARLAN DE MAMANN MARCHI3
DARLENE VILANOVA SABANY
DENIZE BEATRIZ DIAS SINOTT
DESIRÉE NOBRE SALASAR
EDUARDA GABRIELA AGRELLO AVILA
EDUARDO ROBERTO JORDÃO KNACK
ESTER TEIXEIRA GONCALVES
ETIANE MESSA VALERIO
FELIPPE BEJARANO BAZI
GABRIEL IVAN SOEIRO BICHO
GUILHERME RIBEIRO CORRÊA2
GUILHERME RODRIGUES DE RODRIGUES
GUILHERME RODRIGUES DE RODRIGUES
GUILLERMO STEFANO ROSA GÓMEZ
HAMILTON OLIVEIRA BITTENCOURT JÚNIOR4
JANESSA DE MATTOS CARDOSO
JOAO PAULO AMARO DE MOURA
JOAO VICTOR DOS SANTOS ROSSALES
JOSSANA PEIL COELHO
JUAN DA SILVA MENDES
JULIANA CAVALHEIRO RODRIGHIERO
JULIANA CAVALHEIRO RODRIGHIERO
JULIANE CONCEICAO PRIMON SERRES15
LEANDRO FREITAS PEREIRA
LEANDRO INFANTINI DA ROSA
LEILA REGINA DA SILVA FABRES
LEONARDO MONTEIRO ALVES
LIDIANE ELIZABETE FRIDERICHS4
LUCAS MOURA BARBOZA
LUCAS ZUCHOSKI CEGLINSKI
LUCIANA DE CASTRO NEVES COSTA
LUIZ SABINO PEREIRA NETTO
Letícia Quintana Lopes
MAGDA VILLANOVA NUNES
MARCELO SILVA DOS SANTOS
MARIANA BENITEZ FERRO
MARIANA PLANTZ DOS SANTOS
MARISTELA ZLUHAN FENZKE
NADIA MIRANDA LESCHKO2
PAMELA KAROW DOS SANTOS
RAYANNE MATIAS VILLARINHO
RENAN MARQUES AZEVEDO DA MATA
RICARDO CARDOSO CARDOSO
RITA JULIANA SOARES POLONI
Ronney Bruno da Silva Corrêa
SIDNEY GONÇALVES VIEIRA2
SIMONE RASSMUSSEN NEUTZLING
TATIANA AIRES TAVARES2
TATIANE DA SILVA CASSAIS
TATIANI ALVES RODRIGUES DE ABREU
THIAGO BÄRWALDT CARDOZO
TÂNIZE MACHADO GARCIA
VALÉRIA BORGES
VERIDIANE DA ROSA GRIMMLER
VINÍCIUS KRÜGER DA COSTA
VITORIA DE OLIVEIRA SOARES

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