Nome do Projeto
LEVANTAMENTO DE DADOS E AVALIAÇÃO SOBRE OS RISCOS PSICOSSOCIAIS E CLIMA ORGANIZACIONAL RELACIONADOS AO TRABALHO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
19/06/2026 - 31/12/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Resumo
Os riscos no trabalho fazem referência a danos “à integridade física ou mental de um trabalhador, seja na forma de um transtorno ou doença, seja por lesão ou acidentes de trabalho”, ou seja, o risco está relacionado ao adoecimento. Também, os riscos psicossociais representam os danos produzidos (como, por exemplo, o desenvolvimento de transtornos depressivos e ansiosos, os acidentes de trabalho, a morte por suicídio, o tabagismo, o alcoolismo etc.); e os fatores de risco psicossociais seriam aquelas ocorrências que aumentariam a probabilidade dos riscos (por exemplo, o assédio moral no trabalho, as jornadas extenuantes, a desorganização no trabalho, as relações pouco amistosas, a falta de recursos tecnológicos e humanos etc). Assim, os riscos psicossociais englobam “a produção de efeitos deletérios sobre a saúde dos trabalhadores, resultantes da exposição aguda ou crônica aos fatores de risco psicossociais concepção de risco se vincula, neste caso, ao adoecimento em si".O cenário normativo brasileiro avançou significativamente com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) em 2024. A nova diretriz torna obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), reconhecendo o impacto negativo desses fatores na saúde dos trabalhadores, na produtividade e nos custos previdenciários. Nesse contexto, a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), por meio da Coordenação de Saúde e Qualidade de Vida (CSQV/PROGEP), propõe realizar um levantamento diagnóstico sobre os fatores de riscos psicossociais e o clima organizacional da instituição. O objetivo é mapear a realidade local para subsidiar a criação de um protocolo de avaliação próprio e implementar estratégias preventivas e de promoção à saúde. A iniciativa está alinhada à Política de Atenção à Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público Federal (PASS) e ao princípio da integralidade em saúde. Para a coleta de dados, a UFPEL utilizará instrumentos validados: Para Riscos Psicossociais: O Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais (PROART), que analisa a organização do trabalho, estilos de gestão, indicadores de sofrimento patogênico e danos decorrentes do trabalho. Para Clima Organizacional: o questionário desenvolvido por Tybel (2018), focado nas especificidades do setor público, abrangendo categorias como imagem institucional, desenvolvimento de RH, ambiente de trabalho, relacionamento interpessoal, comportamento das chefias e satisfação pessoal. O estudo permitirá cruzar dados entre dimensões do trabalho e diferentes grupos demográficos de servidores técnicos e docentes. Os resultados servirão de base para a formulação de políticas de saúde ocupacional baseadas em evidências, visando transformar o ambiente de trabalho, reduzir o adoecimento e fortalecer a gestão de pessoas na universidade.

Objetivo Geral

Realizar o levantamento de dados e avaliação dos riscos psicossociais e clima organizacional no trabalho de servidores técnicos e docentes a partir do modelo teórico PROART (Facas, 2021; Facas & Mendes, 2018; Rodrigues et al., 2020; Pereira et al., 2025) e do questionário de clima organizacional de Tybel (2018) para subsidiar posteriores políticas de saúde no trabalho na UFPEL.

Justificativa

Em maio de 2025, o Governo Federal, a partir da Portaria 1.419 de 2024
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), incluiu os riscos psicossociais no
Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), a partir da atualização da Norma
Regulamentadora 1 (NR-1) . Tal medida, que terá vigência plena a partir de maio
de 2026, tornou obrigatória o levantamento de dados, a avaliação e o controle
de fatores do trabalho que possam interferir na saúde mental dos trabalhadores,
com o intuito de prevenir o adoecimento mental e outras lesões e agravos à
saúde do trabalhador (MTE, 2025). Assim, fatores presentes na organização e
gestão do trabalho que podem causar estresse, adoecimento psicológico, físico
e social, afetando a saúde e o bem-estar do trabalhador, devem passar a receber
atenção das instituições privadas e públicas, para que estas adotem medidas
que melhorem o desempenho em Saúde e Segurança do Trabalho (SST).
Infelizmente, sabe-se que sobrecarga de trabalho, assédio moral e sexual,
falta de autonomia, conflitos interpessoais e falta de apoio, falta ou excesso de
profissionalização de fluxos, gestão autoritária, falta de reconhecimento, baixa
justiça organizacional, descontinuidade das carreiras, insegurança econômica e
política etc. fazem parte da realidade do mundo trabalho no contexto atual.
Assim, o contexto histórico, social e político neoliberal tem promovido condições
patológicas de sofrimento no trabalho (Facas, 2021) e os transtornos mentais
decorrentes representam hoje a segunda causa de afastamentos por
adoecimento ocupacional (MTE, 2025).
Desse modo, torna-se imperativo às Instituições a identificação,
avaliação, controle e monitoramento dos riscos psicossociais na Organização.
Tal medida objetiva amparar ações que atenuem ou extingam os impactos do
sofrimento e do adoecimento psíquico no trabalho, diminuindo a incidência de
afastamentos por doenças como ansiedade, depressão e burnout – o que, sem
dúvida, gerará repercussões positivas em termos de produtividade e impacto
previdenciário. Portanto, a saúde mental se eleva ao patamar de prioridade legal,
exigindo medidas proativas para garantir um ambiente de trabalho saudável,
seguro e que forneça ao trabalhador um “cenário propício para as descobertas
e criações socialmente úteis” (Facas, 2021).
De acordo com o MTE (2025), o levantamento e a avaliação dos fatores
de riscos psicossociais devem ser realizados por equipe multiprofissional
especializada que tenha experiência em saúde e segurança do trabalho, bem
como prevenção e promoção de saúde. Também, deve envolver os níveis
gerenciais de alta administração, as lideranças, os trabalhadores, definindo-se
de forma profissional as atribuições e responsabilidades e utilizando-se
instrumentos cientificamente validados e teoricamente consolidados. Tais
determinações justificam o envolvimento amplo dos/as servidores/as da CSQV
das áreas de saúde e segurança do trabalho e da prevenção e promoção de
saúde no levantamento e avaliação dos riscos psicossociais e clima
organizacional, no âmbito da CSQV-PROGEP-UFPEL.
O PROART é considerado “padrão-ouro” para avaliação dos riscos
psicossociais, eis que criado com evidências de validade em pesquisa por Facas
et al. (2015), para uso no Brasil, a partir da análise fatorial com uma amostra
de 5.795 trabalhadores de instituições públicas e privadas de diversos setores
(Facas, 2015, 2021; Pereira, 2025). Além disso, é um instrumento de uso gratuito
e que já é utilizado por outras universidades públicas na avaliação dos riscos
psicossociais de seus servidores (Pereira, 2025) – o que, evidentemente, facilita
a interpretação dos dados obtidos com a pesquisa proposta.
O questionário fechado desenvolvido por Tybel (2018) procurou avaliar
categorias do clima organizacional no trabalho nas Universidades, baseado no
modelo desenvolvido por Rizzatti e colaboradores (1995 apud Tybel, 2018).
Diante da escassez de instrumentos organizacionais bem estabelecidos para
compreender o fenômeno exclusivamente no trabalho nas instituições públicas,
infere-se que tal questionário aplicado em outra instituição e com bons resultados
possa ser uma opção viável para realização da avaliação do clima organizacional
no trabalho na UFPEL.

Metodologia

Trata-se de uma abordagem quantitativa, descritiva e de corte transversal.
A amostragem será não probabilística e os participantes serão selecionados
pelos critérios de acessibilidade/conveniência e representatividade do universo
de pesquisa, o que possibilitará a descrição das características da
população, do fenômeno e das relações entre as variáveis investigadas.
A amostra da pesquisa será composta de servidores públicos federais,
técnicos e docentes, da UFPEL. O critério de inclusão é ser um trabalhador
concursado (efetivo), em exercício ativo na Instituição (docente e/ou técnico).
Estarão excluídos trabalhadores temporários, terceirizados, substitutos e
aposentados.
A coleta será realizada a partir de questionários de forma on-line. A partir
do questionário sociodemográfico, obter-se-á informações referentes aos
critérios de inclusão e exclusão, bem como será possível conhecer os diferentes
grupos demográficos e identitários da UFPEL, a partir de questões como cargo
na universidade, quanto tempo trabalha como servidor, carga horária semanal
de trabalho, escolaridade, idade, raça/etnia, gênero, orientação sexual, estado
civil, religião, deficiência ou necessidades específicas, chefia da família (pessoa
que mais contribui com as despesas mensais da residência), renda, filhos e
responsabilidade pelo cuidado, pessoas adultas na família que dependem dos
cuidados.
Também, será possível conhecer as informações sobre saúde e
aspectos comportamentais dos/as servidores/as da UFPEL, a partir de questões
como: prática de atividade física, tratamento psicológico/psiquiátrico, diagnóstico
de ansiedade ou depressão, uso de medicação para ansiedade ou depressão,
afastamento do trabalho por mais de 15 dias durante a vida laboral na UFPEL,
adoecimento mental (diagnóstico de ansiedade ou depressão), exercer outra
atividade profissional fora UFPEL.
Serão aplicadas quatro as escalas do Protocolo de Avaliação dos Riscos
Psicossociais no Trabalho (Facas, 2021; Pereira, 2025). O PROART tem como
base teórica abordagens críticas e clínicas do trabalho, que buscam
compreender a relação “saúde e trabalho” a partir do entendimento e
conhecimento de diversas dimensões organizacionais - cultura, valores, clima,
contexto de trabalho, qualidade de vida no trabalho – e da subjetividade do
trabalhador considerando fatores históricos, políticos e sociais.
É um protocolo multidimensional com 91 itens distribuídos por quatro
escalas que objetivam mapear riscos psicossociais no trabalho e orientar a
elaboração de práticas mais adequadas ao contexto organizacional.
As quatro medidas do PROART são compostas por: a) Escala da
Organização do Trabalho (abrange a divisão de tarefas e divisão social do
trabalho), b) Escala de Gestão do Trabalho (avalia o estilo de gestão, se mais
individualista ou coletivista), c) Escala de sofrimento patogênico no trabalho
(mede o sentido do trabalho, o esgotamento mental e a percepção da falta de
reconhecimento) e d) Escala de Gestão da Organização (identifica os danos
físicos, psicológicos e sociais decorrentes do trabalho).
Todas são escalas de cinco pontos para o registro das respostas em
termos de frequência, as quais variam entre os valores numéricos de 1 (nunca)
e 5 (sempre), indicando uma classificação de risco baixo, médio ou alto em cada
uma das dimensões e guiando a necessidade de intervenção a curto/médio
prazo ou a manutenção de boas práticas na organização do trabalho. Esse
instrumento, considerado “padrão-ouro” para avaliação de riscos psicossociais,
foi criado com evidências de validade em pesquisa por Facas (2021), para uso
no Brasil.
Ao considerar a escassez de instrumentos e modelos confiáveis para
mensurar o clima organizacional especificamente no serviço público das
universidades federais, optou-se pelo uso, para realização da avaliação do clima
organizacional no trabalho na UFPEL, do questionário fechado desenvolvido por
Tybel (2018). À semelhança do PROART, o questionário é composto por uma
escala do tipo Likert, com o objetivo de mensurar o grau de concordância com
as afirmações do questionário. A caracterização considerou o cálculo da média
das respostas dos sujeitos da pesquisa, utilizando com referência a escala Likert
de 5 pontos. As médias geradas para cada constructo foram categorizadas em
três graus diferentes (Pontos Fracos, Pontos a melhorar e Pontos Fortes). O objetivo é mensurar o grau de concordância com as afirmações do
questionário, as quais procuram avaliar as seguintes categorias do clima
organizacional no trabalho na Universidade: (1) Imagem e Avaliação
Institucional, (2) Desenvolvimento de Recursos Humanos, Benefícios e
Incentivos. (3) Organização e Ambiente de trabalho, (4) Relacionamento
Interpessoal, (5) Sucessão Político-Administrativa e Comportamento das
Chefias e (6) Satisfação Pessoal.
Como se trata de um levantamento, o convite para participação na
pesquisa será divulgado nos canais oficiais da UFPEL, endereçando a
publicidade da mesma ao público-alvo de servidores docentes e técnicos da
ativa. Ainda, enviaremos para o e-mail dos servidores ativos o convite. Reforçará
a livre adesão, bem como a possibilidade de desistência a qualquer momento,
sem ônus aos participantes. Os trabalhadores que aceitarem participar terão
acesso on-line ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE),
que informará sobre objetivos da pesquisa, métodos, direitos, riscos/benefícios
potenciais, garantia da confidencialidade das informações e da proteção da
identidade dos sujeitos, dentre outros princípios éticos de pesquisa em Ciências
Humanas e Sociais (Resolução CNS/MS n. º 510, de 07 de abril de 2016) e do
Conselho Nacional de Saúde (Resolução CNS/MS n. º 196, de 10 de outubro de
1996).
A participação envolve responder, de forma online: (1) um questionário
sociodemográfico, (2) algumas escalas de avaliação de riscos psicossociais e
(3) um questionário fechado sobre clima organizacional. A pesquisa é composta
por 66 perguntas objetivas, divididas em três blocos, e 86 afirmativas distribuídas
em quatro escalas de avaliação. O tempo médio estimado para o preenchimento
completo é de 30 minutos. Ao final, haverá também um espaço dedicado para
registrar algum comentário ou sugestão de forma facultativa.
No que tange às análises, a estatística será descritiva e inferencial. Os
dados coletados serão interpretados privilegiando o modelo PROART, o qual
preconiza que a organização do trabalho é resultado das relações intersubjetivas
e sociais dos trabalhadores com as organizações e que estas existem num
contexto histórico, social e político, o qual influencia os sentidos e significados
do trabalho para aquele que trabalha. Quanto ao fluxo de pesquisas
institucionais, a Coordenação de Desenvolvimento de Pessoal (CDIP) atua como
um braço estratégico na colaboração para a elaboração de instrumentos de
coleta de dados. Em nossa metodologia, os questionários e escalas de
participação serão encaminhados à CDIP, que institucionalmente utiliza a
ferramenta SurveyMonkey para a estruturação e operacionalização desses
formulários no âmbito da UFPel. Toda a nossa atuação é pautada pelo rigoroso
respeito ao sigilo, garantindo que os dados coletados sejam utilizados
exclusivamente para os fins previstos na pesquisa, assegurando a privacidade e
o anonimato dos participantes conforme as normas vigentes. Desta forma, a
CDIP poderá cumprir papel de suporte logístico e tecnológico, enquanto a CSQV
detém a prerrogativa técnica sobre o tratamento e interpretação dos resultados,
assegurando que o manuseio das informações unicamente para os fins descritos
no projeto.
Os dados serão sigilosos e de acesso restrito à Coordenação de Saúde
e Qualidade de Vida. A participação dos servidores é estritamente voluntária e
o instrumento de pesquisa foi desenhado para não solicitar informações que, por
cruzamento, levem à identificação direta (como nomes, SIAPE). Os dados brutos
serão processados exclusivamente por uma equipe técnica restrita, sob
confidencialidade. Não haverá acesso, por parte das chefias ou departamentos,
às respostas individuais ou a relatórios que fragmentem os dados a ponto de
permitir a reidentificação (efeito mosaico). Os dados serão acessados
exclusivamente pela equipe de pesquisa. A presente pesquisa fundamenta-se
estritamente no cumprimento das determinações legais vigentes que obrigam as
organizações ao levantamento sistemático de dados sobre riscos psicossociais.
O acesso aos dados brutos será limitado estritamente à equipe técnica
responsável pela análise estatística, mantendo-os em ambiente seguro e
protegido por credenciais de acesso, seguindo as diretrizes da LGPD (Lei Geral
de Proteção de Dados).
A participação nesta pesquisa será estritamente voluntária e pautada
pelo mais absoluto sigilo. Compreendendo a natureza dos temas abordados e
zelando pelo bem-estar dos servidores, o instrumento de coleta contará com
orientações claras sobre o caráter facultativo da participação, assegurando a
autonomia de cada indivíduo em interromper seu preenchimento a qualquer
momento. Caso a interação com o conteúdo do formulário ou a reflexão sobre
as temáticas propostas desperte qualquer nível de desconforto, ansiedade ou
sofrimento psíquico, o participante será orientado a buscar, de forma imediata, o
suporte da Coordenação de Saúde e Qualidade de Vida (CSQV).
A CSQV atua como a unidade de referência para o acolhimento especializado,
oferecendo uma rede de cuidado composta por uma equipe técnica
multidisciplinar formada por psicólogas, assistentes sociais e enfermeiras.
Estes profissionais estão capacitados para realizar o atendimento, o acolhimento
qualificado e o acompanhamento necessário dos servidores que demandem
suporte durante ou após a participação na pesquisa, garantindo uma retaguarda
de saúde robusta e humanizada.

Indicadores, Metas e Resultados

Indicadores
Níveis de exposição a riscos (PROART); percepção do ambiente (clima); correlação entre variáveis demográficas, sofrimento psíquico e satisfação.

Metas
Conclusão do diagnóstico abrangente; mapeamento completo dos fatores críticos por setor; coleta de dados de docentes e técnicos.

Resultados Esperados
Elaboração de um protocolo institucional de avaliação; criação de estratégias preventivas e de promoção à saúde baseadas em evidências. A iniciativa busca transcender o diagnóstico, transformando os dados coletados em insumos para o ciclo de política pública de saúde integral. Ao identificar e gerenciar fatores de risco psicossociais, a UFPEL objetiva reduzir afastamentos, diminuir prejuízos organizacionais e sociais, e fomentar um ambiente de trabalho que harmonize produtividade, qualidade de vida e motivação para o serviço público. O sucesso do levantamento permitirá que a instituição cumpra o princípio da eficiência, consolidando um modelo de gestão de pessoas que prioriza a sustentabilidade da força de trabalho docente e técnica.

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