Nome do Projeto
Projeto regional de desenvolvimento da bovinocultura leiteira do Rio Grande do Sul - Boas práticas agropecuárias
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
02/01/2017 - 15/02/2020
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Eixo Temático (Principal - Afim)
Tecnologia e Produção / Trabalho
Linha de Extensão
Desenvolvimento Rural e Questão Agrária
Resumo
O projeto visa o incremento da qualidade do leite e da renda de famílias rurais que trabalham com a atividade leiteira, através do resgate de técnicas tradicionais locais para exploração leiteira, da adoção de práticas sustentáveis e da utilização de Boas Práticas Agropecuárias utilizando fitoterápicos, bacteriocinas e óleos essenciais na Região Sul do Rio Grande do Sul. Previamente a esta proposta foram acompanhadas 40 unidades de produção leiteira oriundas da agricultura familiar ao longo de 5 anos (com recursos do PROEXT e UFPEL), que serviram de laboratório de estudo para o levantamento da realidade local e de ensaios com fitoterápicos e óleos essenciais para o controle e tratamento do rebanho leiteiro. Nesta proposta pretende-se aplicar o conhecimento gerado em 15 agricultores familiares e que servirão de modelo para ação de professores, pesquisadores, técnicos, extensionistas e alunos para promoção da produção de leite com qualidade e sustentabilidade, de forma que os resultados positivos em produtividade e segurança alimentar gerem ganhos financeiros para as famílias e as comunidades circunvizinhas, estimulando e viabilizando a permanência das futuras gerações, fortalecendo a sucessão rural, além da promoção do equilíbrio ambiental e a racionalização do uso de insumos e trabalho, levando a uma autonomia e emancipação das famílias e dos jovens do campo e dos povos e comunidades tradicionais rurais. E por fim, servirão de Núcleo de estudo, pesquisa e extensão da produção leiteira local.

Objetivo Geral

Esta proposta visa promover o aumento de renda de famílias rurais e da qualidade do leite em 15 unidades produtivas da região sul do Rio Grande do Sul, através do acompanhamento, desenvolvimento de pesquisas e treinamento de alunos e extensionistas em Unidades
Participativas (UPs). Estimulando a produção de leite de qualidade sob o ponto de vista sanitário, do valor nutritivo e do rendimento ao processamento, e estabelecendo técnicas de trabalho, de forma que os resultados positivos em produtividade gerem ganhos financeiros para o agricultor assim como, com a adoção de boas práticas agropecuárias e produção integrada, ocorra promoção do equilíbrio ambiental e a racionalização do uso de insumos e trabalho.

Justificativa

O momento atual se apresenta favorável à atividade leiteira com relação a mercado, pois há um crescimento da demanda, com empresas disputando novos produtores com melhor desempenho e remunerando por qualidade de leite entregue. Porém a perspectiva é bastante negativa para a grande maioria dos produtores devido aos baixos índices de produtividade e escala de produção, a má gestão, sazonalidade de produção e qualidade do leite, a exploração de poucas alternativas de renda dentro da propriedade rural. Diante esta situação é premente e necessário projetos que transformem esta realidade e que abram novos mercados para pequenas produções. Dentro estes mercados, destacam-se os consumidores que estão preocupados com a qualidade e segurança alimentar, buscando um produto natural e livre de resíduos químicos. Que tenham atestado de origem,
preferencialmente de propriedades que se preocupem em preservar os recursos naturais e manter o bem estar animal. Para isso, além de recursos financeiros, precisa-se de um trabalho em parceria, adequado e contínuo para melhorar o sistema de alimentação dos rebanhos, a qualidade do leite produzido através da adoção de Boas Práticas Agropecuárias e uma capacitação técnica e gerencial dos produtores. Dentre as atividades desenvolvidas com agricultores familiares, a produção de leite é uma das mais importantes, por oportunizar uma renda mensal, não necessitar de grandes áreas e podes ser conduzida pela própria família.
Assim este projeto pretende promover a diversificação e aumento da renda e a sustentabilidade dos sistemas de produção da agricultura familiar em situação de vulnerabilidade, pelo ajuste dos fatores de produção, transição para uma exploração com uso de Boas Práticas Agropecuárias e capacitação de recursos humanos no meio acadêmico e na sucessão rural, na região Sul do Rio Grande do Sul. Qualificando o produto leite, não só sob o ponto de segurança alimentar, como também em relação ao seu valor nutritivo e rendimento ao processamento, o que incide em melhor remuneração e margem de lucro na atividade.
Capacitar agentes de fomento e famílias produtoras de leite para aplicação de processos de racionalização das atividades dentro do sistema de produção, no sentido de ajustar a relação custo:benefício das ações, minimizando tanto quanto possível o uso de insumos externos. Integrar os alunos de graduação ao meio produtivo, através de sua participação na execução, fomento e avaliação do projeto, criando um elo entre o ensino e a extensão. Possibilitar que alunos de pós graduação desenvolvam uma pesquisa aplicada, desenvolvida no ambiente de produção, levando a uma maior aproximação da pesquisa e da extensão. Promover a melhoria, pela conscientização e uso de conceitos agroecológicos, dos índices de sanidade dos rebanhos de modo sistêmico, de forma que, havendo resultados positivos em produtividade, haja também ganhos financeiros por parte do produtor. Orientar as famílias com a participação dos jovens para a adoção de boas práticas agropecuárias e produção integrada, visando à racionalização do uso de insumos e trabalho e o equilíbrio ambiental, contribuindo assim para a permanência das famílias com qualidade de vida e renda da juventude rural, fortalecendo a sucessão rural, promovendo o desenvolvimento sustentável e com a autonomia e emancipação dos jovens do campo e dos povos e comunidades tradicionais rurais.
Servira para uma educação continuada par aos alunos de graduação e empoderamento da comunidade atendida pelo conhecimento gerado. Criação de um vínculo da universidade e da comunidade. E a formação de alunos com perfil extensionista.

Metodologia

A estratégia desse trabalho esta fundamentada em ações de participação, capacitação de agricultores familiares e implementação de tecnologias que possam oportunizar a diversificação de renda das famílias atingidas, melhoria na qualidade do leite, servindo de Núcleo de estudo, pesquisa e extensão. Tendo como determinação a busca de sustentabilidade do sistema de produção, com o objetivo de obter um produto seguro e nutricionalmente adequado. Além de promover avanços na utilização de medidas sanitárias alternativas, como o uso de óleos essenciais, bacteriocinas e fitoterápicos na produção de leite.
Para tanto houve a necessidade de restabelecer em 2007 a parceria de trabalho entre EMATER/RS - ASCAR esta foi formalizada em convênio em 2009. E desta aproximação criou-se o
Programa Regional de Desenvolvimento da Bovinocultura da Região Sul do Rio Grande do Sul (PDBL), que em um primeiro momento acompanhou 5 unidades experimentais no município de Pelotas, que serviram de exemplo para a elaboração da metodologia de trabalho Este programa é composto de ações multidisciplinares das entidades, através da participação de seus professores, alunos, pesquisadores e técnicos que atuam em sincronia nas unidades experimentais participativas e nas diferentes áreas que a produção de leite engloba, formando uma equipe de trabalho multidisciplinar. Individualmente estes parceiros buscam através de projetos, a gerencia mais direta de suas ações. Este projeto contempla a área de qualidade de leite, sanidade do rebanho, bem estar animal, manejo nutricional e gerenciamento, sendo denominadas boas práticas agropecuárias, focando no estabelecimento de boas práticas agropecuárias da unidade trabalhada. Montando uma equipe multidisciplinar com ênfase na formação de técnicos extensionistas, sejam acadêmicos dos cursos de Ciências Agrárias da UFPEL e da Emater.
Em 2011 foram realizadas reuniões entre os parceiros, para que com a experiência acumulada dos dois primeiros anos, levasse a regionalização do programa e seus projetos Assim a região foi mapeada e incluídas mais 16 unidades experimentais participativas (UPs) e estas foram acompanhadas ao longo dos anos através da aprovação de recursos via Edital do PROEXT/MEC 2012 e 2013e. Estas Ups são propriedades rurais de exploração familiar, que possuem a produção leiteira como principal atividade. Servem de local para acompanhamento e desenvolvimento de projetos de extensão, pesquisa e educação, coordenados por professores, pesquisadores e extensionistas da região. E que possuem como meta servirem de laboratórios para que em conjunto: as famílias, alunos e coordenadores busquem alternativas de exploração agropecuária que leve em conta o equilíbrio ambiental utilização de tratamentos alternativos como óleos essenciais e fitoterápicos, a sustentabilidade da atividade leiteira, a melhoria da qualidade de vida e a autonomia de renda da família rural, promovendo assim a garantia da sucessão das gerações.
Proposta para o ano 2017:
1) Despertar o interesse dos agricultores e para um maior aperfeiçoamento das famílias, serão programadas visitas, reuniões técnicas, encontros, dias de campo e cursos práticos nas Ups que já passaram pelo processo de capacitação;
3) Serão recomendadas ações grupais com os agricultores participantes dos três primeiros anos, oportunizando-se a troca de experiências e informações na comunidade e povos que as UPs estão inseridas. Paralelo a esses grupos, será estimulado a formação de grupos de jovens rurais, onde os acadêmicos participarão ativamente, organizando encontros e discussões de interesse da comunidade;
4) Acompanhamento técnico, para avaliar a evolução de cada unidade participativa e oportunizar a assessoria técnica necessária aos agricultores que ingressarão no projeto;
A metodologia adotada será:
Levantamento das famílias rurais municípios junto a EMATER local.
Seleção de famílias que serão desenvolvidas as atividades do projeto e servirão de Núcleo de ensino, pesquisa e extensão denominadas Unidades Participativas (UPs).
Acompanhamento das UPs : estas unidades representativas, devem estar localizadas em pontos estratégicos, composto de famílias que se dispõem a discutir suas dificuldades e anseios, seguem as orientações recomendadas e permitem o uso de suas propriedades para visitações, dias de campo, cursos e encontros, além de levantamento de dados para novos estudos;
Estas famílias serão convidadas a visitar as UPS que foram acompanhadas nos nos anos anteriores. Novos bolsistas serão treinados para realização das análises laboratoriais, coleta de dados e amostras, técnicas de acompanhamento da unidade com as famílias;
Os alunos colaboradores organizarão os curso, encontros e os grupos de jovens rurais nas suas comunidades, integrando assim deforma indireta um número maior de famílias atingidas. Nesses grupos serão levantados diversos assuntos para discussão: importância da atividade rural, do associativismo e cooperativismo, formas de controle de zoonoses e fundamentos de saúde pública, noções sobre segurança alimentar, planilhas para controle do fluxo de caixa, uso da informática no agronegócio e conceitos de agroecologia;
Será feito o levantamento de todos os dados de novas unidades e coleta de amostras para que se identificar as potencialidades e principais problemas em municípios que ainda não tenham sido contemplados;
Serão construídas propostas para ano de atividades para as Unidades Participativas, através de encontros entre a equipe de trabalho, bolsistas e cada família, considerando-se a realidade local, para ajustar os fatores de produção em curto e médio prazo, no sentido de manter o resultado de qualidade de leite;
Acompanhamento de cada unidade, com pelo menos uma visita mensal;
À medida que as adequações ocorrerem na UPs os técnicos em comum acordo com as famílias decidiram os passos seguintes como: Visitas, Dias de Campo, Cursos, Encontros, além da divulgação através da imprensa falada, escrita e televisionada;
Ao final de um ano do início da implantação do Projeto já deverão ter melhorias suficientes para iniciarem a difusão dos resultados;
Será feito o controle da qualidade de leite da UPs uma vez por mês, para tanto serão coletadas amostras do leite de conjunto em frascos estéreis e encaminhados ao Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal - LIPOA, da Universidade Federal de Pelotas UFPel, para realização de contagem de mesófilos aeróbicos (BRASIL, 2003).
Em caso de altas contagens, serão realizadas coletas em diferentes pontos do manejo de ordenha, como equipamentos, instalações, mãos do ordenhador, leite de vacas com mastite, com a finalidade de identificar a(s) fonte(s) de contaminação e preconizar as medidas de controle mais adequadas a cada caso com vistas ao estabelecimento de boas práticas agropecuárias.
Adicionalmente, será analisada a água utilizada em cada unidade, realizando as contagens de mesófilos aeróbicos e de coliformes termotolerantes, conforme BRASIL (2003) e utilizados os parâmetros recomendados pela Portaria 518, de 25/03/2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA (BRASIL, 2004).
Será realizado o controle leiteiro individual de todas as vacas em lactação e coletada amostras de leite das glândulas mamárias com mastite clínica ou subclínica e encaminhadas sob refrigeração ao LIPOA para identificação do agente etiológico e realização de antibiograma. Além de orientar o tratamento terapêutico, os resultados darão suporte para a elaboração de medidas para o controle da mastite nos rebanhos leiteiros e identificação de cepas resistentes para testes com substâncias alternativas (fitoterápicos, óleos essenciais e bacteriocinas) e identificação de gens de patogenicidade e resistência.
Serão amostradas concomitantemente 20 mL para determinação dos teores de gordura, proteína, lactose, sólidos totais e ponto de congelamento através de turbidimetria com o aparelho Master Clasic LM2 (Milkotester Ltd) no Laboratório de Inspeção de Leite e Derivados da Faculdade de Veterinária, da UFPEL, segundo ZAFALON et al (2006) e mais duas amostras para contagem de células somáticas e outra para contagem bacteriana total, sendo acondicionadas em frascos específicos com bronopol e azidiol respectivamente, analisadas por citometria de fluxo.
Com as cepas isoladas dos pontos de contaminação serão realizadas pesquisas em laboratório testando a presença de gens de patogenicidade, capacidade de formação de biofilme em diferentes materiais (plástico, alumínio de borracha), ação de antissépticos convencionais, óleos essenciais, fitoterápicos e bacteriocinas. Para que medidas alternativas possam ser utilizadas nas unidades.
O rebanho da unidade será acompanhado com relação ao bem estar animal, para evidenciar parâmetros locais que assegurem a sanidade desses animais. Serão realizadas coletas de fezes e sangue para monitorar as infestações por endoparasitas e escolha de estratégias adequadas de manejo. Para controle dos ectoparasitas, serão coletados carrapatos e testados óleos essenciais para seu controle.
Mensalmente são atualizados os dados financeiros das famílias para criação de uma planilha de fluxo de caixa, e assim possam ser tomadas decisões para a geração de renda e diversificação da atividade. Estas planilhas geram índices produtivos que servirão de parâmetros para avaliação da eficácia do projeto.
Serão recomendadas ações grupais com os agricultores participantes dos dois primeiros anos, oportunizando-se a troca de experiências e informações na comunidade e povos que as UPs estão inseridas na proposta.
O acompanhamento técnico, para avaliar a evolução de cada unidade participativa e oportunizar a assessoria técnica necessária aos agricultores será realizada pelos docentes e pesquisadores no intuito de nortear as decisões e avaliar a eficiência da ação de extensão.

Indicadores, Metas e Resultados

Indicadores: resultados obtidos pelas unidades acompanhadas ao longo dos anos: melhoria nos parâmetros de qualidade e produtividade do leite (físico-químicos e microbiológicos), e indicadores financeiros como: rentabilidade, produção por ha /ano. Nível de satisfação com o projeto: questionário respondido pelos participantes.
Resultados esperados:
O acompanhamento técnico, para avaliar a evolução de cada unidade participativa e oportunizar a
assessoria técnica necessária aos agricultores será realizada pelos docentes e pesquisadores no intuito de nortear as decisões e avaliar a eficiência da ação de extensão. Cada área de trabalho
(gestão, sanidade, qualidade de leite, bem estar animal, nutrição, segurança alimentar, segurança
nutricional, agroecologia) possui um docente ou pesquisador coordenador, que desenvolve suas atividades em conjunto com bolsistas, acadêmicos e técnicos extensionistas de campo.
De posse de todo este panorama será escrito um manual de boas práticas agropecuárias para os produtores com uma das formas de divulgação dos dados gerados.
As UPs servirão de local para aulas práticas, serão desenvolvidos trabalhos acadêmicos (em disciplinas do curso de Agronomia, Veterinária e Zootecnia), trabalhos de conclusão de curso (TCC) e com os dados gerados e testes laboratoriais serão desenvolvidas dissertações de Mestrado e teses
de Doutorado.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CLAUDIO DIAS TIMM1
DIEGO MOSCARELLI PINTO1
EDUARDA HALLAL DUVAL1
FABIO RAPHAEL PASCOTI BRUHN1
FERNANDA DE REZENDE PINTO2
FRANCIELI DELL OSBEL
GUSTAVO FERNANDES DOS SANTOS
HELENICE GONZALEZ DE LIMA13
JULIANA CAROLINA SIEBEL
JULIANA FERNANDES ROSA
JÉSSICA DAL VESCO
MARINA OLIVEIRA DANELUZ
NATACHA DEBONI CERESER6
PATRICIA DA SILVA NASCENTE
ROBERTA VÖLZ KRAUSE
ROSANE ELVIRA FERRAZZA NARDES4
SANDRA ELISA KUNRATH

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